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Fortaleza
NOTÍCIA

Após obra do novo aterro na Praia de Iracema, banhistas dizem que mar ficou mais violento

Principal ponto de reclamação é o espigão da avenida Rui Barbosa. Na manhã desta segunda, 30, O POVO circulou pela orla e conversou com frequentadores

13:17 | 30/12/2019
Placas sinalizam profundidade das águas na Praia de Iracema após as obras
Placas sinalizam profundidade das águas na Praia de Iracema após as obras (Foto: Gabriela Feitosa/ Especial para O POVO)

Pouco depois das 9 horas, banhistas, atletas, crianças e comerciantes já tomavam conta da Praia de Iracema. Quem frequenta o local há mais tempo garante, no entanto, que o movimento era ainda maior. Hoje, poucas pessoas se arriscam a entrar nas águas do mar fortalezense que, devido às obras de urbanização e requalificação da Beira Mar, tornou-se mais profundo.

O cenário antigo de tranquilidade e diversão deu espaço para acidentes recorrentes e dúvidas de como será o futuro. A situação fica ainda mais intensa quando o contexto de festas do fim de ano surge. “Vai ser o Réveillon da tragédia”, desabafa Luiz Façanha, que trabalha na praia há sete anos vendendo água de coco e outras bebidas em um ponto comercial na avenida.

Para ele, a preocupação não é somente econômica, mas também a de garantir a segurança dos banhistas. “Essa praia é do pessoal que nada, faz esporte, família na semana. Hoje, acabou isso. Estão com medo de nadar aqui. Depois que fizeram (a obra), umas três pessoas se afogaram. Semana passada, a maré jogou uma turista na areia e ela quebrou o pé”, relata.

O homem trabalha próximo ao trecho mais reclamado por banhistas ao O POVO: o espigão da rua Rui Barbosa. Em coletiva de imprensa sobre o plano de operacionalidade para o Réveillon, que aconteceu no último dia 27, o titular da Secretaria Regional II, Ferruccio Feitosa, garantiu que o mar estava tranquilo para banho. O POVO entrou em contato por telefone com a assessoria e aguarda resposta.

Luiz conta que ele e outros comerciantes chegam a alertar o público sobre o perigo da praia. Suas vendas caíram pelo menos 60%, como estimou. Pessoas que iam para nadar, praticar esportes ou somente curtir a praia, quase não vão mais, segundo Luiz, que também se preocupa com o público do Réveillon. “Ninguém está fazendo nada para ter cuidado com o público. Esse Réveillon vai ser o Réveillon da tragédia", finaliza.

Conforme a Regional II informou ao O POVO, cerca de 650 mil turistas devem passar por Fortaleza nesta alta estação entre dezembro de 2019 e fevereiro de 2020
Conforme a Regional II informou ao O POVO, cerca de 650 mil turistas devem passar por Fortaleza nesta alta estação entre dezembro de 2019 e fevereiro de 2020 (Foto: Gabriela Feitosa/ Especial para O POVO)

>> No início da alta estação, frequentadores e comerciantes lidam com transtornos das obras na Beira Mar

A preocupação é compartilhada por Fátima Santos, também dona de um ponto comercial - esse localizado logo à frente do espigão. “Piorou bastante. Está muito perigoso o banho de mar. Ficou muito fundo. O mar ficou muito distante. Por enquanto, é só prejuízo, vamos ver quando acabar”, afirma.

Fátima trabalha na praia há 15 anos e também compartilhou suas frustrações em relação às mudanças que aconteceram devido a obra, como a vinda da feira noturna e de ambulantes para o que antes era conhecido como “Point do Coco”. “A gente está trabalhando para não ficar parado. Eu preciso trabalhar”, desabafa.

Maria José Fernandes, que mora próximo à praia e costuma ir quase todos os dias, conta ter “adorado” o serviço, mas também reclamou do espigão da Rui Barbosa. “O mar ficou muito bravo. Antigamente, isso aqui era um ‘piscinão’, todo mundo tomava banho com a maior tranquilidade”, diz.

A empresária estava na praia com seu filho e três netos, de quem não deixava de pegar na mão nenhum instante. “Deveriam colocar aquelas cabines de salvamento. Nós já salvamos três moças que não sabiam nadar. Elas não tinham ideia de que ficou tão fundo”, relata Maria José sobre um incidente há 15 dias.

Existem algumas placas espalhadas na orla alertando sobre a profundidade das águas, mas não foram vistos, durante apuração na manhã desta segunda, 30, muitos pontos de salva-vidas ou outros tipos de apoio. “Amanhã deveria ter mais fiscalização. Eu gostei da engorda que eles fizeram, mas a natureza tem que ser respeitada”, pede Maria José.

Michelle Mota, que também havia levado crianças para a praia, achou o mar mais agitado no trecho em frente à farmácia Pague Menos. “A areia parece que está mais solta. Não sei se tem a ver com as obras ou é o próprio mar que está agitado”, indagou. Ela costuma ir a um ponto perto do espigão, mas escolheu mudar dessa vez. “Não sei se lá está próprio para banho”.

Quem também estranhou a cadência do mar foi Jocélia Costa. Ela estava bem ao lado do espigão e disse evitar entrar no mar - diferente do filho que se aventurava. Ela até deu um mergulho, mas se arrependeu. “Tomei mais banho de areia do que de mar”, disse. 

Ao O POVO, a Guarda Municipal de Fortaleza (GMF) garantiu que a fiscalização durante a virada será reforçada. “A gente vai iniciar o plantão (na manhã do dia 31) a partir de 8 horas com cinco guarda vidas. A partir das 17 horas, serão 11 guardas vidas”, explica o diretor adjunto da Guarda Municipal de Fortaleza, inspetor Marcílio Távora.

Ele também fala sobre outras ações da GMF na cidade, como o isolamento da área de fogos desde o dia 27 e o apoio de 120 agentes durante a festa. Já no dia 1°, o órgão também irá dar suporte à limpeza da praia.

Marcílio admitiu que as obras modificaram a dinâmica da área costeira e de banho, tornando o mar “mais forte”. “Ela está bem abrupta. Já passa ali da areia e vai para uma área mais funda. A gente está redobrando a atenção com o nosso efetivo que existe lá”, garante. Eles estão avisando aos banhistas para evitar a área até o período que tiver “se acomodado todo o sedimento depositado ali”. 

Marcílio também alertou para que banhistas evitem entrar no mar na noite de Réveillon.

Obras na Praia de Iracema

As obras em curso tratam da urbanização e requalificação da Beira Mar, que prevê o avanço do aterro em 80 metros em direção ao mar, além de dragagem, drenagem e várias outras ações que estão acontecendo simultaneamente em vários trechos.

Com início em agosto de 2018 e previsão de término em agosto de 2020, cerca de 40% do projeto já foi concluído, de acordo com Secretaria Municipal da Infraestrutura (Seinf).

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