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Medicamentos contra HIV curam paciente com coronavírus na Espanha

Hospital de Sevilha utilizou um tratamento experimental contra o SARS-CoV-2, em paciente de 62 anos, combinando os antivirais lopinavir e ritonavir e o interferon beta, usados como tratamento contra a aids

00:00 | 29/02/2020
Médicos do hospital Virgen del Rocío de Sevilla, na Espanha realizaram um tratamento experimental contra o coronavírus
Médicos do hospital Virgen del Rocío de Sevilla, na Espanha realizaram um tratamento experimental contra o coronavírus (Foto: JOSÉ MANUEL PÉREZ CABO)

Médicos do Hospital Virgen del Rocío, de Sevilha, no sul da Espanha, realizaram um tratamento baseado em medicamentos usados contra o vírus HIV-aids para tratar o primeiro paciente espanhol contaminado com o coronavírus SARS-CoV-2. O idoso de 62 anos apresentou melhoras após receber aplicação de lopinavir/ritonavir, também usado para combater infecções pelo HIV, junto ao interferon beta, uma proteína que ajuda as células a se protegerem da infecção, de acordo com informações do jornal El País. 

“É um tratamento experimental que deu bons resultados frente a outros vírus”, disse Albert Bosch, presidente da Sociedade Espanhola de Virologia ao jornal espanhol. “Uma de suas maiores vantagens é que são fármacos aprovados e utilizados em outras indicações, por isso não há dúvidas sobre sua segurança”, acrescenta.

De acordo com Santiago Moreno, chefe de doenças infecciosas do Hospital Ramón y Cajal (Madri), a protease do SARS-CoV-2 se parece muito com a do HIV, e essa enzima é fundamental para que o vírus possa se replicar. “A combinação de lopinavir e ritonavir a inibe e bloqueia o HIV”, disse o médico ao El País. “Os resultados que conhecemos até agora sobre seu uso contra o coronavírus são animadores”, afirma.

O uso de lopinavir/ritonavir junto ao interferon beta é um dos tratamentos de “uso compassivo experimental” aprovados pelo Ministério da Saúde da Espanha. Essas terapias podem ser solicitadas quando não existirem alternativas terapêuticas disponíveis, habitualmente em doenças graves ou potencialmente letais.

Os bons resultados obtidos no Hospital Virgen do Rocío no paciente de 62 anos são notáveis devido ao recente surgimento da Covid-19 e porque oferece uma nova evidência clínica. O caso, porém, é isolado não significa que possa ser utilizado em outros doentes, nem que obtenha o mesmo resultado.