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Coronavírus
NOTÍCIA

"Se a epidemia está acelerando, é preciso encontrar uma forma de frear", alerta médico infectologista

Em entrevista à rádio O POVO/CBN, Colares enfatizou ainda que o comportamento da população pode ser decisivo no sentido de barrar um novo aumento de casos

Lais Oliveira
10:26 | 11/12/2020
 Colares enfatizou ainda que o comportamento da população pode ser decisivo no sentido de barrar um novo aumento de casos. (Foto: Aurelio Alves/ O POVO)
Colares enfatizou ainda que o comportamento da população pode ser decisivo no sentido de barrar um novo aumento de casos. (Foto: Aurelio Alves/ O POVO)

O médico infectologista Keny Colares, do Hospital São José (HSJ), em Fortaleza, alertou nesta sexta-feira, 11, sobre a necessidade de definir medidas mais rígidas para impedir uma possível segunda onda de casos de Covid-19 no Ceará. Em entrevista à Rádio O POVO/CBN, Colares enfatizou ainda que o comportamento da população pode ser decisivo no sentido de barrar um novo aumento de casos.

“Com certeza temos que passar por uma maior rigidez na nossa proteção agora. Se a epidemia está acelerando, é preciso encontrar uma forma de frear. Estão tentando definir uma forma de fazer isso sem causar tanto dano, mas a cooperação das pessoas é fundamental, porque se crescer demais vai ter que parar tudo, mas alguma coisa certamente teremos que parar”, avaliou o também professor e pesquisador da Universidade de Fortaleza (Unifor).

O infectologista lembrou sobre os cuidados a serem tomados especialmente nas festividades de fim do ano, como Natal e Réveillon. Para Colares, atitudes como usar máscara, higienizar as mãos e manter o distanciamento social podem fazer toda a diferença para evitar um novo aumento de casos no Estado.

“A gente observa que já tem países na Europa com mais óbitos na segunda onda do que na primeira. Estamos vendo sinais de que podemos estar entrando numa segunda onda aqui [no Ceará]. Se a gente vai ter ou não, depende do nosso comportamento”, analisou.

Nessa quinta-feira, 10, o titular da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), Carlos Roberto Martins Rodrigues Sobrinho, doutor Cabeto, confirmou acréscimo no número de casos de Covid-19 "sem tanta repercussão no número de óbitos". Em Fortaleza, no entanto, já foi notado um "discreto" incremento no número de óbitos, conforme Cabeto.

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Casos de reincidência da Covid-19

 

Ainda na entrevista, Keny Colares comentou sobre casos de pessoas que testaram positivo para Covid-19 duas vezes. Ontem, 10, a Secretaria Municipal de Saúde da cidade de Tauá, no Ceará, registrou o primeiro caso de reinfecção e morte por Covid-19.

Keny Colares orientou que as pessoas que tiverem sintomas gripais semelhantes aos da doença pandêmica, mesmo que já tenham sido infectados uma vez, devem fazer o exame novamente.

Ele ainda assinalou que mesmo ainda sendo poucos os casos de reinfecção no mundo em comparação com o total de casos confirmados, não está totalmente claro acerca da possibilidade dessas ocorrências a longo prazo. Não se sabe sobre a duração da imunidade de quem já foi infectado uma vez por coronavírus.

“Se a gente olhar as doenças infecciosas como um todo, teremos várias que a pessoa pode ter mais de uma vez. Temos milhões de casos de Covid e de reinfecção ainda são poucos. Só que como a imunidade pode ir se perdendo ao longo do tempo, pode ser que esse número aumente ou não. Só o tempo vai dizer”, concluiu.

O Ceará investiga 183 casos de pessoas que testaram positivo para Covid-19 duas vezes. Destas, são 95 mulheres (52%) e 88 homens (48%), com idade média de 49 anos. Também na quinta-feira, 10, o Ministério da Saúde confirmou primeiro caso de reinfecção por coronavírus