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Fortaleza
NOTÍCIA

Ex-deputado do Ceará é preso em flagrante pela PF, que cumpre 27 mandados de busca e apreensão no CE, RN e RJ

A PF informou que investigado exerceu mandatos de deputado federal e deputado estadual no Ceará

07:21 | 19/11/2020
FORTALEZA, CE, BRASIL, 19.11.2020: Agentes da policia federal chegam a sede da PF com material apreendido em operação. Coletiva da PF sobre Operação KM Livre 2ª fase.  (Fotos: Fabio Lima/O POVO) (Foto: FÁBIO LIMA/O POVO)
FORTALEZA, CE, BRASIL, 19.11.2020: Agentes da policia federal chegam a sede da PF com material apreendido em operação. Coletiva da PF sobre Operação KM Livre 2ª fase. (Fotos: Fabio Lima/O POVO) (Foto: FÁBIO LIMA/O POVO)

Atualizada às 13 horas

OUTRAS ATUALIZAÇÕES SOBRE A OPERAÇÃO:

Ex-deputado foi preso; investigação envolve contratos nos últimos 20 anos

PF apreende pilha de dinheiro na mesma empresa do Bairro de Fátima pela 2ª vez em 4 anos

PF apreende quase R$ 2 milhões em empresa no Bairro de Fátima na operação contra ex-deputado

A Polícia Federal (PF) cumpre 27 mandados de busca e apreensão na manhã desta quinta-feira, 19, na segunda fase da Operação KM Livre. A atuação é conjunta com a Controladoria Geral da União (CGU) e ocorre em Fortaleza, Russas, Caucaia, Mossoró (RN) e Rio de Janeiro (RJ). Ex-deputado é alvo da ação, que está apreendendo grande quantidade de dinheiro em espécie. 

Veja o dinheiro apreendido:



A Justiça Federal expediu os mandados após investigação em Inquérito Policial que apura fraudes na contratação de serviços de locação de veículos e motocicletas. De acordo com a PF, entre os crimes estão desvio de recursos públicos, fraudes em licitações e lavagem de dinheiro. 

A primeira fase da operação KM Livre foi deflagrada ainda em 2016. Na época, a PF apreendeu mais de cinco milhões e novecentos mil reais em dinheiro na sede de uma das empresas investigadas, no bairro de Fátima. A PF suspeita de lavagem de dinheiro, ocultado na sede de uma das empresas investigadas, no mesmo bairro.

O grupo atuante é liderado por investigado que exerceu mandatos de deputado federal e deputado estadual no Estado do Ceará no período da investigação. A PF não informou a identidade do investigado. 

"Há fortes evidências de lavagem de dinheiro ilícito por meio da aquisição clandestina de corretoras valores e de sociedades em conta de participação do ramo de energia eólica, com a ajuda estratégica de operadores do mercado financeiro", diz a PF em nota. Atuação de agentes públicos também é apurada nos crimes investigados.

Apreensão de R$ 1.988.635 em empresa no Bairro de Fátima. Ex-deputado, cuja identidade não foi divulgada, é investigado por suspeita de liderar esquema
Apreensão de R$ 1.988.635 em empresa no Bairro de Fátima. Ex-deputado, cuja identidade não foi divulgada, é investigado por suspeita de liderar esquema (Foto: Divulgação/PF)

Operação KM Livre

A primeira fase da operação KM Livre foi deflagrada em 2016. Na época, a PF apreendeu mais de cinco milhões e novecentos mil reais em dinheiro na sede de uma das empresas investigadas, no bairro de Fátima. Na manhã desta quinta-feira, 19, está sendo apreendido grande quantidade de dinheiro em espécie. A PF suspeita de lavagem de dinheiro, ocultado na sede de uma das empresas investigadas, no mesmo bairro.

Hoje, foram apreendidos quase R$ 2 milhões em espécie, ouro, moeda estrangeira, celulares e documentos que irão auxiliar as investigações. Além das equipes em Fortaleza, a PF age com duas equipes no RJ, quatro em Mossoró, uma em Caucaia e cinco equipes em Russas. A apreensão do dinheiro motivou a prisão em flagrante do ex-deputado cearense, principalmente por lavagem de dinheiro - que consiste na ocultação e uso do dinheiro ilícito. 

De acordo com o delegado Regional de Combate ao Crime Organizado da PF, Alan Robson Alexandrino, "o principal objetivo da operação hoje é ligar essas pessoas privadas que movimentam de forma ilícita esses recursos aos funcionários públicos".

Agentes da policia federal chegam a sede da PF com material apreendido em operação. Coletiva da PF sobre Operação KM Livre 2ª fase
Agentes da policia federal chegam a sede da PF com material apreendido em operação. Coletiva da PF sobre Operação KM Livre 2ª fase (Foto: FÁBIO LIMA/O POVO)

Investigação

Ainda de acordo com a PF, a investigação identificou, a partir desses valores apreendidos, documentos e dados coletados na primeira fase. Também foi verificada a atuação da organização criminosa na criação de empresas com participação de "laranjas". A investigação também identificou lavagem de dinheiro com aquisição de imóveis, empresas e transações no mercado financeiro. O grupo criminoso atua há cerca de 20 anos. Material coletado nesta quinta será averiguado pela PF.

Coordenador da operação KM Livre - 2ª Fase, o delegado Joécio Duarte de Holanda explica que a organização aferia contratos na área de locação de veículos e, por conta deles, havia repasse de verba pública depositadas nas contas das empresas.

"Identificamos que com esses repasses havia um sistema de saques sistemáticos em espécie das contas dessas empresas contratadas pela Prefeitura. Era um sistema para distanciar os valores da origem desses recursos", detalha. O grupo usava várias empresas com nomes de laranjas para participar de um mesmo certame licitatório, forjando concorrência fictícia. Uma dessas empresas controladas pela organização vencia o processo licitatório e a partir daí eram celebrados contratos para prestação de serviço de locação de veículos para Prefeitura, secretarias e entidades da administração indireta.

"O sistema existe há cerca de 20 anos pelo menos grupo e foi crescendo. As contratações passaram a ter valores mais elevados", continua o delegado Joécio Duarte. "Ao longo desses quase 20 anos três empresas têm vencido as licitações. Atualmente, a empresa é contratada pela Prefeitura por um pregão de 2019". A PF identificou pelo menos 10 empresas lideradas pelo grupo, entre locação, corretoras de valores e até empresa ligada a produção de energia eólica. De acordo com o diretor de Operações Especiais da CGU, Israel José Reais de Carvalho, a estimativa é que o montante envolvido seja acima de R$ 600 milhões.