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Bolsonaro demite Mandetta do Ministério da Saúde

O escolhido para a vaga é o oncologista Nelson Teich

16:17 | 16/04/2020
O ministro da Saúde do Brasil, Luiz Henrique Mandetta, gesticula durante uma conferência de imprensa para anunciar novas medidas de combate à pandemia do COVID-19 no Palácio do Planalto, em Brasília, em 3 de abril de 2020. (Foto por EVARISTO SA / AFP)
O ministro da Saúde do Brasil, Luiz Henrique Mandetta, gesticula durante uma conferência de imprensa para anunciar novas medidas de combate à pandemia do COVID-19 no Palácio do Planalto, em Brasília, em 3 de abril de 2020. (Foto por EVARISTO SA / AFP) (Foto: EVARISTO SA / AFP)

O presidente Jair Bolsonaro demitiu nesta quinta-feira, 16, Luiz Henrique Mandetta do Ministério da Saúde. Mandetta postou a demissão pelo Twitter.  

"Acabo de ouvir do presidente Jair Bolsonaro o aviso da minha demissão do Ministério da Saúde. Quero agradecer a oportunidade que me foi dada, de ser gerente do nosso SUS, de pôr de pé o projeto de melhoria da saúde dos brasileiros e de planejar o enfrentamento da pandemia do coronavírus, o grande desafio que o nosso sistema de saúde está por enfrentar. Agradeço a toda a equipe que esteve comigo no MS e desejo êxito ao meu sucessor no cargo de ministro da Saúde. Rogo a Deus e a Nossa Senhora Aparecida que abençoem muito o nosso país", disse o agora ex-ministro da Saúde.

O escolhido para a vaga é Nelson Teich, que chegou ao cargo prometendo que não haverá mudança brusca, mas ressaltou ter "alinhamento completo" com Jair Bolsonaro.

O novo ministro é oncologista, fez carreira na saúde privada e é dono da rede Clínicas Oncológicas Integradas (COI). Em recente artigo, ele criticou a polarização entre saúde e economia. "A situação foi conduzida de uma forma inadequada, como se tivéssemos que fazer escolhas entre pessoas e dinheiro, entre pacientes e empresas, entre o bem e o mal."

Ministro em colisão com Bolsonaro

Mandetta cai após semanas de desentendimentos com o presidente Jair Bolsonaro quanto ao enfrentamento à pandemia. Na semana passada, a saída chegou a ser dada como certa. O presidente chegou a tomar a decisão, as gavetas do ministro foram limpas, mas pressão da ala militar manteve o ministro por mais algum tempo.

O ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni (DEM-RS), em conversa vazada com o deputado federal Osmar Terra (MDB-RS), defendeu a demissão do então colegas. "Eu teria cortado a cabeça dele."

A situação de Mandetta se agravou após entrevista ao Fantástico, no último domingo, 12, na qual disse que a população não sabe se escuta o ministro ou o presidente. Reclamou também de quem vai a padarias e fica em aglomeração, coisa que Bolsonaro fez naquele mesmo dia. A fala foi recebida no governo como provocação. Apesar de considerar a entrevista uma "falta grave", o vice-presidente, general Hamilton Mourão (PRTB) defendeu que o ministro não fosse trocado no momento.

Mandetta sistematicamente divergiu das posições do presidente. Defendeu o isolamento social contra a pandemia e pregou que o uso da cloroquina no tratamento fosse feito com cuidados.

Desde a quarta-feira, a situação de Mandetta se tornou insustentável. O ministro comunicou à equipe que seria exonerado. Bolsonaro começou a receber cotados para a vaga. Em entrevista ao Fantástico, Mandetta afirmou: "Fico até encontrarem uma pessoa para assumir meu lugar".

Mais cedo, Mandetta disse que troca de ministro ocorreria hoje, "no mais tardar, amanhã".