CPMI do INSS: após críticas de Malafaia, Damares revela igrejas e líderes religiosos citados
A senadora afirmou que grandes igrejas foram apontadas na CPMI e tem requerimentos para aprofundar as investigações. O pastor Silas Malafaia a chamou de "leviana"
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) publicou, na quarta-feira, 14, uma lista com nomes de igrejas e religiosos investigados na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS. A divulgação dos nomes ocorreu após críticas e cobranças do pastor Silas Malafaia, aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), direcionadas à senadora.
No último domingo, 11, Damares afirmou no programa SBT News que a CPMI chegou em lugares que os senadores não imaginavam e que foi identificada a participação de igrejas nos esquemas de fraude do INSS. “Vou falar algo aqui que me machuca muito. Nós estamos identificando igrejas nos esquemas de fraudes aos aposentados", declarou.
A senadora continuou: "Aí, quando se fala de um grande pastor, vem a comunidade: ‘não falem, não digam, não investiguem, porque os fieis vão ficar muito tristes’. Então, essa CPMI está chegando em lugares que a gente jamais imaginava. Grandes igrejas no Brasil estão sendo apontadas na CPMI do INSS e isso me machuca muito”. Veja a lista no fim da matéria.
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Reação de Malafaia
Em vídeo publicado nas redes sociais, o pastor Silas Malafaia se manifestou sobre a declaração da senadora e a criticou por não falar quais religiosos estariam envolvidos no escopo da investigação. Malafaia afirmou que a senadora seria uma “leviana linguaruda”, caso não divulgasse os nomes.
“Uma acusação desse nível e a senhora não dá os nomes dos grandes líderes evangélicos e das grandes igrejas que estão envolvidas na falcatrua, na roubalheira dos aposentados do INSS. Ou a senhora dá os nomes ou a senhora é uma leviana linguaruda. E dá o nome também de que líderes pediram para a senhora calar a boca", disse o líder religioso.
"Dê nomes, senadora. Se a senhora não mostrar com provas e os nomes, a senhora não é digna nem de ser evangélica, que dirá os votos dos cristãos”, cobrou.
Posição de Damares
Em nota divulgada na quarta, a senadora Damares Alves destacou que atua como membro titular da Comissão e que as declarações feitas abordam “temas que já vem sendo discutidos oficialmente no âmbito da CPMI” e informações públicas.
Além disso, reiterou que a eventual participação de igrejas e religiosos em esquemas de fraude do INSS causa “profundo desconforto e tristeza”, mas que “a CPMI tem o dever constitucional de apurar os fatos com responsabilidade, imparcialidade e base documental”.
O texto também traz uma lista de requerimentos apresentados nos trabalhos da Comissão, com menções à igrejas e convocações de líderes religiosos, como André Machado Valadão, Cesar Belucci do Nascimento, Péricles Albino Gonçalves, André Fernandes e Fabiano Campos Zettel.
Zettel é cunhado de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master investigado pela Operação Compliance Zero, e foi preso temporariamente na quarta no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo.
Após a divulgação dos requerimentos, Malafaia criticou novamente a senadora e considerou que a lista publicada “tem o nome de um grande líder e nenhum nome de grande igreja”. Segundo ele, os outros religiosos citados não representam grandes igrejas e não são líderes renomados. O pastor ainda avaliou a acusação da senadora como “leviana”.
Veja os requerimentos divulgados pela senadora Damares Alves:
- Transferência de sigilo da Adoração Church;
- Transferência de sigilo da Igreja Assembleia de Deus Ministério do Renovo;
- Transferência de sigilo do Ministério Deus é Fiel Church (SeteChurch);
- Convite ao Sr. Cesar Belucci do Nascimento, líder religioso, para comparecimento à CPMI;
- Convocação do Sr. André Machado Valadão;
- Convite ao Sr. Péricles Albino Gonçalves, líder religioso, para comparecer à CPMI;
- Convite ao Sr. Fabiano Campos Zettel, empresário e líder religioso, para comparecer à CPMI;
- Convite ao Sr. André Fernandes, líder religioso, para comparecer à CPMI;
- Transferência de sigilo da Igreja Evangélica Campo de Anatote.