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Ex-deputado Adail Carneiro, preso em flagrante com R$ 2 milhões, é enviado a presídio

O ex-deputado estava desde quinta-feira passada na carceragem da Polícia Federal em Fortaleza e foi transferido nessa segunda-feira

18:32 | 24/11/2020
Pilha de dinheiro apreendida na mesma empresa pela 2ª eleição seguida. Um recorde? (Foto: Divulgação/PF)
Pilha de dinheiro apreendida na mesma empresa pela 2ª eleição seguida. Um recorde? (Foto: Divulgação/PF)

Preso em flagrante na última quinta-feira, 19, o ex-deputado Adail Carneiro (ex-PSD) foi transferido para uma penitenciária, confirmou a assessoria de imprensa da Polícia Federal no Ceará. Ele foi detido durante a operação batizada de KM Livre 2, que encontrou R$ 1.988.635,00 em dinheiro em locadora de veículos localizada no Bairro de Fátima, de propriedade da família do ex-parlamentar. Ele foi transferido ao sistema penitenciário nessa segunda-feira, 23. Desde quinta-feira ele era mantido na carceragem da Superintendência da Polícia Federal em Fortaleza.

Há quatro anos, na mesma locadora, a Polícia Federal apreendeu R$ 5,9 milhões, na primeira fase da mesma operação, a KM Livre.

Na semana passada, a operação cumpriu 27 mandados de busca e apreensão em Fortaleza, Russas, Caucaia, Mossoró (RN) e Rio de Janeiro (RJ). A Polícia Federal investiga suspeita de fraudes na locação de veículos e motocicletas por órgãos públicos. São apontados desvios de recursos públicos, fraudes em licitações e lavagem de dinheiro. "Há fortes evidências de lavagem de dinheiro ilícito por meio da aquisição clandestina de corretoras valores e de sociedades em conta de participação do ramo de energia eólica, com a ajuda estratégica de operadores do mercado financeiro", informou a assessoria da PF.

A operação é realizada de forma conjunta entre Polícia Federal e Controladoria Geral da União (CGU).

A prisão preventiva de Adail Carneiro (ex-PSD) foi pedida à Justiça pelo delegado Carlos Joécio Duarte de Holanda, responsável pelo inquérito policial que investiga golpes na contratação de serviços de locação de veículos e motocicletas, com desvio de recursos públicos de prefeituras.

De acordo com a decisão do juiz Danilo Fontenele, da 11ª Vara Federal de Fortaleza, a prisão de José Adail Carneiro Silva "foi efetuada em face da apreensão de grande quantidade de dinheiro - R$ 1.988.635,00 - na sede das empresas 'La Brasil' / Locadora de Autos Brasil Eireli - ME e ABIM Administração e Incorporações de Bens Imóveis Ltda", no Bairro de Fátima.

Adail Carneiro, segundo documento enviado ao juiz é sócio das empresas que vinham sendo investigadas desde a primeira fase da Operação Km Livre, em 2016. De acordo com o relatório de busca e apreensão da Polícia Federal, o dinheiro recolhido na casa de Adail Carneiro foi descoberto em lugar "não usual" para se guardar grandes valores. "Um milhão setecentos e noventa e nove mil e novecentos reais foram encontrados dentro de uma caixa de TV (50" LG UHD TV4K)" numa "suíte privativa do imóvel do ex-deputado federal e estadual".

"Cento e oitenta e oito mil e setecentos e trinta e cinco reais estavam em um envelope de papel pardo assim discriminado: R$ 50.000,00 em notas de R$ 50,00; R$ 60.000,00 em notas de R$ 100,00; R$ 60.000,00 em notas de R$ 200,00; R$ 15.000,00 em um envelope com manuscrito ‘demanda extra15’ e; R$ 3.735,00 enrolados em uma liga", descreve o documento da PF.

A prisão preventiva de Adail Carneiro se deu principalmente por causa da "nova apreensão de grande quantia de dinheiro em espécie" na sede de uma empresa onde o ex-deputado federal figura como sócio. "De forma semelhante ao antes ocorrido (2016), corrobora a hipótese de se estar diante de reiteração delitiva, a indicar que a sua soltura colocaria em risco a ordem pública, ante o receio concreto de nova prática de crime", escreveu o magistrado.

Para o juiz, "aparentemente, mesmo a efetivação da anterior medida judicial de busca e apreensão não teria levado ao flagrado ao encerramento das suas atividades tidas como delituosas, aparentemente ainda em continuidade e com elaborado esquema criminoso".

Ao ser interrogado pelo delegado Carlos Joécio Duarte de Holanda, Adail Carneiro disse que "todo recurso em espécie encontrado durante a Operação KM Livre II, no escritório na Aguanambi, tem origem lícita". E quando ele e "sua defesa tiverem acesso aos autos as informações serão prestadas", afirmou Adail que está preso na sede da Polícia Federal, em Fortaleza.

Adail Carneiro foi deputado federal de 2015 a 2018. Antes disso, exerceu mandato de deputado estadual como suplente e, em 2014, foi efetivado no mandato, quando Patrícia Saboya renunciou para assumir vaga de conselheira do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Em 2008, ele foi candidato a vice-prefeito de Russas, município onde são cumpridos mandados da operação.