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"Gerentes" de facção criminosa são alvos de operação da Polícia Civil

O segundo escalão do Comando Vermelho foi mapeado após prisão de Valeska Pereira, a "Majestade"
17:43 | Nov. 19, 2021
Autor Jéssika Sisnando
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Jéssika Sisnando Repórter
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Tipo Notícia

Considerada a maior operação da Polícia Civil do Ceará (PCCE) contra uma só organização criminosa, a Anullare atua no cumprimento de 800 mandados judiciais, sendo 358 mandados de prisão e
455 de busca e apreensão. A ação é direcionada aos "gerentes" da facção criminosa que tem origem no Rio de Janeiro. No último balanço parcial, 186 pessoas que seriam o "segundo escalão" do Comando Vermelho no Ceará foram detidas nesta sexta-feira, 19.

Segundo o secretário da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), Sandro Caron, a investigação começou após a prisão da Valeska Pereira Monteiro, que era conhecida como "Majestade". Ela foi presa no mês de agosto no Rio Grande do Sul e era investigada por controlar a parte financeira da organização criminosa no Ceará. A moça tinha uma vida de luxo, ostentava nas redes sociais e passeava em Gramado quando foi detida. A partir dela, a Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) deu início a um mapeamento de outros integrantes do grupo criminoso. 

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A prisão de Valeska foi fundamental para o mapeamento do segundo escalão da facção criminosa
A prisão de Valeska foi fundamental para o mapeamento do segundo escalão da facção criminosa (Foto: reprodução/redes sociais )

O primeiro escalão do Comando Vermelho já havia sido preso em fevereiro durante a Operação Guilhotina, que também foi realizada pela Polícia Civil. A força-tarefa prendeu 16 pessoas e apreendeu 600 quilos de droga. Dois deles eram cearenses chefes do CV e atuavam no Ceará, no entanto eles moravam no Rio de Janeiro. A prisão dos indivíduos aconteceu após desembarcarem de avião no Pará.

Com o primeiro escalão preso, existia a possibilidade do segundo escalão ocupar esses cargos de chefia. De posse do mapeamento, a Polícia Civil começou a operação para deter os gerentes e enfraquecer o setor financeiro da organização. Os cumprimentos de mandados judiciais desta sexta aconteceram em Fortaleza e em outras 50 municípios do Ceará. Para Sandro Caron, o braço financeiro do grupo sofreu um "duro golpe", pois essas pessoas chefiavam pontos de drogas em bairros e em municípios cearenses. Elas não eram as pessoas que traficavam, mas que gerenciavam o narcotráfico.

Segundo o titular da Draco, delegado Klever Farias, com a prisão desses alvos vai ser dada continuidade nas investigações. Os pontos de venda droga foram identificados e a Polícia pretende quebrar a manutenção da venda de drogas. "Estamos com a investigação em curso e outras pessoas vão ser presas ao longo dos próximos dias", relatou.

A partir das prisões e do material apreendido na operação Anullare, a Polícia Civil vai realizar uma análise financeira e identificar contas bancárias e possíveis ações de lavagem de dinheiro, como compra de imóveis e empresas.

Segundo o delegado geral da Polícia Civil, Sérgio Pereira, a operação segue em curso e ainda existem alvos a serem localizados. "Alvos de confiança daquelas pessoas que foram presas em operações da Polícia Civil, que desarticulou quem estava na posição de comando. Isso traz uma abalo na estrutura da organização financeira. São pessoas responsáveis por homicídios, tráfico e expulsão de moradores", explica.

Sandro Caron parabenizou a ação da Polícia Civil e relatou que a principal forma de enfraquecer um grupo criminoso é elevar a prisão das lideranças e fazer as asfixia financeira. "É um duro golpe na atividade do narcotráfico. É cortado o recurso financeiro desse grupo e a Polícia Civil vai atrás de identificar onde estão dinheiro, se está em contas bancárias e se está lavado por meio de imóveis, veículos e empresas. E pedem medidas de sequestro desses bens. O próximo passo é a asfixia patrimonial, explica.

 

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