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Feirante da José Avelino é sepultado em Caucaia com homenagem de familiares e amigos

A administração do cemitério estima que cerca de 80 pessoas estejam no local vestidas de branco e com balões em homenagem ao feirante, morto em confronto com a Guarda Municipal de Fortaleza

O corpo do vendedor ambulante Naison Abdenego de Sousa Barros, de 31 anos, foi sepultado, na manhã desta quinta-feira, 19, no cemitério público de Caucaia, cidade onde mora a maior parte da família do feirante. O comerciante foi vítima de um disparo realizado durante o confronto dos feirantes com a Guarda Municipal de Fortaleza (GMF), na José Avelino, em Fortaleza, na madrugada da quarta-feira, 18. No local, amigos e familiares comparecem todos vestidos de branco e com um balão da mesma cor em homenagem ao feirante.  

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A administração do cemitério estima que cerca de 80 pessoas estejam no local. Diversos feirante e amigos de Naison se encontravam na cerimônia. O vendedor chegou a ser socorrido para o Instituto Doutor José Frota (IJF) após ser atingido, mas não resistiu aos ferimentos e faleceu poucas horas depois de dar entrada na unidade hospitalar. O homem era comerciante desde adolescência. Ele deixa a esposa e uma filha pequena.

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Colegas de feirante morto na José Avelino reclamam de falta de diálogo da Prefeitura

Durante os minutos que antecederam o sepultamento, amigos, familiares e outros feirantes também da José Avelino prestaram homenagem a Naison. Bastante emocionada, Cesanira Monteiro, 55, vendedora de confecção há quase 20 anos, no espaço onde o feirante trabalhava, conta que o sentimento que tem com a morte do amigo é o de repúdio e mágoa com as autoridades competentes.

"Eles não ficam ao lado de um pai e de uma mãe de família que só quer buscar o sustento lá dentro (da feira). Ninguém está querendo fazer vandalismo, confrontar ninguém. Só estamos querendo trabalhar", descreve, com os olhos marejados e completa que a maioria deles não tem formação para "trabalhar dentro de um escritório". "A nossa condição é de estar naquele lugar que gera muito emprego de forma direta e somos tratados feito vândalos?", desabafa.

Segundo Cesanira, a morte de Naison não foi uma morte individual. "Ele estava lá não só por ele, mas por cada um de nós que estamos aqui. Morreu por nós, morreu pela a causa", diz. Na madrugada do último sábado, 14, ainda de acordo com os feirantes que estavam no enterro, agentes da Guarda Municipal chegaram à José Avelino dando um ultimato: os vendedores teriam 10 minutos para recolher o material e sair do espaço.

Outro feirante presente na despedida de Nailson, Daniel Pereira de Lima, diz que com a Guarda Municipal não houve diálogo. “Ele já desceram (das viaturas) atirando contra a gente. E lá só tem pai de família, trabalhador querendo buscar seu sustento de casa”, informa.

Com informações da repórter Angélica Feitosa

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