Ex-babá brasileira é presa nos EUA por homicídio; tudo que se sabe

Ex-babá brasileira colabora com Justiça em caso de duplo homicídio nos EUA

Juliana Peres Magalhães está presa acusada de integrar plano para matar patroa. Ex-patrão enfrenta júri e pode pegar prisão perpétua
Atualizado às Autor Izabele Vasconcelos Tipo Notícia

O caso envolvendo a ex-babá brasileira Juliana Peres Magalhães voltou a ganhar destaque com o início do julgamento de Brendan Banfield, na Virgínia, nos Estados Unidos.

O ex-agente da Receita Federal é acusado de planejar, ao lado da então au pair, o assassinato da própria esposa e de um homem atraído para uma emboscada. O crime ocorreu em fevereiro de 2023 e segue cercado de detalhes chocantes.

Juliana atuava como babá da família Banfield desde o fim de 2021 e conheceu Brendan Banfield durante o período em que trabalhava na casa. Meses depois, segundo a acusação, os dois iniciaram um relacionamento extraconjugal que teria evoluído para um plano criminoso.

Relação extraconjugal e acusação de conspiração

De acordo com os promotores, Brendan Banfield e Juliana Peres Magalhães mantinham um caso amoroso desde agosto de 2022.

No outono daquele ano, Banfield teria passado a manifestar o desejo de “se livrar” da esposa, Christine Banfield, e começou a planejar o crime com a babá.

A acusação afirma que o plano envolvia jogos sexuais, idas a um estande de tiro para treinar o uso de armas e a criação de uma falsa narrativa de legítima defesa. A intenção seria matar Christine e incriminar um terceiro, fazendo parecer que o homem havia invadido a casa.

Como o crime aconteceu, segundo a investigação

Em 24 de fevereiro de 2023, chamadas para o serviço de emergência 911 partiram da residência da família Banfield, em Herndon, na Virgínia.

Em uma delas, Brendan afirmou que havia atirado em um homem que esfaqueou sua esposa. A polícia, no entanto, não encontrou sinais de arrombamento.

No andar superior da casa, os agentes localizaram Christine Banfield, de 37 anos, com ferimentos de faca, e Joseph Ryan, de 39, morto a tiros. Christine chegou a ser levada ao hospital, mas não resistiu.

Ryan, segundo a acusação, foi atraído à casa após contato em uma rede social voltada a fetiches sexuais.

Papel da ex-babá e confissão em juízo

Juliana Peres Magalhães foi presa em outubro de 2023 e inicialmente acusada de homicídio doloso e porte ilegal de arma. Um ano depois, em outubro de 2024, ela se declarou culpada de homicídio culposo pela morte de Ryan, após um acordo judicial.

No depoimento, a brasileira afirmou que Banfield criou uma conta em nome da esposa em um site sexual e atraiu Ryan para um suposto encontro consensual. Segundo Juliana, o plano previa que Ryan fosse morto e responsabilizado pelo assassinato de Christine.

Ela admitiu ter atirado em Ryan após perceber que ele ainda se movia.

“Eu não conseguia mais guardar a vergonha, a culpa e a tristeza”, declarou Juliana em tribunal. Em troca da confissão, ela concordou em cooperar com a promotoria e pode ser condenada apenas ao tempo de prisão já cumprido.

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Foto encontrada e novas provas do relacionamento

Durante a investigação, policiais retornaram à casa meses após o crime e encontraram, na mesa de cabeceira do quarto do casal, uma foto emoldurada de Brendan Banfield sorrindo ao lado de Juliana. A imagem passou a integrar o processo como indício do relacionamento entre os dois.

Os promotores também afirmam que Banfield ensinou a babá a atirar e comprou uma arma para ela semanas antes do crime. No dia do assassinato, a filha do casal, então com quatro anos, foi colocada no porão enquanto o plano era executado.

Julgamento de Banfield e possíveis condenações

Brendan Banfield se declarou inocente das acusações de homicídio qualificado e porte ilegal de arma de fogo. Ele está preso sem direito a fiança e pode ser condenado à prisão perpétua caso seja considerado culpado. O julgamento deve durar cerca de quatro semanas.

Além das acusações de homicídio, Banfield também responde por abuso infantil e crueldade contra criança, devido à presença da filha na casa no momento dos assassinatos. Juliana será sentenciada somente após o fim do julgamento do ex-amante, dependendo do nível de cooperação com as autoridades.

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