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Invasão da Rússia à Ucrânia: sanções comerciais podem agravar inflação global

Até o começo da tarde desta quinta-feira, 24 de fevereiro, Alemanha, Reino Unido e Estados Unidos já anunciaram sanções comerciais à Rússia
12:58 | Fev. 24, 2022
Autor Alan Magno
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Alan Magno Estagiário de jornalismo
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Tipo Notícia

Em resposta à invasão da Rússia à Ucrânia, demais países do mundo se posicionam para tentar dar fim ao conflito militar, sendo as sanções econômicas uma das estratégias usadas. Medida busca forçar o fim do embate militar. Ação, porém, além de impactar a Rússia, pode gerar aumento da inflação global, encarecendo produtos e serviços ao redor do mundo. 

Entre as nações que já se pronunciaram sobre a adoção de sanções econômicas à Rússia, devido ao ataque à Ucrânia que teve início na madrugada desta quinta-feira, 24 de fevereiro, estão grandes potências econômicas como Estados Unidos, Alemanha e Reino Unido. Cada medida representa ações distintas com proposito de fragilizar a economia russa para que o presidente do país, Vladimir Putin, adote uma solução diplomática para o conflito. 

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Joe Biden, o democrata presidente dos Estados Unidos, divulgou ainda nessa quarta, 23, após a confirmação de que a Rússia daria início à invasão da Ucrânia, que assinou uma Ordem Executiva. Dentre outros pontos, a medida proíbe qualquer cidadão ou empresa americanos de financiar, realizar ou facilitar transações financeiras com pessoa física ou empresa das regiões de Donetsk e Lugansk.

As duas localidades são áreas separatistas da Ucrânia e reconhecidas como independentes pela Rússia. O presidente americano pontua ainda que sanções mais severas poderão ser implementadas caso a Rússia insista no conflito armado. A transação comercial de importação ou exportação, seja de bens, produtos, serviços ou investimentos entre os Estados Unidos e as duas regiões também estão proibidas. 

Na Europa, as sanções foram direcionadas contra cinco bancos e dois dos homens mais ricos da Rússia, sendo eles: Rossiya, IS Bank, General Bank, Promsvyazbank e Black Sea Bank; e os bilionários Boris e Igor Rotenberg e Gennady Timchenko. Todas as entidades financeiras, bem como os magnatas e empresas dos mesmos, declaram apoio político e econômico a Putin. 

A Alemanha, em resposta aos ataques da Rússia à Ucrânia, suspendeu o acordo para implementação do gasoduto russo Nord Stream 2. O equipamento, de origem russa, passa por boa parte do território da Ucrânia, adentrado pela Alemanha até a capital do País, Berlim. A construção é alvo de disputa política e econômica, pois, caso inicie as operações, fará com que a Rússia se torne o maior fornecedor de gás natural para a Europa, superando os Estados Unidos e colocando toda matriz energética da União Europeia dependente dos serviços russos. 

Ricardo Pinheiro, engenheiro de petróleo e diretor da RPR Engenharia e Consultoria, explica que o bloqueio comercial imposto à Rússia afetará toda a cadeia econômica mundial, especialmente as atividades ligadas ao setor de combustíveis e energia, mas também a alguns segmentos alimentícios, como o de trigo e derivados.

Atualmente, o Produto Interno Bruto (PIB) da Rússia depende diretamente da exportação de petróleo, combustíveis, derivados do setor energético e outras commodities, assim, qualquer interrupção nessas vendas afetam a Rússia, mas geram desiquilíbrio na oferta de tais produtos no mercado internacional. 

"Não é interessante para os Estados Unidos perderem o controle do mercado de gás natural na Europa para a Rússia, isso fortalecia muito a Rússia e afeta o cenário geopolítico mundial, mas com as relações comerciais entre os países europeus, qualquer embargo se propaga entre os acordos econômicos e se espalha muito rapidamente pelo mundo", pontua Ricardo.

Além disso, com cada vez mais países tomando partido na crise, as bolsas de valores, o mercado internacional de petróleo e os principais segmentos de exportação e importação dos países passam a entrar, indiretamente, no conflito, sofrendo com cenários de instabilidade e inflação de preços. 

"Em qualquer país cuja influência do dólar seja muito forte, esse contexto macroeconômico mundial gerará um encarecimento de produtos em larga escala. No Brasil, temos uma política de preços de paridade com o mercado internacional, uma inflação acumulada em um patamar já elevado, assim, devemos sofrer o triplo desses impactos", complementa Ricardo. 

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