Maio Laranja: instituto promove roda de conversa em combate à violência sexual infantil
A ação envolveu as turmas de dança da instituição, em um momento de escuta, acolhimento e orientação
Em alusão ao Maio Laranja, campanha nacional de enfrentamento ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes, o Instituto Katiana Pena (IKP) promoveu uma roda de conversa com crianças e adolescentes atendidos pelo projeto.
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É + que streaming. É arte, cultura e história.
A atividade foi realizada em parceria com a Rede Aquarela e envolveu as turmas de dança da instituição, em um momento de escuta, acolhimento e orientação.
A mobilização do Maio Laranja ocorre em todo o país e tem como data o dia 18 de maio, Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.
Durante a conversa, os participantes puderam refletir sobre o tema, conhecer seus direitos e identificar formas de se proteger em situações de risco. O encontro foi no último dia 7.
A ação reforça o compromisso do IKP com a formação cidadã de seus alunos, indo além da arte e da dança para abordar temas essenciais à proteção da infância e adolescência.
Pelo menos 243 ocorrências de abuso sexual foram registradas até abril
De acordo com dados da Superintendência de Pesquisa e Estratégia de Segurança Pública (Supesp), órgão vinculado à Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS), pelo menos 35,72% das vítimas de abusos sexuais têm entre 12 e 17 anos. Confira o número de ocorrências em 2025:
- Janeiro: 40
- Fevereiro: 60
- Março: 66
- Abril: 77
Os números totalizam 243 ocorrências até o presente momento.
Ainda conforme a pasta, 91,15% das vítimas são do gênero feminino, contra 8,85% do gênero masculino. Os dados se referem até abril último.
Já vítimas entre a faixa etária de 6 a 11 anos computam 27,61% dos casos. O período em que a maioria dos crimes ocorrem é pela manhã (33,76%), seguido pelo turno da tarde (29,63%), noite (25,8%) e madrugada (10,79%).
Assistente social destaca importância de iniciativa
“Trazer pautas como essa para dentro do Instituto é essencial. Precisamos, cada vez mais, preparar nossas crianças e adolescentes para se protegerem das violências que existem no mundo. É uma responsabilidade coletiva cuidar de quem está crescendo”, afirma Katiana Pena, diretora do Instituto, em nota enviada à imprensa.
Ao O POVO, a assistente social que trabalha no instituto, Karina Cunha, explicou como funcionou a ação.
“No primeiro momento a Rede Aquarela fez um ciclo formativo que normalmente se divide em quatro processos: é feito uma formação com os profissionais do instituto, uma palestra com os pais, um cine debate com os adolescentes e uma oficina com crianças para trabalhar a mesma temática do Maio Laranja, mas pegando metodologias diferentes com cada público", detalha.
É a segunda edição da iniciativa, que é feita pelo setor psicossocial. Karina comentou sobre as formas de identificar uma situação de risco e como se proteger.
"Muitas vezes esse local, essa violência, ela vem de um local de confiança. As pessoas muito falam que esse local, ele vem de algum estranho. Estudos provam que a maioria das vezes é dentro da sua casa e de uma pessoa de confiança, como inclusive um relato de uma de uma criança que chegou para outra tocou nos seios dela e a outra parou ela e ela falou: 'Não, mas isso é carinho, o meu pai faz isso comigo'".
"A gente também faz esse processo de ouvir e identificar esse abuso que a criança não identificou, mas que a gente consegue identificar".
De acordo com Karina, é feito um processo com as crianças para identificar regiões que não podem ser tocadas. "Orientação de que não pode tomar banho na frente do adulto, todas essas formas", acrescenta.
Karina afirma que as formas de abuso são muito comuns em crianças e adolescentes. "Os abusos verbais, a forma de falar com uma criança em tons sexuais, com tons que não são forma de se falar, também caracterizam esse abuso".
As famílias das crianças e adolescentes assistidos também são atendidas pelo instituto. Em casos de abuso, além do acolhimento, é feita uma articulação entre conselho tutelar e rede de proteção da assistência.
A assistente social destaca a importância da ação: “Essas rodas têm um teor informativo de suma importância. A partir do momento em que ela sabe [reconhecer o abuso], ela consegue acionar um adulto, que faz todo o processo que tem que ser feito para proteger essa criança", conclui.