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Saiba quem é o vendedor morto após confronto na José Avelino; sepultamento será nesta quinta (19)

Vítima de um disparo de origem ainda não identificada, o vendedor Naison Abednego deixa esposa e uma filha pequena
21:51 | Ago. 18, 2021
Autor Luciano Cesário
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Tipo Notícia

Atualizada às 8h31 de 19/08/2021

Vendedor ambulante desde a adolescência, casado e pai de uma criança. Esse era Naison Abdenego de Sousa Barros, de 31 anos, morto durante o confronto dos feirantes com a Guarda Municipal de Fortaleza (GMF), na José Avelino, ocorrido na madrugada desta quarta-feira, 18. Ele foi socorrido para o Instituto Doutor José Frota (IJF) após ser atingido por um disparo, mas não resistiu aos ferimentos e faleceu poucas horas depois de dar entrada na unidade hospitalar. O sepultamento está previsto para a manhã desta quinta, 19, no cemitério público de Caucaia, cidade onde mora a maior parte da família do vendedor.

Passadas mais de 24 horas da morte de Naison, ainda não há respostas sobre a origem do tiro que atingiu o vendedor. O POVO perguntou à GMF se os profissionais utilizaram armas de fogo durante a ação, mas não obteve resposta até a publicação desta matéria. Em vídeo gravado no momento em que os feirantes prestavam socorro ao colega, é possível ouvir uma sequência de fortes estampidos. “Foi tiro de verdade, foi tiro de verdade, gente”, repetia uma mulher enquanto filmava o acontecimento.

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Segundo um feirante também que estava no local, Naison foi alvo de um disparo de arma de fogo. “Na verdade, não só ele, mas todos nós que trabalhamos lá corremos o risco de ser baleados. Da forma truculenta que eles [a Guarda Municipal] chegam lá, uma hora ou outra a gente sabia que algo pior poderia acontecer. O mais triste é que perdemos um pai de família, um trabalhador que só queria ganhar seu pão de cada dia”, relatou o vendedor ao O POVO sob condição de anonimato.

A Polícia Civil do Ceará (PC-CE) foi procurada pela reportagem para comentar sobre os detalhes e o cronograma da investigação relacionada à morte do feirante. Em nota, a PC-CE apenas informou que "investiga as circunstâncias acerca de uma ocorrência que resultou na morte de um homem, na madrugada dessa quarta-feira (18), na Avenida José Avelino, no Centro de Fortaleza - Área Integrada de Segurança 4 (AIS 4). O caso foi registrado inicialmente no 34° Distrito Policial (DP), onde o irmão da vítima de 31 anos foi ouvido. O caso agora está a cargo do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da PC-CE, que já está em campo visando elucidar o caso".

O POVO também tentou contato com a assessoria de imprensa da Polícia Militar (PM) para saber se havia membros da corporação no local da ocorrência. De acordo com informações da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), não houve participação da PM na ação. 

Perguntas que ainda não foram respondidas:

1 - Qual a origem do tiro que atingiu o vendedor?

GMF diz que a dúvida só será elucidada no âmbito da investigação criminal realizada pela Polícia Civil. Imagens registradas por câmeras de segurança, materiais coletados no local da ocorrência e depoimentos de testemunhas serão decisivos para o esclarecimento dos fatos, segundo o órgão.

2 - Que tipo de armamento os agentes utilizaram na ação?

Em entrevista à rádio O POVO CBN, o secretário de Segurança Cidadã de Fortaleza, coronel Eduardo Holanda, disse que, por padrão, os profissionais da Guarda utilizam aparatos não letais, como spray de pimenta, bala de borracha, granada de gás e bombas de efeito moral. Ele ressaltou, no entanto, que dependendo do grau de risco da ação repressiva, as equipes podem lançar mão de armas de fogo.

3 - A repressão aos feirantes foi determinada pelo comando da GMF?

A assessoria de imprensa do órgão ainda não revelou detalhes sobre a logística da operação que resultou no confronto com os feirantes e a morte de um deles. Não se sabe, por exemplo, se o nível de repressão empregado pelos agentes foi determinado pelo comando da corporação ou se deu por iniciativa própria dos profissionais.

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Requisitos para o armamento 

O uso de armas de fogo por agentes da Guarda Municipal foi regulamentado em 2017 na Capital, por meio da assinatura de um convênio entre a Prefeitura e a Polícia Federal (PF). O acesso ao armamento, no entanto, somente é permitido a profissionais que participam de formações com aulas teóricas e práticas, além de um rigoroso processo de avaliação psicológica.

Segundo a GMF, a armas devem ser utilizadas apenas em situações de risco iminente. Não disse, contudo, se esse foi o caso da operação deflagrada na José Avelino. “O procedimento padrão da Guarda Municipal para controle de Distúrbios Civis é com armamento de baixa letalidade. Se alguém usou arma de fogo na operação, a polícia está investigando”, disse o órgão ao O POVO.

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