Justiça do Ceará condena chefe do PCC em Independência a 19 anos de prisão
Grupo de WhatsApp "Racha dos Amigos" era usado por criminosos do PCC para articulação de crimes e do tráfico de drogas no Ceará
A Justiça condenou 11 integrantes da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) com atuação no município de Independência, na região dos Inhamuns, no Ceará. Entre os condenados está um dos chefes do PCC da região.
A decisão proferida na quarta-feira, 7, é resultado da Operação Vesúvio, deflagrada após a descoberta de uma extensa rede de comunicação da facção criminosa via WhatsApp.
Conforme a sentença obtida pelo O POVO, Marcos Vinícius Pereira da Silva, conhecido como "Faixa Preta" ou "Quebra Coco", apontado como o "Geral dos Menores" no Estado, foi condenado a 19 anos, 2 meses e 22 dias de prisão pelos crimes de integrar organização criminosa, tráfico de drogas e associação para o tráfico.
O inquérito policial, conduzido pela Delegacia Municipal de Independência, foi iniciado após uma denúncia anônima sobre uma adolescente que transportava armas numa motocicleta para dois homens, sendo Marcos Vinícius, o Faixa Preta, e Antônio Olavo Rodrigues, o Cumpade Olavo.
Conforme os autos, em maio de 2024, uma vítima de tentativa de homicídio revelou ter sido procurada pelo grupo para uma "prestação de contas" a mando de Marcos Vinícius.
Depois do cumprimento de mandados de busca e apreensão, a Polícia teve acesso ao celular de "Faixa Preta". A quebra do sigilo telefônico revelou a existência do grupo "Racha dos Amigos", onde eram coordenados batismos, escalas de plantão de venda de drogas e punições.
Segundo a investigação, Marcos Vinícius exercia a função de "Sintonia Geral" do PCC e coordenava ações de crianças e adolescentes na estrutura do crime.
Absolvição de réus por falta de provas
Os réus Antônio Felipe Martins Meneses, "Lobo", Carlos Vinícius Martins Meneses e Francisco Neivan Sousa, "Neyvistar", foram condenados por integrar organização criminosa, mas absolvidos das acusações de tráfico de drogas e associação para o tráfico.
O juiz entendeu que, embora fizessem parte da facção, não havia provas materiais suficientes nestes autos que os ligassem diretamente à venda de entorpecentes.
Já Maria Lara Ferreira de Araújo, "Filha do Rey", foi condenada por organização criminosa, mas teve o processo de tráfico extinto por já responder pelo mesmo crime noutra ação.
A defesa técnica de Felipe Martins, representada pelo advogado criminalista Taian Lima Silva informou, por meio de nota oficial emitida nesta quinta-feira, 8. O advogado celebrou as absolvições parciais, mas informou que recorrerá da condenação mantida.
"Ainda que a defesa técnica tenha sido parcialmente acolhida, no sentido de absolver o constituinte de 2 acusações, estamos irresignados com a condenação. Será interposto Recurso de Apelação para o Tribunal de Justiça do Ceará, oportunidade em que demonstraremos a insuficiência de provas para manter a sentença de piso."
Outros nomes citados na Operação Vesúvio, como Márcia Maria Carvalho Moreira, Ednaldo dos Santos, "Bruxo" e Vilmar Alves, respondem em processos separados.
Segundo o inquérito, Márcia atuava como "olheira", monitorando a Polícia nos bairros Santa Rita e Cohab 2, além de gerir um "plantão noturno" de venda de crack e armazenar drogas. Na residência da acusada foram apreendidos oito quilos de maconha. A situação destes réus será definida em julgamentos posteriores.