PL deve deixar para a véspera das eleições decisão sobre palanque no Ceará
Partido de Bolsonaro suspendeu negociação com Ciro após críticas de Michelle. Aliados do ex-ministro ainda contam com o apoio do PL a uma chapa de oposição
20:42 | Jan. 26, 2026
O PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, deixará para a véspera das eleições a decisão sobre compor um palanque estadual no Ceará. “[O apoio no] Ceará só mais à frente, sob o comando do presidente estadual do partido, André Fernandes”, disse à CNN o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto.
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No Estado, o PL estava em negociações com o ex-presidente Ciro Gomes (PSDB) para uma candidatura da oposição ao governo Elmano de Freitas (PT). Contudo, após insatisfação da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), o partido suspendeu a articulação.
Já a declaração de Valdemar ocorre dias após o ex-ministro ser questionado sobre a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República e responder da seguinte maneira:
“Por que eu apoiaria um camarada que não é do meu partido? O PSDB vai, nacionalmente, tomar posição. O União Brasil vai, nacionalmente, tomar posição. Então, quando tiver nessa hora, a gente conversa”, disse na sexta-feira, 22, em entrevista coletiva.
Entenda
Ciro é um dos principais críticos do PT no Ceará. Desde as eleições municipais de 2024, ele se aproximou de nomes da oposição como André Fernandes. Já no fim de 2025, o ex-ministro esteve no centro de um desentendimento protagonizado por nomes da sigla bolsonarista.
Em passagem pelo Ceará durante o evento de lançamento de candidatura do senador Eduardo Girão (Novo), Michelle deu um “puxão de orelha” no PL Ceará por conta da aproximação com Ciro.
Na ocasião, a ex-primeira-dama citou nominalmente Fernandes e disse que, apesar do “orgulho” que sentia por ele, não seria viável apoiar uma pessoa que já criticou Bolsonaro. O dirigente partidário, por sua vez, ressaltou que a aliança era construída desde o segundo turno das eleições de 2024 e tinha o aval do ex-presidente.
Os três filhos de Bolsonaro criticaram a atitude de Michelle. Para Flávio, a ex-primeira-dama teria “atropelado” a articulação do diretório cearense e agiu de forma “autoritária e constrangedora”. Depois, em outra declaração, o senador também afirmou que contou sobre a situação ao pai e disse que se desculpou com a madrasta.
Após uma reunião da cúpula nacional do PL em Brasília, Fernandes anunciou que as negociações com Ciro Gomes estavam suspensas por tempo indeterminado e isso teria sido motivado, principalmente, por um “ruído de comunicação” interno e pelo impacto da restrição de comunicação com Bolsonaro, preso pela trama golpista.
No início deste mês, em entrevista ao O POVO, o deputado federal cearense Dr. Jaziel (PL) disse que o PL Ceará espera por uma posição oficial de Ciro para tratar sobre a chapa de oposição no Estado: “A gente está esperando o Ciro se lançar, também”.
Segundo o parlamentar, o PL ainda analisará a questão sobre o apoio a uma eventual pré-candidatura de Ciro e também espera um aval nacional para o momento certo de anunciar a posição.
Aliados de Ciro ainda contam com apoio do PL
Deputados aliados de Ciro reforçam a esperança de que o PL apoie a candidatura do ex-ministro. Cláudio Pinho (PDT) disse confiar que o grupo de Ciro e os aliados bolsonaristas devem caminhar juntos em 2026. “O PL deve continuar na frente de oposição no Ceará. Ciro Gomes fortalece a candidatura do PL ao Senado”, argumentou.
Apesar da suspensão das negociações, Ciro continua a se reunir com deputados do PL cearense, sinalizando reaproximação. Após a suspensão da aliança, ele já apareceu em fotos com Matheus Noronha (federal); Dr Jaziel (federal); Dra. Silvana (estadual).
Sobre a relação, o deputado Felipe Mota (União Brasil) disse que a oposição continua acreditando que o PSDB, a federação União-PP e o PL estarão “mais juntos do que nunca” na disputa no Ceará.
“A suspensão partiu de lá, do PL. Temos a melhor relação. A deputada Silvana e o deputado Jaziel continuam se aproximando. A porta está aberta para todos. Ora, se eu tenho esperança de que partidos da base de governo estejam conosco daqui a dois meses, para quê vou fechar portas? Não existe isso”, declarou o parlamentar cearense.