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Fortaleza
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Por que pessoas que moram perto de locais de vacinação são agendadas para longe de casa?

Secretaria Municipal da Saúde (SMS) informa que o agendamento da vacinação contra a Covid-19 ocorre de forma georreferenciada

15:06 | 20/04/2021
Em Fortaleza, a vacinação tem avançado nas faixas etárias progressivamente (Foto: Thais Mesquita)
Em Fortaleza, a vacinação tem avançado nas faixas etárias progressivamente (Foto: Thais Mesquita)

Fortaleza segue avançando no combate à pandemia da Covid-19. Na Capital, mais de 382 mil pessoas já receberam a primeira dose dos imunizantes; dessas, mais de 159 mil já foram contempladas com a segunda dose. Neste processo, um dos questionamentos mais feitos era sobre a escolha do local de vacinação, muitas vezes distantes da residência dos idosos.

"Eu moro no Conjunto Ceará, e minha primeira dose foi no Jardim Jatobá. Eu fui de carro, gastei uns 15 minutos, mas aqui no bairro tem um posto, são só uns 500 metros da minha casa. Recebi a mensagem pelo celular, não sei o motivo de ter sido tão longe. A minha segunda dose foi ainda pior, colocaram para o Cuca do José Walter, são uns 40 minutos de carro até lá, de ônibus é até mais", relata o motorista de aplicativo Antônio Coutinho, 64.

Coutinho explica que a situação tem sido recorrente no bairro onde mora. O motorista relata que alguns idosos estão deixando de receber a segunda dose por não comparecerem ao local agendado.

"Uma outra pessoa aqui da rua também pegou o Cuca da Barra do Ceará, falou que nem vai, pois não tem como ir. Pra mim, a distância atrapalha. Seria muito mais fácil me locomover no meu bairro, tive um problema de AVC agora, estou em casa. Muita gente está deixando de tomar a segunda dose por isso, a distância acaba dificultando", lamenta.

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A arquiteta e urbanista Amanda Barreto, 25, conta que também teve dúvidas quanto ao critério escolhido para o local de vacinação de sua mãe. As duas moram juntas no bairro Luciano Cavalcante, mas precisaram ir ao bairro Caça e Pesca, localizado a cerca de 11km de distância da residência.

"Praticamente todo mundo que eu conheço teve a vacinação marcada para próximo de onde mora, até mesmo familiares meus foram agendados para perto de casa, mas a minha mãe não, ela foi para um posto que é longe da nossa casa. Não sabemos qual foi o critério utilizado", relata a jovem.

A Secretaria Municipal da Saúde (SMS) informou que o agendamento da vacinação contra a Covid-19 ocorre de forma georreferenciada. Segundo a SMS, o sistema busca o local de vacinação mais próximo do endereço citado pelo cidadão, no ato do cadastramento. Entretanto, quando se excede o limite de cada local, outros são buscados para o acolhimento e aplicação do imunobiológico.

Ana Vasques, 68, foi uma das contempladas com um posto de vacinação bem próximo a sua residência. Moradora da Sapiranga, ela conta que em menos de 10 minutos chegou ao posto para ser vacinada.

"Como é posto, fomos no horário marcado. Chegando lá, encontrei poucas pessoas. Todo mundo seguindo o protocolo bem direitinho. Fui super bem atendida. Fica pertinho, na Sapiranga mesmo, não dá nem 10 minutos de carro, fui com a minha sobrinha", explica Ana.

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Já Sandra Vieira, 68, conta ter passado por uma situação distinta. Há mais de um ano sem sair de casa, ela relata a surpresa ao tomar conhecimento do local escolhido para sua vacinação.

"Eu tenho 68 anos, moro sozinha e fiz o cadastramento. Eu moro aqui na Aldeota e fui agendada para o Jangurussu. Quando eu vi, fiquei surpresa. Como eu iria para tão longe, se eu não estava saindo de casa há um ano? Antes eu já tinha pânico da violência, e agora tenho dois, da violência e da Covid-19. Eu procurei no Google e vi onde era, um posto lindo, cheio de árvores, mas que estava a 30 minutos de carro da minha casa", relata.

Sandra conta que cogitou a possibilidade de ir de táxi, mas tinha receio, já que o veículo é compartilhado por muitas pessoas durante o dia.

"Liguei para taxistas que me cobraram R$ 150. Eu até pensei que poderia pagar, mas entrar em um táxi em uma época dessa (de pandemia) não é aconselhado. Também liguei para o 156, número da prefeitura, o rapaz que atendeu foi super atencioso. Pediu para me acalmar e comecei a chorar, falei que não ia, porque não suportaria sair de casa, dirigindo, para um lugar tão longe", relata.

A SMS explica que a oferta de transporte gratuito para vacinação de idosos que não possuem veículo próprio, nos drives, teve início no dia 10 de fevereiro, e seguem disponíveis. Os idosos que desejam solicitar o serviço devem entrar em contato com a central telefônica 156, das 7h às 19h. Os atendimentos são realizados mediante agendamento do idoso.

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