Bolsonaro foi preso em 1986 por criticar salários no Exército

Primeira prisão de Bolsonaro foi em 1986 por artigo sobre salários no Exército; entenda

Antes de entrar na política, Bolsonaro enfrentou prisão em 1986 e posterior acusação de tentar explodir bombas em quartéis; episódios abriram caminho na política

Preso desde o último sábado, 22, na sede do Polícia Federal em Brasília, por determinação do Supremo Tribunal Federal após tentativa de violar a tornozeleira eletrônica, está não foi a primeira vez que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi detido. Em 1986, quando estava no Exército, ele teve a liberdade restringida por indisciplina após um artigo criticando salários de militares.

No artigo, Bolsonaro criticou os baixos vencimentos dos militares com patentes mais baixas, alegando que muitos cadetes abandonavam a Academia das Agulhas Negras por falta de perspectiva profissional, atribuindo isso à “crise financeira” dos oficiais.

Na ocasião, o ex-presidente ficou detido por 15 dias pela publicação, sem autorização dos superiores, do texto intitulado “o salário está baixo”, onde usou frase que viria a se tornar seu slogan político: “Brasil acima de Tudo”. Na foto que ilustra a matéria, Bolsonaro aparece com uma boina de paraquedista, relatando descontentamento de cadetes.

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A reação da cúpula militar

A publicação do artigo na revista Veja gerou reação da cúpula militar, levando Bolsonaro a ser preso em um quartel da Vila Militar no Rio de Janeiro. Na época, Jair foi acusado de ferir a “ordem e a hierarquia militar”, fundamentos basilares da estrutura das Forças Armadas.

Na justificativa da prisão, foi descrito que o ato de Bolsonaro “feriu a ética, gerando clima de inquietação na organização militar”. Ele foi considerado “indiscreto”, ao abordar assuntos de caráter oficial da corporação, colocando em risco a disciplina dentro do Exército.

A penalidade no caso de Bolsonaro foi inferior a 30 dias de detenção, pelo fato de ser sua primeira infração deste tipo. Apesar disso, a prisão de Jair gerou reação interna dentro dos quadros do Exército, o que era um dos temores da cúpula das Forças Armadas.

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Acusação de planejamento de terrorismo

No ano seguinte (1987), A Veja publicou reportagem colocando Bolsonaro no centro de um plano chamado “Beco sem Saída”, com objetivo de explodir bombas em quartéis militares; mais uma vez como forma de pressionar a instituição ao reajuste de salários.

Jair negou qualquer tentativa de explosão, mas o então ministro do Exército, Leônidas Pires Gonçalves, tentou expulsá-lo da Força Armada. No mesmo ano, um Conselho de Justificação condenou Bolsonaro por comportamento “aético” incompatível com as normas da corporação.

Entretanto, em 1988, o Superior Tribunal Militar (STM), em votação secreta, anulou a condenação de Bolsonaro, alegando falta de provas. No mesmo ano, Bolsonaro foi eleito vereador na cidade do Rio de Janeiro, aos 33 anos, pelo extinto PDC, indo para a reserva remunerada do Exército.

Linha do tempo — principais problemas jurídicos de Jair Bolsonaro

1986 — Prisão disciplinar no Exército

Bolsonaro publica o artigo “O salário está baixo” na revista Veja, reclamando da remuneração dos oficiais.

  • Considerado ato de insubordinação, é preso por 15 dias em regime disciplinar militar dentro do quartel.
  • A punição gera tensão dentro do Exército e passa a marcar sua ficha como oficial.

1987–1988 — Acusação de planejar explosão em unidades militares

  • A Veja publica reportagem acusando Bolsonaro de planejar a explosão de bombas em adutoras e quartéis em protesto.
  • O episódio desgasta sua relação com a cúpula militar, mas ele não é expulso.

1988 – Transição para a política

  • Superior Tribunal Militar (STM), em sessão secreta, absolve Bolsonaro por falta de provas.
  • Logo após a decisão, Bolsonaro anuncia candidatura a vereador no Rio de Janeiro.
  • Novembro: É eleito pelo Partido Democrata Cristão (PDC), passando à reserva remunerada.

 

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