Fernando Santana chama Enel de "caloteira" por atrasos no pagamento de direitos trabalhistas
O deputado, que preside a CPI da Enel, disse ainda que em outubro os membros do colegiado devem realizar viagens ao Piauí, São Paulo e Goiás na esteira de investigações
O deputado estadual Fernando Santana (PT), presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Enel, chamou a distribuidora de energia elétrica de “caloteira” por dívidas com ex-funcionários de empresa terceirizada que prestava serviço à Enel.
Santana explicou que 1.100 trabalhadores da empresa Endicon aguardam pagamento de verbas rescisórias e salários atrasados, sem perspectiva de receber tais valores.
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“Chega uma nova denúncia aqui na casa do povo, de que 1.100 funcionários estão esperando há três anos, brigando na justiça, para receber seu dinheiro, que trabalharam para isso e que a Enel não paga. Está empurrando com a barriga, abrindo recurso onde quer que seja. E os pais de família estão sofrendo”, disse.
Na tribuna da Assembleia Legislativa (Alece), Santana explicou a situação. “A Endicon entrou com pedido de recuperação judicial, concedido pela Justiça. No entanto, foi determinado que a Enel seria responsável pelo pagamento das verbas rescisórias e atrasos de sua contratada”, comentou.
Em entrevista coletiva, o parlamentar reforçou as críticas à empresa. “Para além de todo histórico ruim no Ceará, a Enel entra agora com o histórico da empresa caloteira. Para nós é um absurdo. Vamos levar o assunto para onde quer que seja”, disse, prometendo oitiva de ex-funcionários da Endicon.
Santana confirmou que teve reunião com diretores da Enel na semana passada. “Depois que a CPI foi aberta foi a primeira vez que eles nos procuraram. Ou seja, a CPI dá medo em alguém, causa algum receio”. No entanto, alertou que um plano de expansão de quatro páginas teria sido apresentado.
“Eu perguntei a eles se estavam querendo fazer esse parlamentar e o povo cearense de besta”, argumentou, acrescentando que pediu um novo plano, executável, que mostre resultados à população.
Em nota, a Enel informou que possuía um contrato de prestação de serviços com a empresa Endicon para atividades operacionais e comerciais no Sul do Ceará. “Sobre o pagamento dos direitos trabalhistas dos colaboradores, a companhia informa que está "acompanhando a ação de recuperação judicial da empresa terceirizada e respondendo judicialmente com as medidas cabíveis”.
Santana disse ainda que em outubro os membros do colegiado devem realizar viagens ao Piauí, São Paulo e Goiás. No Piauí, seria para visitar a sede da Equatorial, uma das empresas cotada para assumir operação no Ceará, caso a Enel saia.
Em São Paulo, para tomar conhecimento das investigações de uma CPI da Enel que ocorre naquele estado. Em Goiás, onde a Enel operava e saiu para averiguar a situação local.