Recife: Câmara rejeita pedido de impeachment de João Campos

Câmara do Recife rejeita pedido de impeachment contra João Campos

Segundo o autor da solicitação, o prefeito da capital pernambucana teria nomeado ilegalmente um candidato de concurso para procurador em vagas afirmativas

O pedido de impeachment do prefeito do Recife, João Campos (PSB-PE), foi rejeitado pela Câmara de vereadores. Os parlamentares realizaram votação que interrompeu o trâmite do pedido. Foram 25 votos contrários, nove favoráveis e uma abstenção. A solicitação de afastamento foi protocolada pelo vereador Eduardo Moura (Novo-PE).

De acordo com o autor, o gestor municipal teria nomeado um candidato que, inicialmente, havia ficado em 63º lugar num concurso para a Procuradoria-Geral do Município, realizado em 2022. Dois anos depois, o candidato solicitou reclassificação, para vagas afirmativas e apresentou laudo de Transtorno do Espectro Autista (TEA).

O pedido de reclassificação foi negado, de forma sucessiva, por três procuradoras concursadas do município, por meio de pareceres técnicos. No entanto, em 20 de dezembro de 2025, o procurador-geral do município, Pedro Pontes, reverteu as decisões e aceitou o pedido, garantindo a nomeação do candidato.

O centro da denúncia é a nomeação de Lucas Vieira da Silva. Ele é filho de Maria Nilda Silva, procuradora do Ministério Público de Contas junto ao Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE), e de Rildo Vieira da Silva, juiz titular de uma vara responsável por investigar crimes contra a administração pública.

Após a repercussão, João Campos anulou a nomeação. Apesar disso, o pedido de impeachment foi protocolado. Segundo o relatório de Eduardo Moura, de mais de 480 páginas, o prefeito cometeu crime de responsabilidade e improbidade administrativa.

Na liderança do governo de Campos, o vereador Samuel Salazar (MDB-PE) defendeu o gestor e declarou que havia base legal na decisão. Ao desqualificar o pedido de impeachment, o vereador alegou que a tentativa de afastamento "é completamente vazia".

Manifestações e protestos

O caso gerou repercussão dentro e fora da Câmara. Internamente, apoiadores de João Campos protestaram contra o autor da solicitação de afastamento. Faixas e palavras de ordem foram proferidas contra a oposição e a favor do gestor.

Aliados do prefeito também criticaram a única abstenção na votação, da vereadora Jô Cavalcanti (Psol-PE). Gritos de "covardia" e "tá arregando" foram direcionados a ela, que não se posicionou diante da votação.

Em frente ao Plenário, dezenas de opositores ao prefeito foram se manifestar a favor do impeachment. Alguns cartazes pediam a aprovação da tramitação do processo, dizendo "investigação sim, impunidade não".

A maior parte dos votos - 25 de 37 vereadores - foi favorável ao arquivamento do processo e a não investigação do prefeito.

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