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NOTÍCIA

Campanha pelo combate à violência sexual contra crianças e adolescentes realiza programação online

Parceria entre organizações alerta para aumento da violência doméstica e online no período de isolamento social

Lais Oliveira
15:04 | 18/05/2020
A campanha vai contar também com uma semana de programação especial no Futura e a exibição de episódios da série de animação
A campanha vai contar também com uma semana de programação especial no Futura e a exibição de episódios da série de animação "Crescer sem Violência/ Que Corpo é Esse?" (Foto: Divulgação/Futura)

A cada 15 minutos, uma criança ou adolescente sofre violência sexual no Brasil. O agressor é familiar ou conhecido da vítima em 77% dos casos, segundo dados da Safernet. No Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, 18 de maio, o projeto "Crescer sem Violência" promove campanha nas redes sociais, minicursos online e programação especial para conscientizar sobre os riscos que crianças e adolescentes correm nos ambientes doméstico e virtual.

A ação é uma parceria entre a Fundação Roberto Marinho - por meio do Canal Futura - a Childhood Brasil e a Unicef Brasil. A iniciativa é apoiada pelo Google, Facebook e Instagram.

Priscila Pereira, coordenadora da Fundação Roberto Marinho e responsável pelo projeto, alerta para uma subnotificação de casos relacionados ao abuso de crianças e adolescentes. As estimativas se tornam ainda mais preocupantes no contexto do isolamento social já que os criminosos são pessoas próximas à vitima, na maioria dos casos.

Para Priscila, outro ponto preocupante é o fato de a tecnologia estar sendo utilizada com maior abertura pelas crianças e jovens durante a quarentena. "Isso acaba abrindo portas para outra gama de formas de violência, como o aliciamento, o acesso a conteúdo pornográfico e outras questões ligadas aos crimes online. Por isso, nesse momento de isolamento social, a atenção precisa de ser redobrada sobre esse olhar protetivo", considera.

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Dicas, minicursos e série

A campanha do "Crescer sem Violência" promoverá, com a hashtag #EmCasaSemViolência, uma mobilização nas redes sociais, com nove dicas para proteger as crianças dentro de casa e os caminhos para denunciar abusos. As peças serão veiculadas nas redes sociais do Futura e de seus parceiros a partir das 18 horas desta segunda-feira, 18.

Além disso, vão ser publicados, no site do canal, minicursos online sobre o enfrentamento a diferentes tipos de violências contra crianças e adolescentes, em parceria com o Unicef. Os cursos tem temáticas específicas com orientações sobre as diferentes formas de abuso e exploração sexual.

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Programação especial

A campanha vai contar também com uma semana de programação especial no Futura, que inclui a exibição de episódios da série de animação “Crescer sem Violência/ Que Corpo é Esse?”.

Na produção audiovisual, as situações vividas pelos personagens ajudam crianças, adolescentes, famílias ou educadores a refletir, de forma lúdica, sobre a importância da autoproteção, do diálogo aberto, do conhecimento do próprio corpo e do respeito.

Uma nova temporada da série será exibida no ano que vem no canal Futura. A estreia está prevista para o Dia da Internet Segura, em fevereiro de 2021.

Projeto Crescer sem Violência

O projeto "Crescer Sem Violência" nasceu em 2009, fruto de uma cooperação entre a Childhood Brasil, a Unicef Brasil e o Canal Futura, com o objetivo de enfrentar diferentes formas de violência sexual contra crianças e adolescentes no Brasil aliando produção audiovisual com metodologias de formação de profissionais que atuam na causa.

A iniciativa está presente em 465 municípios do País, atingindo mais de 170 mil pessoas. Entre as ações realizadas estão a capacitação de educadores e profissionais da rede de proteção à criança e ao adolescente e a distribuição de material pedagógico formando uma grande rede de mobilização. O projeto conta ainda com três séries audiovisuais: “Que Exploração É Essa?”, “Que Abuso É Esse?”, “Que Corpo É Esse?”.

Sobre o dia 18 de maio

O Dia de Combate à Exploração Sexual de Crianças foi instituído em memória ao "Caso Araceli”, ocorrido em Vitória (ES) em 1973, que teve repercussão nacional. A menina Araceli Cabrera Crespo tinha oito anos quando foi raptada, estuprada e morta por jovens influentes da cidade. O crime hediondo segue impune até hoje, 47 anos depois.

Serviço

Confira a programação completa e as iniciativas do projeto "Crescer sem Violência" no site do canal Futura https://www.futura.org.br/emcasasemviolencia

Denúncias de crimes sexuais podem ser feitas pelos telefones: 

100 - Disque Denúncia do Ministério Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MFDH) válido para todo o Brasil

181 - Disque Denúncia da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Estado (SSPDS)