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Coronavírus
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Por que ainda é preciso usar máscara depois da vacinação ou de contrair a Covid-19

Especialistas explicam por que o Brasil está longe de deixar uso de máscaras e reforçam a importância do equipamento de proteção facial para o enfrentamento da pandemia de Covid-19

Lais Oliveira
15:08 | 11/06/2021
Máscaras evitam transmissão do coronavírus e ainda são necessárias no País (Foto: Unplash) (Foto: UNPLASH)
Máscaras evitam transmissão do coronavírus e ainda são necessárias no País (Foto: Unplash) (Foto: UNPLASH)

Com uma vacinação lenta e alta circulação viral, ainda será preciso usar máscara por bastante tempo no Brasil, segundo especialistas. A máscara facial é o equipamento de proteção individual mais importante para diminuir a transmissão do coronavírus. Mesmo quem se vacinou precisa usar o acessório, porque nenhuma vacina tem 100% de proteção e existem pessoas assintomáticas. Além disso, quem foi infectado pela Covid-19 pode pegar a doença novamente. 

Quase metade das pessoas com o coronavírus não apresenta nenhum sintoma, conforme o médico infectologista Celso Granato, diretor clínico do grupo Fleury. Isso significa que a pessoa infectada pelo Sars-CoV-2 pode transmitir a doença sem saber.  "A máscara tem dois objetivos. Um é você se proteger, se você não tá infectado, aquele ar que você respira é filtrado pela máscara e você não se contamina. Se você está contaminado e não percebeu, ela evita que você jogue o vírus pro meio ambiente", explicou em entrevista à Rádio O POVO CBN nesta sexta-feira, 11.

O infectologista  considera imprudente o anúncio do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) de pedir um estudo ao Ministério da Saúde sobre a desobrigação do uso de máscara no País por quem já foi vacinado ou contraiu o coronavírus. Embora a vacina ajude a evitar o quadro grave da doença, pessoas vacinadas ainda podem transmitir o vírus.

A epidemiologista Lígia Kerr, professora do Programa de Pós-Graduação em Saúde Pública da Universidade Federal do Ceará (UFC), concorda que não há fundamento desobrigar o uso de máscara no Brasil no momento atual. "Ainda tem o fato de que estamos suscetíveis a cepas novas que podem passar, inclusive, por cima da imunidade de pessoas vacinadas. São várias as razões para a gente não parar de usar máscara", reforça.

A especialista lembra que os países onde o não uso de máscara foi liberado tiveram de alcançar taxas elevadas de imunização antes.  Em 18 de abril, Israel suspendeu a obrigatoriedade de máscaras ao ar livre. À época, cerca de 81% dos cidadãos e residentes com mais de 16 anos tinha recebido as duas doses da vacina. 

Pouco depois, no dia 27 de abril, os Estados Unidos relaxaram as recomendações do uso de máscaras ao ar livre para pessoas que receberam as duas doses da vacina contra a Covid-19. O país tinha 50,4% de todos os adultos vacinados com pelo menos uma dose do imunizante. A campanha de vacinação nos EUA e em Israel começou ainda em dezembro de 2020, enquanto o Brasil deu início à imunização em janeiro. (Com informações da Agência DW)

8 motivos para não deixar de usar máscara:

  • Pessoas vacinadas ainda podem transmitir o vírus, mesmo sem apresentar os sintomas;
  • Nenhuma vacina apresenta 100% de proteção;
  • Existem pessoas assintomáticas que podem transmitir o vírus sem apresentar sintomas;
  • A vacinação em massa é recente no mundo, não se sabe ainda quanto tempo dura a imunidade de pessoas vacinadas;
  • Há risco de surgimento de novas cepas do coronavírus que podem driblar a proteção das vacinas;
  • Existe possibilidade de reinfecção pela Covid-19 comprovada, isto é, pessoas que já contraíram a doença podem ser infectadas de novo;
  • A ciência já provou que máscaras reduzem transmissão do coronavírus. O equipamento deve proteger a boca e o nariz;
  • A vacinação no Brasil é lenta. Países que desobrigaram o uso da máscara (Estados Unidos e Israel) já tinham taxas significativas de vacinados.

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Quando será possível desobrigar o uso de máscara?

A suspensão da obrigatoriedade do uso de máscaras ainda está distante para os brasileiros. De acordo com o consórcio da imprensa, o Brasil tinha 11,1% da população vacinada com a segunda dose até essa quinta-feira, 10, totalizando 23,5 milhões de pessoas.

Já vacinados com a primeira dose representavam somente 24,93% da população total. "Alguns pesquisadores estimam que o Brasil pode chegar até 2023, se continuar no ritmo atual, sem conseguir vacinar uma parte importante da população, em torno de 70% a 80%", pondera a epidemiologista Lígia Kerr.

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Países que vacinaram a população em massa estão obtendo resultados que comprovam a eficácia da vacinação. Contudo, a vacina não é uma ferramenta perfeita, atenta o infectologista Keny Colares, da Escola de Saúde Pública do Ceará (ESP-CE).

Também docente da Universidade de Fortaleza (Unifor), Keny explica que a proteção trazida pelo imunizante é relevante, mas ainda dá abertura para infecção com quadros em diferentes gravidades. Por isso, mesmo os países que avançaram na vacinação só podem relaxar medidas de distanciamento social e uso de máscara quando houver uma queda importante de novas infecções e óbitos. 

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"Estamos muito distantes disso. Nossa proporção de vacinados é muito baixa, temos cerca de 2 mil óbitos por dia. A gente não tem a menor condição racional de discutir a retirada dessas medidas com esses dados tão alarmantes", considera.

O infectologista ressalta que essa flexibilização só deve se concretizar com reduções drásticas dos números de novos casos e óbitos. Imagina-se que essa queda vai ocorrer com 60% a 70% da população vacinada, mas o alcance desse percentual é difícil de prever no Brasil.

"A situação do País é uma das mais dramáticas no mundo, tanto pelos piores indicadores de condução da epidemia como pelos maus resultados, que não têm feito que a coordenação nacional mude de atitude e aprenda. Existe uma insistência cada vez maior nas coisas que não deram certo", afirma.