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Brasil
NOTÍCIA

Aumentam espécies classificadas como ameaçadas de extinção no Brasil

Pesquisa do IBGE divulgada nesta quinta-feira, 5, aponta que fauna e flora brasileira têm 3.298 espécies em ameaça de extinção

Lais Oliveira
10:51 | 05/11/2020
Onça pintada (Panthera onca (Linnaeus, 1758) é classificada como
Onça pintada (Panthera onca (Linnaeus, 1758) é classificada como "Vulnerável" em relação ao risco de extinção. (Foto: WWF / AFP)

De 2010 a 2018, houve um crescimento de espécies classificadas como ameaçadas de extinção no Brasil, com as maiores alterações observadas entre 2010 e 2014. Na fauna e na flora brasileira são 3.298 espécies em ameaça de extinção, segundo a pesquisa “Contas de Ecossistemas: Espécies ameaçadas de extinção no Brasil 2014”, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira, 5.

Considerando apenas grupos de espécies de ambiente terrestre, por exemplo, entre 2010 e 2014, observou-se a adição de uma espécie na categoria “Criticamente em Perigo” e, entre 2014 e 2018, uma espécie na categoria “Em Perigo” e outra espécie na categoria “Vulnerável”. Todas as três categorias consideram ameaças de extinção.

Conforme o IBGE, esses dados demonstram que os avanços no conhecimento podem resultar na categorização de espécies antes consideradas desconhecidas diretamente para categorias de alto risco de extinção.

Considerando a fauna avaliada, há 1.181 espécies ameaçadas de extinção, entre anfíbios, mamíferos, aves, invertebrados aquáticos, invertebrados terrestres, peixes continentais, peixes marinhos e répteis. Esse número abrange 319 espécies na categoria “Criticamente em Perigo” (2,65%), 408 na categoria “Em Perigo” (3,39%), e 454 na categoria “Vulnerável” (3,77%).

Já sobre a flora avaliada, são contabilizadas 2.117 espécies em ameaça de extinção, sendo 468 espécies na categoria “Criticamente em Perigo” (10,14%), 1.148 na categoria “Em Perigo” (24,86%), e 501 na categoria “Vulnerável” (10,85%), no que diz respeito à ameaça de extinção.

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Índice da Lista Vermelha

 

Para avaliar as variações em relação ao risco de extinção das espécies ao longo dos anos, a pesquisa utiliza o Índice da Lista Vermelha (ILV). Os valores do ILV variam de 0% a 100% e são como uma proporção do número de espécies em cada categoria de risco de extinção (com pesos maiores para categorias de maior risco) em relação a um cenário ideal em que todas as espécies avaliadas estão na categoria "Menos Preocupante".

Dessa forma, um valor do ILV igual a 100%, por exemplo, equivale a todas as espécies sendo categorizadas como "Menos Preocupantes". Ou seja, não se espera que nenhuma seja extinta no futuro próximo. Enquanto isso, um valor do ILV igual a 0% indica que todas as espécies foram extintas.

Em outro cenário, um valor do ILV constante, ao longo do tempo, indica que o risco geral de extinção para o grupo é constante. Portanto, quanto menor o valor do ILV, mais próximo o conjunto de espécies está da extinção.

Ao analisar a evolução do ILV entre 2010 e 2018 no estudo do IBGE, nota-se que as espécies da maioria dos grupos (anfíbios, aves, mamíferos e corais) evidencia um aumento do risco de extinção. A exceção, segundo a pesquisa, é para os mamíferos marinhos presentes na porção marinha do Sistema Costeiro-Marinho e no mar territorial das ilhas oceânicas.

A análise mostrou ainda que o grupo com a maior deterioração no estado de conservação no período foi o das aves do bioma Amazônia, com uma redução do ILV de mais de 2 pontos percentuais.

Conforme a pesquisa, essa variação é preocupante, pois esse é o grupo mais bem estudado, com maiores esforços de reavaliação, e pode ser considerado um bom indicador das tendências no estado de conservação geral da biodiversidade.

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Avaliações nacionais


Hoje são reconhecidas no Brasil 49.168 espécies de plantas e 117.096 espécies de animais, e de acordo com estimativas de 2018 do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) o número de espécies animais deve ultrapassar 137 mil.

Desse total, o Centro Nacional de Conservação da Flora do Jardim Botânico do Rio de Janeiro (CNCFlora/JBRJ) realizou, até 2014, a avaliação de 4.617 (11%) espécies da flora, e o ICMBio avaliou 12.262 (10%) espécies da fauna.

Entre as espécies da flora avaliadas em 2013, 407 já foram reavaliadas desde então, entre elas a maioria das espécies de árvores. Em relação à fauna, todas as espécies descritas do grupo dos vertebrados são avaliadas a cada ciclo completo de avaliação, de aproximadamente cinco anos.


Novas espécies

 

O estudo do IBGE revelou também que os grupos que registraram os maiores acréscimos de novas espécies incluídas nas avaliações foram os de aves, mamíferos e anfíbios, com adições de 113, 1 e 18 espécies, respectivamente, entre 2010 e 2014; e 163, 64 e 2 espécies, respectivamente, entre 2014 e 2018.

Dentre as adições de espécies avaliadas pela primeira vez, destaca-se o roedor Juscelinomys candango, considerado extinto na sua avaliação em 2017. A espécie foi registrada uma única vez, em 1960, durante as obras de construção da Cidade de Brasília, onde hoje se encontra o Jardim Zoológico de Brasília, porém, nunca mais foi registrada, o que levou à sua categorização como extinta pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, sigla em inglês). Na avaliação nacional, a espécie é categorizada como "Criticamente em Perigo" (possivelmente extinta).

Grupos com maior risco

 

Entre os grupos da fauna com os maiores números de espécies categorizadas como "Criticamente em Perigo" ou "Em Perigo" - duas classificações consideradas como ameaçadas de extinção -, estão os peixes continentais, que representam 31,66% e 27,45% do total dessas duas categorias, respectivamente; e os invertebrados terrestres, que totalizam 26,02% e 19,85%, respectivamente.

Os peixes continentais classificados nessas categorias de ameaça estão majoritariamente distribuídos nos biomas Mata Atlântica, Cerrado e Amazônia; e os invertebrados terrestres, nos biomas Mata Atlântica, Cerrado e Caatinga.

Dentre os grupos com os maiores números de espécies na categoria "Vulnerável" - também inclusa como ameaçada de extinção -, destacam-se as aves e os peixes continentais, representando 26,65% e 22,03% do total dessa categoria, respectivamente. Observa-se que as aves categorizadas como "Criticamente em Perigo" estão majoritariamente distribuídas nos biomas Mata Atlântica e Pantanal.

As espécies da fauna e da flora categorizadas como "Criticamente em Perigo", "Em Perigo" ou "Vulnerável" estão presentes majoritariamente nos ambientes terrestre e aquático de água doce nos biomas Mata Atlântica e Cerrado.

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Espécies extintas

 

Do total de espécies avaliadas, 10 foram classificadas como extintas, sendo elas:

Aves (6) - Maçarico-esquimó (Numenius borealis), Gritador-do-nordeste (Cichlocolaptes mazarbarnetti), Limpa-folha-do-nordeste (Philydor novaesi), Peito-vermelho-grande (Sturnella defilippii), Arara-azul-pequena (Anodorhynchus glaucus), e Caburé-de-pernambuco (Glaucidium mooreorum);

Anfíbios (1) - Perereca-verde-de -fímbria (Phrynomedusa fimbriata);

Mamíferos (1) - Rato-de-Noronha (Noronhomys vespuccii);

Peixes marinhos (2) - Tubarão-dente-de-agulha (Carcharhinus isodon), e Tubarão-lagarto (Schroederichthys bivius)