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Análise regional, monitoramento e cautela: Fiocruz produz estudo para orientar retorno do ensino presencial

Documento produzido pela Fundação Oswaldo Cruz é assinado por 14 especialistas e busca traçar um guia com orientações sobre o retorno das atividades presenciais de ensino
00:40 | Set. 15, 2020
Autor Alan Magno
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Alan Magno Estagiário de jornalismo
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Tipo Notícia

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz),entidade brasileira de fomento e realização de pesquisas científica no Brasil, publicou nesta segunda-feira, 14, um estudo que analisa a situação da pandemia de coronavírus no país. O intuito do estudo assinado por 14 especialistas, dentre médicos, virologistas e epidemiologistas, é produzir um guia com recomendações para o governo diante do impasse do retorno das aulas presenciais.

A pesquisa foi coordenada pela Vice-Presidente de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde da Fiocruz, Patrícia Canto e destaca o cenário epidemiológico brasileiro, a situação da rede de atendimento aos infectados pela Covid-19, bem como faz um paralelo com as médias nacionais e internacionais de transmissão do vírus e óbitos pela nova doença.

O objetivo é reunir evidências científicas que possam guiar as decisões do Governo Federal e das gestões municipais e estaduais na retomada das atividades de ensino em sistema presencial. Dentre as questões destacadas na pesquisa estão a necessidade de uma análise regional e específica de cada região antes da liberação do retorno às escolas, já que, conforme o levantamento, a pandemia se desenvolve em estágios distintos nas diversas regiões do Brasil.

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“O documento destaca a necessidade de articulação, em cada território, dos serviços públicos da educação, saúde e assistência social para que sejam construídos, com a participação da população, os devidos diagnósticos”, explicou Patrícia em divulgação do estudo. Ela pondera que somente essa análise conjunta poderá ser capaz de gerar um plano seguro de retorno das atividades escolares presenciais.

PROTOCOLOS DE SEGURANÇA

O estudo pondera ainda, ao fazer uma comparação com países como Itália e França que apresentaram uma segunda onda de transmissão após a reabertura das escolas, que o indicado é pensar um retorno após a consolidação de um índice de transmissão do vírus (R) abaixo de 0,5. Ou seja, quando cada pessoa infectada pelo Covid-19 esteja com capacidade de transmitir a doença para menos de uma pessoa.

Uma marca que levou meses com taxas de morte diárias com acima de mil ocorrências, conforme frisou a pesquisa. Medidas como distanciamento social mínimo de 2m, higienização constante e reforçada dos ambientes e das mãos, bem como utilização de ventilação natural e demais mecanismos a fim de prevenir o novo coronavírus são apresentados pela pesquisa como indispensáveis.

A total eficiência dos métodos para assegurar 100% de segurança no retorno do ano letivo presencial porém é questionada pela pesquisa, que aponta a vacina como única forma de se alcançar segurança total diante do vírus. Porém, apesar das indagações, e de reconhecer que o retorno das escolas não será totalmente seguro, ainda que outras adaptações sejam implementadas nas instituições, o estudo destaca as escolas como essencial no enfrentamento à pandemia e pede cautela na análise dessa questão.

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“A escola é um agente estratégico para a promoção da saúde e prevenção de possíveis agravos”, ponderou patrícia ao pontuar que por meio de ações educativas nas escolas, poderiam ser alcançados mudanças comportamentais que gerariam uma nova frente de cuidados diante desta e de eventuais outras pandemias.

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Diante das análises, o estudo pondera que não há um “momento certo e seguro” para o retorno do ensino presencial sem uma vacina, mas considera o retorno do ensino presencial cada vez mais inevitável, tendo em vista a reabertura de diversos outros setores da sociedade. A pesquisa critica ainda a idealização de planos de retorno para academias, clubes e bares antes de políticas públicas voltadas para a educação.

MONITORAMENTO E ADAPTAÇÕES

O estudo destaca ainda que antes de um eventual retorno, este deve ser pensado de maneira gradual, com turmas menores e rodízio de alunos. Um sistema “rígido e meticuloso” de vigilância sanitária deve ser instaurado em todas as instituições de ensino diante do retorno das ações presenciais. De acordo com a pesquisa, além de uma possível testagem em massa da classe educacional, todos deverão ser submetidos a isolamentos diante de qualquer suspeita, ou contato com um casos suspeito, ou alguém que teve contato com um paciente suspeito de estar infectado com a Covid-19.

O tempo de isolamento varia entre 10 até 14 dias, dependendo do grau de exposição e frisa ainda que as unidades governamentais deverão ser obrigadas a fornecer testes moleculares em estoque para que seja feito a investigação e rastreio de possíveis focos de transmissão do vírus dentro das instituições de ensino.

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A pesquisa sugere ainda que diante deste retorno gradual, deverá ser feito uma pesquisa de condições de implementação de um sistema misto de ensino, com objetivo de reduzir o tempo e a exposição dos alunos, professores e demais profissionais que trabalham em tais instituições. A ideia é assegurar que todos possam dar continuidade ao ano letivo, seja pelo ensino remoto ou diante de um retorno presencial.

Mudanças comportamentais de funcionários, definição de orçamento específico para ações contra Covid-19 dentro dos domínios da escola, adaptações nas metodologias de ensino, bem como atividades lúdicas também são orientações da Fiocruz. Aferição da temperatura para além da entrada e saída dos alunos, bem como reorganização dos horários das turmas de modo que elas interajam menos entre si completam a lista de indicações da entidade. A pesquisa completa pode ser acessada, aqui.


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