Jovens no Nordeste são os mais afetados pela informalidade, aponta estudo
Levantamento inédito apresentado pelo Ministério do Trabalho em evento do CIEE mostra avanço na empregabilidade jovem, mas destaca que 60% deles, na Região, continuam em empregos informais e mais expostos à automação
12:46 | Abr. 30, 2025
Mesmo com a redução do desemprego entre jovens no Brasil, o Nordeste continua sendo uma das regiões mais vulneráveis no mercado de trabalho para quem tem entre 14 e 24 anos.
Segundo dados apresentados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), durante a primeira edição ESG do evento “Empregabilidade Jovem Brasil”, realizado pelo CIEE, 60% dos jovens nordestinos ocupam empregos informais.
Ou seja, estão sem carteira assinada nem acesso a direitos trabalhistas, além de este ser o maior índice do País.
O levantamento, divulgado na terça-feira, 29, revela que o desemprego entre jovens caiu de 25,2% em 2019 para 14,3% em 2024, com o total de desempregados reduzindo de 4,8 milhões para 2,4 milhões.
Ainda assim, a redução foi mais lenta no Nordeste, mostrando que os avanços não chegaram de forma igualitária ao território nacional.
Com 29% da juventude brasileira residindo aqui, a Região também concentra uma proporção significativa dos chamados “nem-nem”, jovens que não estudam nem trabalham. Em 2024, esse grupo totalizava 5,3 milhões no Brasil, a maioria mulheres com filhos pequenos.
Outro ponto de alerta é que grande parte dos jovens nordestinos está em funções de baixa qualificação e baixa remuneração, como auxiliar de escritório, operador de caixa e atendente.
São exatamente essas ocupações que estão entre as mais ameaçadas pela automação e pelo avanço da inteligência artificial (IA). Sem escolarização técnica e apoio para transição profissional, esses jovens correm o risco de exclusão ainda maior.
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Apesar dos desafios, há sinais positivos. O número de estagiários aumentou significativamente, passando de 642 mil em 2023 para 990 mil em 2025, sendo 64% mulheres e 75% com nível superior completo ou em curso. O programa de aprendizagem também avança, com 633 mil jovens inseridos no início de 2025.
Durante o evento, representantes de fundações e empresas reforçaram que investimentos sociais precisam considerar as diferenças regionais. A Fundação Sicredi, por exemplo, destinou R$ 75 milhões para projetos locais em 2024, com foco em necessidades específicas de cada região. “As necessidades do Nordeste nem sempre são as do Sul. É preciso escutar os territórios”, afirmou Keila Rodrigues, da Fundação.
O MTE e o CIEE reforçaram que programas como Pé de Meia, Escola do Futuro e EJAs Profissionalizantes têm potencial para reduzir as desigualdades educacionais e de empregabilidade no Nordeste, desde que conectem formação técnica e oportunidade real de trabalho.
Em um cenário de mudanças aceleradas trazidas pela IA, o maior risco para o Nordeste é ficar para trás, não por falta de potencial, mas por falta de políticas adaptadas à realidade local. O recado do evento é claro: é preciso investir onde o impacto social é mais urgente. E esse lugar, hoje, é o Nordeste.