Ceará ocupa o 1° lugar do Brasil em identificação de pessoas desaparecidas

Ceará ocupa o 1° lugar do Brasil em identificação de pessoas desaparecidas

No ultimo ano, foram 28 identificações por DNA de familiares e restos mortais, além de nove casos esclarecidos com perfis de condenados
Atualizado às Autor Lara Vieira Tipo Notícia

O Ceará, por meio da Perícia Forense do Estado (Pefoce), registrou o maior número de identificações de pessoas desaparecidas no Brasil, a partir do banco de perfis genéticos. O dado consta no relatório técnico de novembro de 2025 da Rede Integrada de Bancos de Perfis Genéticos (RIBPG), vinculada ao Ministério da Justiça.

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No período de um ano, entre outubro de 2024 e outubro de 2025, a Pefoce realizou 28 identificações com a comparação de DNA entre familiares de pessoas desaparecidas e restos mortais sem identificação.

Outros nove casos foram esclarecidos a partir do cruzamento genético entre restos mortais e perfis de pessoas condenadas registrados no banco de dados. Com os índices, o Ceará fica na frente de estados como São Paulo e Mato Grosso. 

O trabalho é desenvolvido pelo Núcleo de Perícia em DNA Forense (NUPDF). A unidade atua na identificação de pessoas por meio do cruzamento genético entre familiares de desaparecidos e restos mortais sem identificação, além de pessoas vivas não identificadas.

Segundo o órgão, o destaque se deve ao processo de modernização e ao reforço estrutural pelos quais a Pefoce passou nos últimos anos. Houve ampliação do quadro de servidores, com a entrada de novas turmas de peritos e auxiliares por meio de concursos públicos, além de avanços tecnológicos.

Nos últimos meses de 2024, a Pefoce adquiriu um analisador genético Spectrum, equipamento único no país dentro da RIBPG. “É um equipamento muito sensível, rápido e robusto, que faz toda a diferença, especialmente em amostras difíceis, como ossadas ou corpos em avançado estado de decomposição”, explica Samyra Brasil, perita legista e coordenadora dos Laboratórios Forenses da Pefoce.

O Ceará também se destaca pela rapidez na resolução dos casos. De acordo com um diagnóstico do Grupo de Trabalho sobre Informações Periciais (GT-INFOPER), do Conselho Nacional de Dirigentes de Polícia Científica (CONDPC), o estado é o que atua em menor tempo na identificação de pessoas.

“Em média, em até 10 dias já estamos identificando. Quando há confronto com material genético de familiares, damos prioridade máxima e conseguimos entregar o corpo à família em três, quatro ou cinco dias, dependendo do estado da amostra”, diz Samyra Brasil.

Conforme a perita, quando um corpo dá entrada no órgão sem identificação e não é possível identificá-lo pela papiloscopia, técnica baseada nas impressões digitais , o material genético é processado e inserido no banco estadual de perfis genéticos. “Esse banco se comunica com todos os outros estados do país, o que permite o cruzamento com dados de todo o Brasil”.

O trabalho tem impacto direto na segurança pública e na justiça, com atuação integrada à Delegacia de Pessoas Desaparecidas. “Criamos grupos de trabalho e novos fluxos para tornar o processo mais rápido. A delegacia está sempre em contato conosco, e isso permite que a investigação avance e o caso seja encerrado”, explica Samyra.

Para a sociedade, o impacto se dá principalmente para as famílias. “Elas passam a ter respostas sobre o que aconteceu com seu familiar. Essa resposta pode não vir da melhor forma possível, mas permite o encerramento de um ciclo, o que ajuda a amenizar um sofrimento que, muitas vezes, se prolonga por anos”, diz.

Além dos casos de óbito, o trabalho também alcança pessoas vivas não identificadas, como aquelas que se encontram ou vivem em abrigos, hospitais e instituições de longa permanência. Atualmente, a Pefoce mantém um cadastro de quase 100 pessoas vivas não identificadas.

“Nós orientamos as famílias a procurarem a Pefoce. Muitas vezes, elas têm receio de buscar o serviço por medo de encontrar o familiar morto. Mas é importante destacar que o banco não serve apenas para esses casos”, destaca.

Conforme o Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (SINESP), o Ceará registrou em 2025 2.376 pessoas desaparecidas, uma média desete pessoas desaparecidas por dia.

Familiares que estejam a procura de uma pessoa desaparecida são encorajados a se dirigir a uma unidade da Pefoce levando documento oficial de identificação com foto e, sempre que possível, informações sobre a pessoa desaparecida, como nome completo, data de nascimento, local e data aproximada do desaparecimento.

Não é necessário levar exames ou documentos médicos. A coleta do material genético é simples, indolor e feita por meio de swab bucal (cotonete na parte interna da boca). O serviço é gratuito e os dados passam a integrar o banco de perfis genéticos, que se comunica com sistemas de outros estados, ampliando as possibilidades de identificação.

Confira os núcleos da Pefoce na Capital e Interior:

Perícia Forense do Estado do Ceará (PEFOCE - Sede Fortaleza)
Endereço: Avenida Presidente Castelo Branco, 901, Moura Brasil – Fortaleza/ CEP: 60010-000
Telefone: (85) 3101.4900

Núcleo de Perícia forense da Região Sul – Juazeiro do Norte
Endereço: Avenida Tenente Raimundo Rocha, s/n, Planalto / CEP: 60.040-360
Telefone: (88) 3571.7018 / (88) 3571.5307

Núcleo de Perícia Forense dos Sertões de Canindé
Endereço: Avenida Francisco Cordeiro Campos, 912, Centro / CEP: 62.700-000
Telefone: (85) 3343.6940

Núcleo de Perícia Forense dos Sertões dos Inhamuns – Tauá
Endereço: Expedito Zacarias, S/N, Manoel Mota – Tauá CEP: 63.660-000
Telefone: (88) 3437-3651

Núcleo de Perícia Forense da Região do Vale do Jaguaribe – Russas
Endereço: Tabuleiro da Vaquejada, CE 356, Russas – Ce. 62900-000
Telefone: (88) 3311.8095 / (88) 3411-8089

Núcleo de Perícia Forense dos Sertões de Crateús
Endereço: BR-226, 796-a – Venâncio, Crateús / CEP: 3700-000
Telefone: (88) 6391-4527

Núcleo de Perícia Forense da Região Norte – Sobral
Endereço: Avenida Jonh Sanford, 2895, Nossa Senhora de Fátima / CEP: 62.034-001
Telefone: (88) 3614.5485

Núcleo de Perícia Forense da Região Central – Quixeramobim
Endereço: Rua alto do Boqueirão, s/n, Centro / CEP: 63.800-000
Telefone: (88) 3441.1641

Núcleo de Perícia Forense da Região Centro Sul – Iguatu
Endereço: Rua João Pessoa, nº 358, Centro – Iguatu CEP: 63.500-000
Telefone: (88) 3581-7469

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