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Fortaleza
NOTÍCIA

Paredões de som após festas de Pré-Carnaval causam transtornos; Prefeitura promete fiscalizar

Kamilla Vasconcelos
21:00 | 04/02/2020
Público acompanha o segundo fim de semana de Pré-Carnaval na Praça da Gentilândia
Público acompanha o segundo fim de semana de Pré-Carnaval na Praça da Gentilândia (Foto: Beatriz Boblitz)

O Ciclo Carnavalesco 2020 tem sido de intensos festejos mas também de grandes transtornos para a população fortalezense. Após o segundo fim de semana de Pré-Carnaval, algumas ocorrências foram registradas em pelo menos dois polos oficiais, o do Benfica e o do Mercado dos Pinhões. Além dessas localidades, também foram registrados incidentes no Centro Cultural Dragão do Mar, em programações não oficiais.

Os transtornos causados por essas festas, nas proximidades do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, na Praça Almirante Saldanha, ocasionaram o fechamento do local no último dia 1º. Em nota, o equipamento citou ainda que o “centro de arte e cultura também passa por reforma, o que o impede de receber qualquer excesso de público”.

Nos polos oficias, furtos, apreensões de paredões, roubos e prisões foram registradas. Os incidentes resultaram na elaboração de um abaixo assinado, organizado por moradores da região do Benfica, denunciando que a festa continua após o horário oficial de encerramento. De acordo com a população, o documento será entregue ao Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) ainda neste mês.

Morador do bairro há 44 anos, Alex, 52, que não quis identificar o sobrenome, é um dos inquilinos que se sente prejudicado com os ocorridos na região. Segundo ele e outros moradores, a principal reclamação é que mesmo após o término oficial do Pré-Carnaval, por volta de 22h, os paredões de som permanecem ligados até, pelo menos, 6h da manhã. Ainda de acordo com Alex, outro vestígio deixado pelos foliões e vendedores é a sujeira nas ruas e calçadas. “Até 2014/2015 você tinha esses mesmos eventos. Inclusive aqui era famoso pelo Sanatório Geral, aos domingos. Vinham muitas famílias, muitas pessoas de bem de todas as partes da cidade para curtir. E, nós moradores, entravamos na festa. Porque a gente achava um ambiente bom, saudável e seguro. E o que aconteceu, a impressão que dá, é que de 2016 pra cá o Benfica ficou mais ou menos conhecido como um bairro sem lei e sem ordem. E eu não sei até que ponto o crescimento desses bares agora, que atendiam por noite 50/100 pessoas e hoje atendem 500/1.000 pessoas cada noite, contribuiu com essa ideia de que aqui é uma zona meramente de lazer, que aqui não tem morador e nenhum tipo de fiscalização do Estado”, desabafa.

No abaixo assinado, explica Alex, o pedido é cessar todo tipo de festa na Praça da Gentilândia e transferir os eventos para outros locais da Capital. “Por que um lugar como a Cidade Fortal fica ocioso, quando é ideal para esse tipo de vento? Tem que ser um lugar para que quem quiser fazer até 6h da manhã, faça. Mas vai afetar somente aqueles pessoas que estão lá”, explica o professor.

Em coletiva de imprensa na manhã desta terça-feira, 4, a Prefeitura de Fortaleza, além de divulgar a programação e o plano operacional para o Carnaval 2020, também se comprometeu em reforçar a segurança no Pré-Carnaval do Benfica e do Mercado dos Pinhões.

De acordo com o tenente coronel Vandicles Sérgio, da Polícia Militar, o evento tem sido tranquilo de modo geral e a maioria das ocorrências está relacionada à poluição sonora e a alguns casos de furtos isolados. “Os polos do Benfica e Mercado dos Pinhões terão atenção especial. As pessoas se alongam um pouco na bebida e no uso de paredões, mas nós vamos planejar ações no sentido de orientação e de prevenção e, se for o caso, de repressão”, afirma. De acordo o prefeito Roberto Cláudio, a maior parte dos problemas registrados no Pré-Carnaval são "quase todos por excessos pessoais”.

Para Gilvan Paiva, titular da Secretaria Municipal da Cultura de Fortaleza (Secultfor), os transtornos não podem ser vistos de modo isolado, como provenientes do Carnaval, mas sim como problemas comuns a toda a Cidade. O secretário acrescentou que a maior dificuldade está no pós-evento. Isso porque, depois que a festa acaba, algumas pessoas insistem em prorrogar a folia por conta própria e a dispersão tende a ser mais lenta. Ele garantiu também que a pasta está em constante diálogo com a Polícia Militar, a Agência de Fiscalização de Fortaleza (Agefis) e outros órgãos da Prefeitura para acompanhar a situação.

Em nota, a Agefis informou que foram apreendidos quatro paredões de som, neste domingo, 2, no bairro Benfica. Essa foi a quinta apreensão do tipo na região em duas semanas. O órgão esclareceu ainda que após as 22 horas abordou pessoas com caixas de som portáteis e forneceu orientações sobre o limite volume de som permitido no período. Houve, ainda, autuações relacionadas a comércio ambulante irregular, além da apreensão de cadeiras e mesas por obstrução de calçada. A agência conta com um efetivo de 55 fiscais e 165 auxiliares atuando em todos os polos do Ciclo Carnavalesco de Fortaleza.