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Twitter oculta post de Trump por descumprir regras de 'comportamento abusivo'

O Twitter considerou que Trump descumpriu as regras relativas ao "comportamento abusivo" ao ameaçar com o uso de força, manifestantes na capital federal americana

00:14 | 24/06/2020
Twitter oculta post de Trump por descumprir regras de 'comportamento abusivo' (Foto: Alex Wong/Getty Images/AFP)
Twitter oculta post de Trump por descumprir regras de 'comportamento abusivo' (Foto: Alex Wong/Getty Images/AFP)

O Twitter ocultou nesta terça-feira, 23, um novo tuíte do presidente americano, Donald Trump, porque considerou que ele descumpriu as regras relativas ao "comportamento abusivo" ao ameaçar com o uso de força, manifestantes na capital federal americana. A empresa sediada em São Francisco, já tinha marcado comentários de Trump como enganosos e promotores de violência em outras ocasiões.

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A rede social determinou, no entanto, que o novo tuíte de Trump pode ser considerado como  algo de "interesse público", e por isso segue permitindo o acesso à publicação, mas passou a encobrir o tuíte, com um aviso de conteúdo sensível.

"Nunca haverá uma 'Zona Autônoma' em Washington DC enquanto eu for presidente. Se tentarem, enfrentarão uma grande força!", escreveu o presidente, em meio a protestos que há semanas dominam o país contra a violência policial e o racismo. 

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Trump fez alusão em seu tuíte à zona livre de polícia criada recentemente por manifestantes em Seattle, o que provocou indignação entre os conservadores. Na segunda-feira, 22, ativistas pintaram a sigla "BHAZ", referente à "Zona Autônoma da Casa Negra" em inglês, na Igreja Episcopal de São João, perto da Casa Branca. Mas a polícia rapidamente dispersou o pequeno grupo e no início da terça-feira, 23, a força policial bloqueou ruas próximas à residência presidencial enquanto Trump partia de helicóptero para encontrar apoiadores no Arizona.

Antes de publicar o referido tuíte, Trump tinha anunciado detenções e até dez anos de prisão a quem vandalizasse qualquer propriedade federal, depois de manifestantes tentarem derrubar na noite de segunda-feira a estátua de um presidente escravocrata do século XIX perto da Casa Branca.

A porta-voz da Casa Branca, Kayleigh McEnany, denunciou a ação do Twitter, usando a própria rede social: "Sejamos claros sobre o que aconteceu. O Twitter rotulou como 'comportamento abusivo' quando o presidente dos Estados Unidos disse que cumpriria com a lei", escreveu. "O Twitter disse que é 'abusivo' impedir que os manifestantes dominem o território à força para estabelecer uma zona sem lei em nossa capital", acrescentou.

O Twitter se pronunciou sobre o caso pontuando que tomou medidas contra a postagem de Trump porque a mensagem violou a política da empresa com "uma ameaça de dano contra um grupo identificável". A decisão de ocultar mais um tuíte de Trump intensifica uma batalha entre a Casa Branca e as redes sociais, às quais Trump acusa de parcialidade contra os políticos conservadores.

O presidente americano, que tem 82,4 milhões de seguidores no Twitter e usa esta rede diariamente de forma intensiva, assinou no fim de maio um decreto para limitar a liberdade das redes sociais de decidir sobre seu conteúdo. O governo Trump também destacou que quer reformar uma lei que dá imunidade aos provedores de serviços na internet sobre o conteúdo publicado por outros, uma medida que pode resultar em muitos litígios.

A política do Twitter com relação a líderes mundiais na maioria dos casos exige marcar as mensagens que afetam os padrões da rede social, o que limita seu alcance e evita que outros curtam ou as retuítem. Porém, as postagens continuam disponíveis por geralmente serem relacionados com "assuntos atuais de importância pública".

No fim de maio, o Twitter ocultou um tuíte de Trump sobre os protestos após a morte do afro-americano George Floyd por um policial branco, por considerar que fazia "apologia à violência". Dias antes, a rede tinha marcado dois tuítes do presidente sobre a votação por correio com a hashtag "Verifique os dados". Um porta-voz da plataforma disse então que continham "informação potencialmente enganosa sobre o processo de votação".


Com informações da agência AFP