Técnica demitida após filmar paciente em UTI tem justa causa mantida pela Justiça
A técnica filmou paciente com o aparelho celular pessoal. Ela perdeu direito ao levantamento do FGTS e ao seguro-desemprego
Uma técnica de enfermagem, demitida por justa causa por filmar um paciente de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em Fortaleza, recorreu à Justiça pedindo a reversão da dispensa para "sem justa causa". O magistrado negou o pedido após a defesa do hospital utilizar as gravações das câmeras de segurança, que flagraram o paciente sendo filmado.
As informações são do Tribunal Regional do Trabalho do Ceará (TRT-CE). A profissional alegou que teria passado a gravar o paciente para justificar um protocolo de conteção.
A técnica ainda perdeu o direito ao levantamento do FGTS e ao seguro-desemprego. A sentença foi da 13ª Vara do Trabalho de Fortaleza, que considerou a conduta inadequada para o ambiente hospitalar. A decisão foi proferida pela juíza do trabalho Maria Rafaela de Castro neste mês de janeiro.
Conforme a magistrada, ao filmar um paciente em tratamento na UTI com o celular particular, a profissional deixou a pessoa ainda mais vulnerável. A decisão ainda cabe recurso.
A trabalhadora tinha 18 anos de empresa, tendo sido admitida em 2007 e demitida em dezembro de 2024. Ela recorreu à Justiça alegando que sempre cumpriu suas funções com dedicação e que não sabia o motivo exato da saída.
Imagens de câmeras de segurança mostraram técnica filmando paciente com celular pessoal
A defesa da unidade de saúde apresentou provas no processo, incluindo vídeos das câmeras de segurança. Nas imagens, a técnica aparece filmando um paciente que havia sofrido um AVC. Na gravação, o homem demonstrava desconforto e tentava cobrir o rosto para não ser registrado. Ele ainda foi deixado descoberto e exposto ao frio durante o ato.
A empresa alegou um histórico de advertências e suspensões por outras falhas disciplinares. A juíza apontou que as imagens provaram que a atitude causou sofrimento a uma pessoa vulnerável.
"As imagens falam muito mais que mil palavras e nota-se claramente o desconforto que foi causado ao paciente. (...) A filmagem no celular foi desproporcional, quando ela poderia ter acionado o médico de plantão ou a enfermeira-chefe para relatar o ocorrido", afirmou a juíza.
A magistrada reforçou que o hospital agiu corretamente ao fiscalizar para garantir um tratamento humanizado aos pacientes que, por estarem em estado grave, muitas vezes não têm voz para se defender.
O processo correu em segredo de justiça para preservar a imagem dos envolvidos.