Bolsonaro deve fazer discurso em TV e rádio contra o isolamento social
Segundo apuração do jornal O Estado de S. Paulo, o presidente da República pretende reforçar o discurso em prol da retomada das atividades econômicas mesmo antes do ápice da crise sanitária do coronavírus
Em meio a mais uma crise política autoinfligida, com a exoneração do ministro da Saúde Nelson Teich às vésperas do ápice da pandemia de coronavírus no Brasil, o presidente da República Jair Bolsonaro pretende fazer um pronunciamento que promete acirrar ainda mais os ânimos da Nação. De acordo com apuração do jornal O Estado de São Paulo, o chefe Executivo federal planeja fazer novo discurso em rede nacional de TV e rádio e desta vez o objetivo é novamente defender a reabertura total do comércio no Brasil. Até a noite desta sexta-feira, 15, o pronunciamento não foi gravado e o discurso teria ainda de passar por revisão do ministro da Economia, Paulo Guedes, segundo Bolsonaro revelou na reunião, de acordo com o jornal.
Nas últimas semanas, Bolsonaro já tentou minar as ações de enfrentamento à pandemia em estados e municípios ao incluir primeiro construção e indústrias, depois salões de beleza, barbearias e academias no rol de atividades essenciais — que, portanto, teriam salvaguarda para abrir mesmo durante um lockdown. Entretanto, o decreto teve efeito mínimo, já que o Supremo Tribunal Federal (STF) já havia garantido a prefeitos e governadores a autonomia sobre decisões de restrição de locomoção durante a crise sanitária. Em seguida, ex-capitão criticou os demais chefes do Executivo por pensarem diferente dele.
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A intenção de exibir vídeo defendendo a reabertura do comércio foi revelada pelo próprio Bolsonaro durante reunião virtual com empresários nessa quinta-feira — encontro esse que chegou a ser interrompido por motivo inusitado. Neste sexto discurso desde o início da crise, Bolsonaro deve defender mais uma vez um "isolamento vertical" — em que apenas idosos, doentes e demais grupos de risco são destacados, com o restante retomando atividades. O argumento principal é de que a crise econômica causada, segundo o presidente, pelo isolamento social, seria mais dura que a perda de dezenas de melhores de brasileiros para a Covid-19.