Professores buscam soluções para inclusão e diversidade na escola em seminário

Norteando-se pelo tema "Diálogos para a redução das desigualdades", os presentes desfrutaram de mesas temáticas, palestras, relatos de superação, vivências sensoriais e apresentações culturais

Durante dois dias de palestras e mesas temáticas, especialistas e servidores da rede pública municipal de educação participaram do 3º Seminário Municipal em Diversidade e Inclusão Escolar. Norteando-se pelo tema “Diálogos para a redução das desigualdades”, os presentes desfrutaram de mesas temáticas, palestras, relatos de superação, vivências sensoriais e apresentações culturais.

A programação se iniciou nesta segunda-feira, 24, e seguiu até terça-feira, 25, sendo sediada no Centro de Eventos do Ceará, no bairro Edson Queiroz. A titular da Coordenadoria de Diversidade e Inclusão da Secretaria Municipal de Educação, Mônica Costa, pontua que o evento tem o objetivo de trazer temáticas relacionadas a diversidade e inclusão. 

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“A gente tem as palestras gerais no auditório e também as palestras específicas espalhadas por nove salas e no auditório, que ficam a critério de escolha do professor no momento da inscrição. Os temas são relacionados à educação para a inclusão etnico-racial, diversidade sexual e identidade de gênero, inclusão de estudantes com deficiência, a tecnologia como mecanismo de inclusão, e todos são ministrados para profissionais da rede municipal de ensino”, alinhou Mônica.

A gestora aponta que o evento é voltado para profissionais da educação por entender que a educação inclusiva é construída por todos os agentes que formam a escola. “A transformação das práticas que acontecem na escola passam por um diálogo do que pode ser feito e o que pode ser melhorado para que se possa suprir as necessidades dos alunos”, detalha.

O seminário conta com a participação da ativista e pesquisadora Carla Akotirene, que ministrou a palestra magna sobre interseccionalidade, educação e redução das desigualdades e de palestrantes como a professora da Universidade Estadual do Ceará (Uece) Juliana Santana, a professora Sue Ellen, Najla Almeida, Neidyana Oliveira, Marleide Nascimento, Patrícia Adjokè, Indyra Cândido, Kalina Gondim, Thayná Colares, Andrea Rossati, Paulo Victor Loureiro e Luiz Rubens do Instituto Primeira Infância (Iprede).

Veja os temas:

  • Diálogo 01 (Auditório): Intelectuais negras e suas contribuições para a Educação Antirracista na Escola | Juliana Santana
  • Diálogo 02: Sankofa literária: uma experiência afrorreferenciada para a formação docente | Najla Almeida
  • Diálogo 03: Práticas pedagógicas de inclusão de estudantes com autismo na Educação Infantil | Liliana Dantas
  • Diálogo 04: Práticas inclusivas de alfabetização de estudantes com deficiência intelectual | Neidyana Oliveira
  • Diálogo 05: Afro-memórias de Fortaleza: o currículo em diálogo com a cidade | Marleide Nascimento, Patrícia Adjokè e Indyra Cândido
  • Diálogo 06: O papel da educação básica na prevenção da violência contra a mulher | Kalina Gondim
  • Diálogo 07: O eu, o outro e o nós: formação para a diversidade | Thayná Colares
  • Diálogo 08: Educação, direitos humanos e diversidade sexual | Andrea Rossati
  • Diálogo 09: Tecnologias educacionais para a inclusão de estudantes neurodivergentes | Paulo Victor Loureiro
  • Diálogo 10: A importância da ambiência sensorial para a inclusão | Luiz Rubens (Iprede)


No auditório, os professores puderam ouvir a professora Juliana Santana, falar sobre intelectuais negras e suas contribuições para uma educação antirracista e puderam ainda interagir e contar suas experiências.

Ao O POVO, Juliana conta que percebe que há o desejo de fazer uma escola inclusiva e diversa, mas que por vezes falta embasamento porque não havia fala sobre a intelectualidade negra.

“Por exemplo, quando eu estudava, eu não ouvia falar sobre intelectuais negras, e eu percebi no meu processo individual que, quando eu comecei a ler intelectuais negras, eu fiquei mais fortalecida e entendi melhor aquilo que eu passava. E quando a Prefeitura traz essa mesa de diálogo, acredito que o intuito seja falarmos que as intelectuais negras existem e mostrar quem elas são e o que sobre o que elas falam, então, quanto mais mostrarmos essa intelectualidade aos professores e aos alunos, mais a gente vai ter acesso as essas informações para a construção da escola antirracista”, detalhou.

Santana diz ainda que é importante falar sobre o tema porque se mostrar outros olhares sobre uma mesma história.

“A intelectual nigeriana, Amanda Adichie, fala sobre o perigo da história única e a gente sempre ouviu uma única versão da história. Então enquanto a gente conhecer apenas a história contada pelo povo brancos, sofreremos com os mesmos males. E falar sobre a intelectualidade negra nos proporciona ter outros pontos de vista, outras narrativas para que possamos nos projetar com mais empoderamento para o futuro”, explicou.

O que se planta no seminário, se aplica em sala de aula

As experiências e convivências no seminário permitem que os professores possam levar à sala de aula uma nova metodologia de ensino pensado na inclusão e na exposição a um cotidiano mais diverso.

A professora e mulher trans Mar Silva leciona para a educação infantil da rede municipal. Ela conta que foi para prestigiar o evento e pontuou que o seminário é importante para a construção de um novo imaginário em relação às possibilidades de ocupação da escola como espaço de poder para pessoas trans, pessoas negras, pessoas com deficiência e todos os discentes do sistema.

“Durante todo o processo de discussões em relação à população LGBTQIAPN+, falamos muito em relação ao apagamento dos locais que podemos acessar, principalmente pensando em nossa modernidade, além do apagamento da identidade. E falar sobre isso nesse seminário, pensar em pessoas ocupando esse espaço é pensar nessa identidade e isso é muito importante dentro desse cenário da construção de um novo mundo”, apontou.

Sabrina Ávila, que leciona para o ensino fundamental, disse que o evento é muito importante para que se tenha a oportunidade de abrir o olhar para que a sociedade seja mais inclusiva e mais digna.

“Nós somos diferentes mas não precisamos ser tratados de formas diferentes, mesmo sabendo que nem todos enxergam esse fato. Nós trabalhamos em sala de aula com as crianças que, às vezes, não se veem na sociedade e é necessário que a gente se veja, que a gente esteja, que a gente seja, porque é bom que a gente se mostre para sermos referência para estas crianças, já que aos poucos a gente consegue construir uma nova realidade”, disse.

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