Flávio é escolhido por Bolsonaro para disputar a Presidência pelo PL em 2026
O senador falou da indicação após uma visita ao pai na última quinta-feira, 4; ex-presidente teria defendido que filho passe a se comportar como candidato
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) anunciou que o pai dele, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o escolheu como candidato do grupo para disputar a Presidência da República nas eleições de 2026.
"É com grande responsabilidade que confirmo a decisão da maior liderança política e moral do Brasil, Jair Messias Bolsonaro, de me conferir a missão de dar continuidade ao nosso projeto de nação", escreveu Flávio em publicação no X.
Valdemar da Costa Neto, presidente da sigla, publicou nota oficial em nome do partido, confirmando a informação. "O Flávio me disse que o nosso capitão confirmou sua pré-candidatura. Então, se Bolsonaro falou, está falado. Estamos juntos".
O anúncio ocorreu nesta semana, após visita de Flávio a Jair, na sede da Polícia Federal. O ex-presidente Jair Bolsonaro cumpre pena de 27 anos na Superintendência da Polícia Federal após ser condenado por tentativa de golpe após as eleições de 2022. Integrantes da cúpula do PL relataram que Bolsonaro entende que o filho já deve se portar como candidato, participando de eventos pelo País.
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Qual a estratégia do clá Bolsonaro?
Com a decisão de Bolsonaro, fica mais evidente a estratégia de manter o capital político dentro do núcleo do bolsonarismo e em torno da família do ex-presidente, interditando uma possível aliança com as pré-candidaturas de direita, como Ronaldo Caiado (União), Romeu Zema (Novo), Ratinho Junior (PSD) e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Ruídos a partir do Ceará
No domingo passado, 30, um evento da oposição no Ceará gerou ruídos internos no PL nacional e racha na família Bolsonaro, após a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro criticar o PL Ceará e o deputado federal André Fernandes por se aliarem a Ciro Gomes (PSDB). Os irmãos Flávio Bolsonaro, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ) entraram na história e bateram de frente com a madrasta no episódio.
Os três filhos saíram em defesa de Fernandes, alegando que a articulação teve aval de Bolsonaro, e Flávio chamou a postura da madrasta de "arrogante e autoritária". Após a visita ao pai na segunda-feira, o senador disse ter pedido desculpas a Michelle. Em seguida, o PL nacional se reuniu e decidiu suspender as negociações com Ciro por tempo indeterminado. A movimentação foi recebida como vitória parcial de Michelle sobre os enteados.
A crise pública que teve a formação de alianças eleitorais como pivô aconteceu uma semana depois de o bolsonarismo cerrar fileiras, numa reunião a portas fechadas em 24 de novembro, para defender um alinhamento de discurso em defesa de Bolsonaro, que havia acabado de ser preso preventivamente.
No discurso na ocasião, Michelle criticou os correligionários que atacam os colegas nas redes sociais, afirmou que a "roupa suja" deve ser lavada em casa, e pediu maior alinhamento em torno de Bolsonaro. O que foi debatido naquele encontro, entretanto, veio a ruir com a exposição das divergências feita em Fortaleza.
Já Flávio foi ungido o porta-voz oficial do pai. Sem Eduardo, autoexilado nos Estados Unidos, e mais próximo do ex-presidente do que o outro irmão Carlos, que mora no Rio de Janeiro, o senador ocupa um espaço privilegiado, com mandato, holofotes e acesso à PF para trazer e levar informações do mundo externo.
A decisão do PL de dar o posto de tamanha influência a Flávio contrasta com a avaliação que o irmão Eduardo faz do poder de todos os membros da família de representar a voz do ex-presidente.
"Enquanto durar a prisão do Bolsonaro, sempre vai haver essa confusão de quem fala por ele, quem fala, quem não fala. Tanto o Flávio como o Carlos, a Michelle, são próximos do meu pai e vão ter acesso a ele. Eu acho importante que sigam tendo essa proximidade pelo ponto de vista principalmente emocional", declarou Eduardo.
O anúncio de Flávio Bolsonaro
Antes de falar publicamente sobre a pré-candidatura, Flávio avisou ao Partido Liberal e ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), sobre a decisão de Bolsonaro. O presidente nacional da sigla, Valdemar Costa Neto, disse estar a par da articulação.
Na publicação nas redes sociais, o filho "01" do ex-presidente disse que o País vive dias difíceis e que não pode se conformar em vê-lo caminhar para tempos de instabilidade, insegurança e desânimo.
Ele também afirmou que não ficará de braços cruzados vendo a democracia sucumbir. Bolsonaro está preso na Superintendência Regional da Polícia Federal em Brasília desde 25 de novembro, cumprindo a pena de 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado.
"Eu me coloco diante de Deus e diante do Brasil para cumprir essa missão. E sei que Ele irá à frente, abrindo portas, derrubando muralhas e guiando cada passo dessa jornada", concluiu Flávio.
Anúncio recebido com ressalvas
Membros da cúpula do PL dizem ver a informação com ressalvas, e que acreditam se tratar de um balão de ensaio para tanto inflar quanto testar o nome de Flávio a nível nacional. A escolha definitiva, para alguns, será tomada mais adiante.
Uma pessoa ligada à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) rechaça a escolha de Flávio e diz que Bolsonaro não teria tomado tal decisão sem consultar a esposa. E questiona a razão de o ex-presidente "não ter confidenciado para a Michelle, mas para outra pessoa, sem falar para a esposa, ainda mais depois do ocorrido na última semana".
PL confirma escolha de Bolsonaro
O presidente nacional do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto, referendou na rede social X a escolha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para a eleição presidencial de 2026.
"Como presidente do PL, informo que o senador Flávio Bolsonaro é o nome indicado por Jair Bolsonaro para representar o partido na disputa presidencial", escreveu, em nota oficial.
Veja abaixo a nota do PL:
"Como presidente do PL, informo que o senador Flávio Bolsonaro é o nome indicado por Jair Bolsonaro para representar o partido na disputa presidencial.
Flávio me disse que o nosso capitão confirmou sua pré-candidatura. Então, se Bolsonaro falou, está falado!
Seguiremos juntos, trabalhando com responsabilidade e compromisso com o Brasil.
Valdemar Costa Neto
Presidente Nacional do PL"