O que disseram os políticos cearenses sobre a prisão de Bolsonaro
Prisão preventiva repercutiu entre líderes políticos do Ceará. No entanto, nem todos se manifestaram
A prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), decretada no último sábado, 22, e que tomou os holofotes da política nacional e internacional, também repercutiu no meio político cearense. Aliados de primeiro escalão se manifestaram sobre o fato, enquanto outros membros da oposição ao PT optaram pelo silêncio.
Do outro lado, líderes do grupo governista, capitaneado pelo PT, falaram em tom de celebração sobre a prisão preventiva.
O deputado federal André Fernandes (PL) publicou vídeo no Instagram alegando que Bolsonaro é um "preso político". Ele afirmou que irá lutar ao lado do ex-presidente durante o processo pós-prisão. O parlamentar cearense também criticou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
"Por um suposto risco de fuga, Moraes manda prender Bolsonaro no regime fechado. Todas as provas são baseadas na delação de seu ex-assessor, mas o Brasil ignora que o ex-assessor de Moraes falou que ele mandava fraudar processos e criar provas. Está certo isso? Com toda certeza, não", argumentou.
Chagas Vieira, secretário da Casa Civil do Ceará, chamou de "risíveis" as manifestações de apoio a Bolsonaro, dizendo que a prisão "demorou". Ele também ironizou adversários locais, ao questionar se Ciro Gomes e Roberto Cláudio haviam comentado algo sobre o assunto.
"Alguém sabe dizer se Ciro Gomes e Roberto Cláudio comentaram algo sobre a prisão de Bolsonaro? Nada de novo? Tão falantes no dia a dia, atacando a tudo e a todos, e ficam caladinhos agora? Estão com medo de quê? Cada vez fica mais evidente a hipocrisia e oportunismo dessa turma", publicou.
O deputado estadual licenciado Carmelo Neto (PL) informou que cancelou agenda do PL Jovem, em Cuiabá (MT), e que embarcaria no primeiro voo para Brasília. "É hora de prestar toda nossa solidariedade ao presidente Jair Bolsonaro e sua família", escreveu. Carmelo e Fernandes se juntaram a Flávio Bolsonaro (PL) em Brasília, participando de vigília pela saúde do ex-presidente.
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O deputado federal Luiz Gastão (PSD), que é da base do governador Elmano de Freitas (PT) no Ceará, manifestou solidariedade a Bolsonaro. Ele repudiou "a truculência e a injusta medida judicial que decretou sua prisão. Em tempos de violência e intolerância política, reafirmo minha fé em nosso Senhor Jesus Cristo, nosso Rei e Senhor", disse.
No Instagram, o senador Eduardo Girão (Novo) afirmou que o ex-presidente sofreu uma “prisão ilegal e imoral após o filho chamar vigília" para a saúde do pai. "A inconstitucional prisão hoje cedo de Bolsonaro pela PF do regime Lula-STF é sim mais um capítulo da explícita perseguição a quem é de direita e conservador neste País", afirmou.
Ex-deputado Capitão Wagner (União Brasil) também criticou a prisão. "Bolsonaro foi preso antes mesmo da conclusão do julgamento. Uma aberração jurídica praticada pelo STF. A tornozeleira de Fernando Collor ficou um dia e meio sem sinal e nada aconteceu (...) Isso não é Justiça. É perseguição. Ou a gente defende o Estado de Direito ou aceita a arbitrariedade", afirmou.
A vereadora de Fortaleza e pré-candidata ao Senado, Priscila Costa (PL) também comentou o ocorrido em entrevista ao O POVO: "Num sábado prender um homem sem crimes, com 70 anos de idade, com a saúde vulnerável. É um momento de humilhação, mas ela é fruto do incômodo que Bolsonaro causa; porque ele é exaltado por onde passa. E essa exaltação incomoda".
A deputada estadual Dra. Silvana (PL) declarou estar "arrasada" com a prisão. "Poucas vezes estive tão arrasada na minha vida. Hoje é um dia de luto para a democracia. Bolsonaro não roubou, não matou, não estava no país, não tocou em patrimônio público. Não se corrompeu; a história presencia a maior injustiça já cometida", disse.
Outro lado
Líder do governo na Câmara, o deputado federal José Guimarães (PT-CE) comemorou, mencionando o plano para assassinar autoridades, descoberto pela Polícia Federal. “É um marco na defesa da democracia no Brasil e um exemplo para o mundo. Nosso país mostrará que a democracia e a soberania não se negociam e que ninguém está acima da lei”, declarou.
O vereador de Fortaleza Gabriel Aguiar (Psol) afirmou que, com a prisão de Bolsonaro, "a fratura democrática começa a cicatrizar". Citando a condução do país durante a pandemia e "discursos de ódio" promovidos pelo ex-presidente, reforçou o processo "(...) Só com responsabilização a partir de rigoroso rito legal é que podemos começar a cicatrizar a ferida democrática".
O ex-prefeito de Sobral Ivo Gomes (PSB) comemorou a prisão do ex-presidente.“ Nunca vibrei com a infelicidade alheia, mas como cidadão brasileiro, sinto-me aliviado em ver as leis e a justiça serem impostas ao maior de todos os calhordas da República”, escreveu o irmão de Ciro Gomes (PSDB).
A deputada estadual Larissa Gaspar (PT) afirmou que a prisão "lava a alma das milhares de famílias que perderam entes queridos durante a pandemia" de Covid-19. Líder do governo Elmano (PT) na Assembleia Legislativa do Ceará, o deputado Guilherme Sampaio (PT) disse que a atitude de Bolsonaro mostra como "age um covarde". "Nunca esqueceremos suas piadas e a sua negligência com as vítimas da COVID (...) Que a prisão lhe dê a dura lição que os cínicos merecem!", afirmou.
Não falaram
Cotados como pré-candidatos ao governo do Estado em 2026, Ciro Gomes (PSDB) e Roberto Cláudio (União Brasil) não se manifestaram.
O governador Elmano de Freitas (PT) e o ministro da Educação Camilo Santana (PT) não publicaram nada nas redes sociais sobre o assunto.
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