Conheça as Nenas, casal de paulistas que compartilha sua nova vida no Ceará
O casal, junto com os filhos, veio para o Ceará em fevereiro de 2023 e, desde então, tem mostrado ao mundo o que há de bom em terras alencarinas
09:27 | Abr. 13, 2024
“Oi oi, somos as Nenas e nos mudamos de São Paulo para o Ceará e estamos compartilhando nossas vivências por aqui!”. Assim se apresentam Thais Olardi e Gabriela Gavioli, as Nenas, nas redes sociais, onde quase que diariamente um vídeo novo é publicado.
Situações comuns para os cearenses soam como algo novo para este casal. Seja fazendo compras no supermercado, experimentando o pratinho ou subindo as dunas da Sabiaguaba, cada publicação vem com uma nova descoberta.
E no dia que Fortaleza completa 298 anos, O POVO traz a história dessa família que deixou a correria da maior cidade do Brasil e dotou o Ceará como lar.
A vida corrida em São Paulo e as preocupações com a saúde
Em 2023, cerca 60% dos residentes em São Paulo desejavam sair da cidade. Esse número representa um total de 7,2 milhões de pessoas, quase 3 vezes a quantidade de habitantes da capital cearense.
Os dados são da . Segundo o coordenador da pesquisa, Jorge Abrahão, em entrevista à Agência Brasil, o trânsito é uma das maiores dificuldades para se morar na capital paulista.
Dentro daquele percentual se encontravam Thais Olardi e Gabriela Gavioli. A vida em São Paulo estava feita. Ambas trabalhavam como ; os filhos, Miguel e Bernardo, estudavam; a família vivia sua rotina. Porém havia a constante necessidade de ter mais tempo de qualidade entre os membros daquele lar.
Em entrevista ao O POVO, Thais conta que, devido à rotina extenuante, ela começou a desenvolver depressão, ansiedade e síndrome de esgotamento profissional, o burnout.
“Em São Paulo tem toda aquela questão caótica do trânsito, do fluxo, dos horários e o nosso trabalho tinha essa demanda de horários marcados. A gente sabia que horas saía, mas não sabia que horas voltaria para casa. E isso foi nos adoecendo”, diz Thais.
Visto a necessidade de desacelerar a rotina e pensando, também, na saúde física e mental dos filhos, Thais e Gabriela entenderam que era chegado o momento de buscar novos ares.
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De São Paulo para o Ceará: decisões, tarô e 3 mil quilômetros à frente
Após bater o martelo sobre a decisão de mudar de estado, veio, então, o grande desafio: escolher onde viver.
“Nossa ideia inicial era ir para a Bahia. Já tínhamos passado férias lá e nos apaixonamos pelo lugar. Mas tinha toda a questão da rede de apoio. Lá na Bahia não conhecemos ninguém. Já aqui no Ceará temos alguns conhecidos e algumas referências”, explica Gabriela.
Para ajudar nessa escolha crucial, o casal recorreu ao lendário tarô. “A gente jogou cartas para decidir entre Bahia e Ceará; saiu Ceará. Depois jogamos para saber se deveríamos morar em Fortaleza ou no Eusébio; deu Eusébio”, relata Thaís.
Destino sacramentado, veio a mudança. Em fevereiro de 2023, depois de 3 mil quilômetros percorridos de carro em 3 dias de viagem, a família estava finalmente em solo cearense e ali começava uma nova jornada.
Uma nova realidade no Ceará: adaptação, medos e apoios
Gabriela Gavioli é paulistana, do signo de câncer e se descreve como uma pessoa criativa, comunicativa, que ama cozinhar e ouvir Taylor Swift.
Thais Olardi é de escorpião, nasceu em Guarulhos, na Grande São Paulo. Ela se apresenta como uma pessoa intensa, curiosa e apreciadora dos pagodes dos anos 1990.
Elas se conheceram em 2019 durante um simpósio de obstetrícia, em São Paulo. Naquela época, Gabriela, mãe do Bernardo e do Miguel, estava em processo de divórcio do então marido. Em 2020, durante a pandemia de Covid-19, elas resolveram morar juntas e ali construir uma nova família.
Mesmo após o divórcio, Gabriela mantém uma relação de amizade com o ex-marido. Por parte dos filhos, o carinho e o amor são parte primordial da conexão deles com a madrasta, Thais.
Como a vida em São Paulo apresentava mais contras do que prós e a mudança já era dada como certa, após o deslocamento para o Ceará, veio o processo de adaptação à nova realidade, que durou quase 1 ano. Dentro desse processo estava o medo.
Em publicação no Instagram, elas relatam que um dos medos de viver em um novo lugar foi a aceitação de um casal homoafetivo por parte dos moradores locais.
Entretanto, Gabriela diz que, ao chegarem ao Ceará, elas contaram com o apoio de outras pessoas que haviam passado por esse processo migratório e de instituições religiosas que acolhem pessoas LGBTQIAP+.
Pouco a pouco a família foi se permitindo, não só conhecer, mas explorar e ser parte do Ceará.
Da panelada ao "pratim", a culinária cearense faz sucesso nas redes sociais d'As Nenas
Para Gabriela e Thais, uma das melhores características do Ceará é a culinária. Seja pão de coco, bolo mole, bruaca ou feijão verde, cada prato é uma descoberta. Mas a iguaria que chegou para ficar no cardápio da família foi o famoso pratinho.
Arroz ou baião, paçoca e salada acompanhados de creme de galinha ou vatapá. A receita do pratinho soa familiar para um cearense, mas as Nenas o definem como um verdadeiro patrimônio cultural alimentício.
Em vídeo compartilhado no Instagram no dia 7 de fevereiro, Gabriela e Thais narram como foi a experiência de comer pratinho pela primeira vez. A publicação já ultrapassou a marca de 1 milhão de visualizações e mais de 52 mil curtidas.
Nos comentários o que não faltam são cearenses expressando o amor pela iguaria e paulistas se questionando o porquê que vende pratinho em São Paulo.
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Ao O POVO, Gabriela destaca que os sabores são o grande diferencial. A união de texturas antagônicas como a da paçoca e a do creme de galinha e a utilização de diversos tipos de temperos agregam importância e singularidade à gastronomia local.
Já Thais salienta o quão únicas são a criatividade e a autenticidade da culinária do Ceará. Ela cita o exemplo da panelada, onde há a utilização de ingredientes não tão comuns na gastronomia paulista, mas que são encontrados em abundância na cozinha cearense.
Você sabe qual a origem da panela?
Em entrevista ao O POVO em abril de 2018, o professor José Arimatea Bezerra, do curso de Gastronomia da Universidade Federal do Ceará (UFC), explica que a origem da panelada remonta aos tempos coloniais. Naquela época, os novos habitantes do Brasil recorriam às vísceras dos animais como forma de minimizar e evitar a fome.
O docente ainda diz que o prato existe em outros estados do Nordeste, mas é no Ceará que a panelada ganha relevância e destaque. “Onde há cearenses, há panelada sendo limpa e cozida”, ressalta José Arimatea.
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Descobrindo e mostrando ao mundo o que há de bom no Ceará: o perfil @dasnenas
Gabriela conta que a ideia de compartilhar as vivências no Ceará surgiu enquanto filmavam momentos para recordação. “Quando as pessoas vão pra Irlanda elas postam a vida delas lá. Por que a gente não pode mostrar nossa vida aqui no Ceará?”, argumenta Gabriela. E assim nasceu o perfil @dasnenas .
Além das novas aventuras no Ceará, Gabriela e Thais também compartilham dicas de sustentabilidade e vida saudável além, é claro, das pequenas conquistas diárias desta nova etapa da vida do casal.
Em determinado momento da entrevista ao O POVO, Gabriela diz que “a vida é feita de experimentações e novas descobertas”. Estas poucas palavras definem como tem sido a vida de Thais Olardi, Gabriela Gavioli e seus dois filhos, Bernardo e Miguel, em terras cearenses.