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"Me pego na janela olhando se vejo o carro chegar", relata esposa de motorista morto por assaltantes

Na terça-feira, 5, faz um mês que o motorista morreu. Ele foi queimado vivo pois os assaltantes pensavam que se tratava de um policial. A esposa relata que agora cumpre o papel de pai e mãe após a morte de Hilker

Jéssika Sisnando
08:00 | 04/01/2021
O ex-militar da Força Aérea estava atuando como motorista de aplicativo quando foi morto por assaltantes  (Foto: arquivo pessoal )
O ex-militar da Força Aérea estava atuando como motorista de aplicativo quando foi morto por assaltantes (Foto: arquivo pessoal )

"Às vezes eu acho que a qualquer momento ele vai chegar. Na maioria das vezes me pego na janela da sala olhando se vejo o carro chegar". Esse é o relato de Gleycyane Araújo, de 27 anos, que completaria três anos de casada com José Hilker Assunção de Sousa, de 28 anos, no entanto, a vida do casal, pais de uma criança de dois anos e cinco meses, foi interrompida pela violência. Hilker era motorista de aplicativo e ex-militar da Força Aérea. Ele teve o corpo incendiado por criminosos. Na terça-feira, 5, faz um mês da morte dele. O profissional foi vítima de latrocínio (roubo seguido de morte). Os assaltantes pensavam que o rapaz era policial por terem encontrado fotografias dele com vestimentas militares.

No dia 21 de novembro, Hilker saia para trabalhar como de costume. Gleycy relata que ele fez uma chamada de vídeo às 17 horas, pois a casa estava em obras e ele queria acompanhar o serviço. Foi a última vez que ela conversou com o marido. Ele pegou uma corrida em Caucaia e foi abordado por assaltantes que o incendiaram. Hilker foi levado para o Instituto Doutor José Frota (IJF), onde sobreviveu por duas semanas. Ele reagia bem a medicação, mas no dia 4 de dezembro teve uma piora.

Os responsáveis pelo crime foram identificados. Três adolescentes e uma mulher foram detidos. Os suspeitos de 13 e 16 anos de idade responderam ao ato infracional similar ao de latrocínio e receberam a medida de internação de três anos. Agora, a família da vítima aguarda o julgamento da mulher, mas não há data prevista. Na ação, ela era a responsável por chamar o veículo por aplicativo para que os adolescentes realizassem o roubo.

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Quando Hilker foi internado, os amigos fizeram uma campanha para ajudar a família dele, no entanto, com o falecimento e o passar dos dias, as doações têm ficado escassas. A viúva de Hilker ainda sonha em terminar a casa que está em construção.

Para a dona de casa, a dor é diária. "Algo que eu nunca vou superar. Estávamos juntos há seis anos e iriamos fazer dia 20 de janeiro os três anos de casados. (...) Pensar em tudo o que tínhamos planejado para esse ano, cada detalhe da nossa casa, cada planejamento. Eu estou aqui mesmo com essa dor que carrego no peito. Hoje eu faço papel de mãe e pai, então estou tentando me manter firme para cuidar do nosso filho", comenta.

A mãe e a criança estão recebendo atendimento psicológico. Ela relata que as fraldas que recebeu durante a campanha foram suficientes e que as cesta básicas duram ainda uma média de quatro meses. A iniciativa de Gleycy agora é terminar a construção da casa, conseguir um emprego e colocar o filho em uma escola. Segundo a mãe, a necessidade é com os estudos do filho e para que se torne um bom homem como o pai. 

Serviço

Para ajudar a família

Conta corrente: 4585 01023653- 6
Santander
Gleycyane de Araújo Serra Sousa
CPF 607.610.623-94 (Pix)