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Safadão e Thyane Dantas, esposa do artista, são indiciados após caso de vacinação irregular

Outras cinco pessoas também foram denunciadas pelos crimes de peculato e por infração a determinação do poder público, destinada a impedir introdução ou propagação de doença contagiosa
18:37 | Set. 29, 2021
Autor Leonardo Maia
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Leonardo Maia Estagiário
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Tipo Notícia

O cantor Wesley Oliveira da Silva, conhecido como Wesley Safadão, a esposa do artista, Thyane Dantas, e outras cinco pessoas foram indiciadas em inquérito policial pelos crimes de peculato e por infração a determinação do poder público, destinada a impedir introdução ou propagação de doença contagiosa, cujas penas somadas podem chegar a treze anos de prisão. A assessora do músico também foi denunciada por infração de medida sanitária.

Conforme as investigações conduzidas pela Polícia Civil do Ceará, três servidores públicos da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) foram responsáveis pelo sucesso da vacinação do trio de pessoas beneficiadas. Outras duas pessoas, que não atuavam na administração pública, também apoiaram a imunização irregular, realizada no dia 8 de julho deste ano.

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Em nota, a Polícia disse que os servidores agiram de maneira “voluntária e deliberada”, sem “ciência, autorização ou conivência” da pasta de Saúde de Fortaleza. O órgão da segurança pública ainda indica que não há elementos que possibilitem constatar que houve alguma vantagem financeira para os funcionários envolvidos, mas sim a satisfação de seus interesses pessoais.

“De acordo com os delegados que conduziram a investigação, ficou caracterizado que a vacinação das três pessoas investigadas decorreu de um prévio ajuste entre elas, uma pessoa próxima ao cantor e uma outra pessoa, que por sua vez, possuía contato com os três servidores públicos, descartando a hipótese de coincidência despropositada e/ou falha”, diz a Polícia em nota. A terceira pessoa que teria se beneficiado do esquema é Sabrina Tavares Brandão, produtora do músico.

As informações foram divulgadas na noite desta quarta-feira, 29, após a conclusão das investigações policiais, que duraram cerca de dois meses. O inquérito agora segue para apreciação do Judiciário estadual. No total, 19 pessoas foram ouvidas durante as apurações policiais, em investigação da Delegacia de Combate à Corrupção (Decor).

Entenda o caso

Os questionamentos a respeito da vacinação do cantor e de sua esposa começaram a surgir no mesmo dia da imunização, quando internautas nas redes sociais apontavam que a influencer, de 30 anos, teria recebido o imunizante de forma antecipada. Na ocasião, a faixa etária que estava sendo contemplada para a população em geral ia até os 32 anos, para pessoas nascidas em 1989.

O nome de Thyane também não constava na lista de agendados, publicadas no site oficial da Prefeitura de Fortaleza, para receber o imunizante. Já no caso de Safadão, houve uma modificação em relação ao local da vacina: ele estava agendado para o Centro de Eventos, mas foi vacinado em um dos shoppings que atuam como ponto para vacinação na Capital. O estabelecimento estava aplicando a vacina da Janssen, que tem dose única.

Um dia após a vacinação irregular, o prefeito de Fortaleza, José Sarto (PDT), negou uma das teses defendidas pela assessoria de Wesley Safadão, de que Thyane teria sido vacinada com uma das doses da chamada “xepa da vacina”. A prática é comum quando doses sobram e são aplicadas em pessoas não agendadas para evitar o desperdício. O gestor, no entanto, apontou que a ação é realizada somente após o encerramento das atividades e o horário em que Thyane foi vacinada não é compatível.

Em suas redes sociais, Sarto comunicou que a equipe da Saúde busca pelo aproveitamento integral das vacinas. Segundo ele, em casos de sobra de doses remanescentes, após a finalização das atividades de imunização, os vacinadores podem buscar nas imediações pessoas que estariam aptas a receber o imunizante. O prefeito, no entanto, ressaltou que a aplicação da dose tem como base o público alvo vigente, além de priorizar sempre a maior idade.

"Nesta quinta (08/07), a vacinação contra a Covid-19 encerrou às 17h, não sendo assim sequer possível haver doses remanescentes antes desse horário”, enfatizou o prefeito.

No último dia 14, a SMS divulgou o resultado do processo administrativo de apuração da vacinação irregular do caso, identificando três profissionais da saúde envolvidos na ação — uma servidora e dois funcionários terceirizados. A servidora terá um Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD) instaurado, enquanto os funcionários terceirizados foram devolvidos para a empresa contratante, após a rescisão do contrato com a Prefeitura.

Na Câmara Municipal de Fortaleza, uma proposta começou a ser articulada pela oposição, após o caso, para criar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), visando apurar possível auxílio de agentes públicos a pessoas que “furaram a fila” da vacinação na Capital. A iniciativa, no entanto, ficou travada na Casa, após os vereadores reunirem apenas dez das 15 assinaturas necessárias para a instalação do grupo.

Atualizada às 19h42min

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