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STF dá cinco dias para Weintraub prestar esclarecimentos sobre falas em reunião

Ministro da Educação atacou os ministros do Supremo Tribunal Federal, dizendo que "botava esses vagabundos todos na cadeia". Fala pode ser enquadrada como crime de responsabilidade

20:05 | 26/05/2020
Abraham Weintraub, ministro da Educação, atacou ainda povos indígenas e ciganos  (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Abraham Weintraub, ministro da Educação, atacou ainda povos indígenas e ciganos (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes deu prazo de cinco dias para que o titular federal da Educação, Abraham Weintraub, seja ouvido pela Polícia Federal (PF). Pela decisão, o ministro deverá prestar esclarecimentos sobre o que falou durante reunião ministerial realizada no dia 22 de abril. 

Durante a reunião, Weintraub declarou: "Eu, por mim, botava esses vagabundos todos na cadeia. Começando no STF". O depoimento será realizado no inquérito aberto pela Corte em 2019 para apurar ameaças contra os integrantes da Corte. 

A medida foi tomada por Moraes após a divulgação do vídeo da reunião ministerial, que é objeto do inquérito que apura a suposta interferência política do presidente Jair Bolsonaro na Polícia Federal (PF) e o crime de denunciação caluniosa por parte do ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro. 

Para Alexandre de Moraes, a declaração atingiu a honra dos ministros do STF. "A manifestação do ministro da Educação revela-se gravíssima, pois, não só atinge a honorabilidade e constituiu ameaça ilegal à segurança dos ministros do Supremo Tribunal Federal, como também reveste-se de claro intuito de lesar a independência do Poder Judiciário e a manutenção do Estado de Direito". 

Abraham Weintraub ainda não foi notificado sobre a decisão. Após a divulgação do vídeo, o ministro da Educação publicou no Twitter que suas falas durante a reunião foram deturpadas. "Tentam deturpar minha fala para desestabilizar a Nação. Não ataquei leis, instituições ou a honra de seus ocupantes. Manifestei minha indignação, liberdade democrática, em ambiente fechado, sobre indivíduos. Alguns, não todos, são responsáveis pelo nosso sofrimento, nós cidadãos.", afirmou.