Agrotóxicos urbanos estão contaminando os rios Cocó e Ceará, diz pesquisa
Semace explica que não monitora agrotóxicos na análise periódica da água dos rios. Maior risco seria para quem consome peixes pescados em leitos contaminados
Estudos feitos por pesquisadores da Universidade Federal do Ceará (UFC) mostram que o uso indiscriminado de agrotóxicos urbanos na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) tem afetado os rios Cocó e Ceará. Os pesticidas, geralmente utilizados no combate a pragas domésticas, como mosquitos, ratos e baratas, contaminam a água e os animais marinhos, conforme a pesquisa.
As principais substâncias encontradas foram cipermetrina, deltametrina, permetrina e malationa. Segundo o coordenador da pesquisa, o professor Rivelino Cavalcante, os compostos são utilizados sem monitoramento.
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“Esses compostos são usados para tudo. Para exterminar pragas domésticas, como barata, mosquito, cupim, formiga. Para se ter uma ideia, todo sabonete ou xampu antipiolho tem agrotóxico”, afirma.
As possíveis consequências dessa contaminação para o ser humano ainda são desconhecidas. A pesquisa indica que a presença desses agrotóxicos urbanos no rio não gera riscos prováveis para banhistas, mas para aqueles que consomem os peixes e mariscos da região.
“Não existem dados de risco de exposição para essas substâncias. As agências ambientais do mundo todo só tem esses riscos registrados para substâncias carcinogênicas. Não tem como a gente comparar nossos dados, não sabemos se os níveis estão altos ou baixos”, explica Rivelino.
Para o professor, é preciso melhorar o monitoramento do uso dessas substâncias. “Atualmente é usado sem método, sem controle. A população não tem ideia do risco”, diz o pesquisador do Instituto de Ciências do Mar (Labomar-UFC).
Os próximos passos da pesquisa envolvem entender como as substâncias são metabolizadas pelos animais marinhos e como se manifestam em um processo de cozimento. Além do Ceará, participam pesquisadores de outros estados do Nordeste.
Questionada sobre o estudo, a Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace) afirmou, por meio de nota, que não analisa agrotóxicos no monitoramento da água dos rios Cocó e Ceará. O acompanhamento de animais marinhos também não é feito.
“A Semace esclarece que realiza o monitoramento em 10 pontos fixos no Rio Cocó e 4 pontos fixos no Rio Ceará, sendo analisados mais de 20 parâmetros físico-químicos e um parâmetro bacteriológico, não contendo nestes os agrotóxicos. A Semace reitera seu trabalho em prol do meio ambiente no estado do Ceará, nas esferas de licenciamento, monitoramento e fiscalização, dentro do que lhe é solicitado ou demandado ”, diz o texto. (Com Agência UFC)