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Vacinação de crianças no Ceará está longe de atingir o ideal; cenário é de alerta

Para colocar as vacinas em dia basta a se dirigir a um posto de saúde com documento de identidade e, caso tenha, cartão de vacina
16:35 | Set. 14, 2021
Autor Marcela Tosi
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Marcela Tosi Jornal
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Pelo menos desde 2019, as crianças cearenses estão menos protegidas contra doenças que são evitáveis por meio de vacina. Isso porque cada vez menos pais e responsáveis estão levando os pequenos para receber as doses recomendadas pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI). Neste ano, nenhuma das vacinas destinadas aos menores de um ano alcançou a meta de cobertura vacinal no Estado. 

Para a maioria das vacinas infantis, a meta de cobertura vacinal (proporção entre aqueles que receberam a dose e o total de crianças) é de no mínimo 90%. Entretanto, no primeiro semestre de 2021, essa proporção entre os menores de um ano ficou entre 48% e 69%. A menor taxa é da segunda dose da vacina tríplice viral. Menos de metade das crianças receberam a dose necessária para reforçar a ação da vacina que protege contra sarampo, caxumba e rubéola.

"As baixas coberturas vinham sendo observadas já em 2019 e essa situação se agravou com a pandemia de Covid-19", afirma a orientadora da Célula de Imunização da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), Kelvia Borges. "Outra questão que percebemos é que muitos pais dessa geração já nasceram em um momento em que doenças perigosas e de fácil transmissão já estavam controladas pelas vacinas. Com isso, acabam não tendo muita dimensão do risco da doença e da importância de vacinar."

Kelvia aponta que o baixo número de crianças vacinadas pode trazer um risco à saúde coletiva. "Essas vacinas protegem contra doenças que já estavam erradicadas no Brasil. Com a baixa vacinação algumas estão voltado, como o sarampo." Ela lembra ainda que a proteção iniciada cedo é para a vida toda.

Uma grande preocupação é que, como em 2020, o Ceará volte a não atingir qualquer meta do calendário nacional de imunização infantil. Por isso, Kelvia ressalta que durante o mês de outubro o Estado intensificará a busca ativa daquelas crianças que estejam com o calendário atrasado, bem como promoverá campanhas de vacinação e um Dia D de multivacinação no dia 12 de outubro.

Leia abaixo respostas a algumas das principais dúvidas quando o assunto é vacinação infantil:

Quantas vacinas as crianças com menos de um ano devem tomar? Elas agem contra quais doenças?

A Sociedade Brasileira de Pediatria indica que todas as crianças de até um ano devem receber pelo menos 29 doses de vacinas. São 13 imunizantes diferentes que protegem contra doenças como paralisia infantil, meningites, hepatites, pneumonia, otite, rubéola, varicela, caxumba e catapora. Todas são disponibilizadas gratuitamente na rede pública de saúde.

As exceções são as crianças prematuras ou com alguma imunodeficiência, que devem seguir recomendações próprias orientadas pelos médicos que as acompanhem

Veja o calendário básico de vacinação infantil: 

 

Meu filho perdeu a dose que é recomendada para a idade. O que fazer?

Para receber as doses, basta se dirigir o quanto antes a um posto de saúde com documento de identidade e a carteira de vacinação. Em Fortaleza, 116 postos estão disponíveis para atender a população (clique aqui para ver os endereços). 

Conforme a Sesa, todos os postos de saúde do Estado têm estoque suficiente de todos os imunizantes estipulados pelo PNI. 

Também é possível recorrer ao serviço de imunização nos Vapt Vupts dos bairros Antônio Bezerra e Messejana. O atendimento é de segunda a sexta-feira, das 8 às 17 horas, mediante agendamento pelo site.

A atenção deve ser apenas com as crianças de até um ano?

Não. As vacinas e seus reforços são necessários desde o nascimento até o fim da vida. Algumas vacinas devem ser tomadas anualmente, como a da gripe, e outras em intervalos de tempo maiores. Em caso de dúvida, basta consultar um posto de saúde.  

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Adesão a vacinas contra meningite no Ceará é baixa; cenário desperta atenção de especialistas

Cobertura vacinal
16:58 | Set. 03, 2021
Autor Marcela Tosi
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Marcela Tosi Autor
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Quatro vacinas disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS) protegem contra a meningite: BCG, Pentavalente, Pneumocócica 10 valente e Meningocócica C. Nos últimos anos, entretanto, a adesão a esses imunizantes tem se mantido abaixo da meta estipulada pelo Programa Nacional de Vacinação (PNI).

Conforme o sistema de informações do PNI, 2021 tem se mostrado como o ano em que menos crianças foram vacinadas contra a meningite no Ceará. Até o momento, todas as vacinas contra a doença têm cobertura abaixo de 50%. O ideal é atingir 90% do público no caso da BCG e 95% para as demais.

"A cobertura vacinal vem caindo de maneira geral, não só no caso da meningite. Essa queda já vinha sendo observada nos últimos oito, cinco anos e se acentuou neste período de pandemia", analisa o infectologista Roberto da Justa. "Isso é muito grave porque só uma cobertura alta previne que tenha surtos e epidemias."

Para ele, "é muito importante" que o poder público promova campanhas estimulando e garantindo acesso da população aos imunizantes. "Por outro lado, é necessário um esforço da sociedade como um todo para se conscientizar sobre as vacinas. Elas são seguras, eficazes e disponíveis no SUS gratuitamente."

As vacinas disponíveis no SUS

A maioria das vacinas contra os agentes infecciosos que causam a meningite são indicadas para crianças até 5 anos e fazem parte do Calendário Nacional de Vacinação da Criança. Veja quais são: 

Vacina BCG | De dose única, é geralmente aplicada logo ao nascer. Previne as formas graves de tuberculose, tais como a meningite tuberculosa.

Vacina Pneumocócica 10 valente | Tem uma dose aos 2 meses de idade e outra aos 4 meses. Uma dose de reforço é aplicada quando a criança completa um ano. Previne contra infecções invasivas, tais como as meningites causadas pelos 10 sorotipos da bactéria Streptococus pneumonia.

Vacina Pentavalente | Tem três doses, aplicadas aos 2 meses, aos 4 meses e aos 6 meses de idade. Previne, dentre outras doenças bacterianas, a meningite por Haemophilus influenzae tipo B.

Vacina Meningocócica C | Tem uma dose aos 3 meses de idade e outra aos 5 meses. Uma dose de reforço é aplicada quando a criança completa um ano. Previne a doença sistêmica causada pela bactéria Neisseria meningitidis (meningococo) do sorogrupo C.

Além delas, o Sistema Único de Saúde (SUS) dispõe da vacina Meningocócica ACWY. O imunizante é de dose única e indicado para adolescentes de 11 e 12 anos de idade. Previne contra meningite e infecções generalizadas causadas pela bactéria meningococo dos tipos A, C, W e Y.

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Sete pessoas morreram e 108 foram contaminadas por meningite em 2021 no Ceará

Ceará
23:48 | Set. 02, 2021
Autor Leonardo Maia
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Total de sete pessoas morreram e 108 foram contaminadas por meningite em 2021, até o dia 29 de agosto, no Ceará. Já em 2020, foram 25 óbitos e 225 pessoas infectadas pela doença. Nessa quarta-feira, 1º, uma criança de dois anos morreu em Fortaleza com meningococcemia, quando a doença atinge a corrente sanguínea. Os dados são da Secretaria de Saúde do Ceará (Sesa) e estão disponíveis no site oficial do órgão.

Em boletim publicado em maio de 2020, a Sesa ponderou que os surtos da doença estão entre os mais desafiadores para os gestores da saúde pública, devido ao “potencial de grande morbidade e mortalidade”. “As respostas sanitárias variam em cada surto e dependerão da identificação, ou não, de vínculo epidemiológico entre os casos, das faixas etárias acometidas, da distribuição geográfica e de outros riscos”, explica.

No caso desta semana, a Secretaria Municipal de Saúde de Fortaleza está tomando medidas preventivas contra a doença nas pessoas que tiveram contato por mais de quatro horas com o paciente que faleceu. Conforme a Sesa, o objetivo do manejo dos surtos da enfermidade é interromper a cadeia de transmissão e evitar a ocorrência de novos casos.

Das sete mortes registradas no Ceará neste ano até o último dia 28, cinco foram em Fortaleza, uma em Itapipoca, no Litoral Leste, e a outra em Sobral, na Região Norte do Estado. O número de casos confirmados também fica concentrado na Capital, com 63 episódios. Na sequência, aparece a Coordenadoria de Quixadá, que inclui 10 municípios do Sertão Central e acumula cinco casos.

Em março de 2021, uma pesquisa da farmacêutica GSK, que fornece o imunizante contra meningite para o Programa Nacional de Imunizações, revelou que o receio de contrair Covid-19 e as restrições para prevenir a doença estão entre os motivos que levaram cerca de metade dos pais entrevistados por uma pesquisa a não vacinarem seus filhos contra a meningite desde o início da pandemia.

Na ocasião do lançamento da pesquisa, o diretor do Departamento de Pediatria da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, Marco Sáfadi, alertou que a hesitação em vacinar crianças contra a meningite durante a pandemia pode provocar surtos da doença quando elas retomarem as aulas presenciais e reencontrarem amigos e familiares sem estarem imunizadas.

Levantamento do O POVO divulgado em agosto deste ano, mostrou que nenhuma das metas do Calendário Nacional de Vacinação da Criança foram atingidas pelo Ceará em 2020. A vacina Meningococo C, que previne meningite e meningococcemia, terminou 2020 com 87,25% de cobertura, enquanto a meta mínima a ser atingida é de 95%.

Sintomas

A meningite é uma inflamação das membranas que recobrem o cérebro. Pode ser causada por fungo e vírus, geralmente em casos menos graves. Também pode ser transmitida por bactéria, que apresenta quadros mais graves e com maior risco de óbito ou sequelas, como convulsões, surdez, perda de memória, falência nos rins, AVC e outros danos cerebrais.

Os principais sintomas são febre alta repentina, dor de cabeça e na nuca, rigidez no pescoço e vômito. Também podem aparecer convulsões, sonolência, fotossensibilidade, falta de apetite e manchas roxas ou rachaduras na pele. Bebês recém-nascidos podem apresentar ainda moleira elevada e inquietação.

A doença pode evoluir rapidamente, principalmente entre crianças e adolescentes. A transmissão ocorre por meio de secreções respiratórias e da saliva. Ao surgirem os primeiros sintomas, a orientação é procurar atendimento.

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