Termo de Uso Política de Privacidade Política de Cookies Conheça O POVO Trabalhe Conosco Fale com a gente Assine Ombudsman
Participamos do

Em queda desde 2015, coberturas vacinais no Brasil voltam ao patamar de 1980

Segundo coordenadora geral do Programa Nacional de Imunizações do país, o déficit na cobertura vacinal se deve a desinformação e o acesso aos imunizantes
18:17 | Set. 09, 2021
Autor Agência Brasil
Foto do autor
Agência Brasil Jornal
Ver perfil do autor
Tipo Notícia

As sucessivas quedas nas coberturas vacinais desde 2015 levaram os percentuais da população vacinada a retornarem a níveis semelhantes aos da década de 1980. A série histórica foi apresentada hoje, 9, na Jornada Nacional de Imunizações, pela especialista em epidemiologia e assessora técnica da Coordenação Geral do Programa Nacional de Imunizações (PNI) Antônia Maria Teixeira. A enfermeira destacou que a pandemia potencializou essa queda, mas que o movimento é anterior à Covid-19 e não se restringe ao Brasil.

"[A pandemia] pode ser um potencializador, mas não é necessariamente a causa principal. Não se nega a importância que a pandemia teve nesse processo", disse a pesquisadora, que citou uma pesquisa da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) indicando que a adoção de quarentenas e lockdown para prevenir a Covid-19 afetou a vacinação de bebês em pelo menos 68 países.

"As baixas coberturas vacinais, ao meu ver, são efeitos colaterais decorrentes de pelo menos duas razões macro: a desinformação e o acesso. É um processo que antecede e é potencializado pela pandemia e não limitado ao Brasil. É mais uma pandemia em curso, com riscos reais para outras doenças", alertou.

Antônia Teixeira descreveu que, na década de 1980, o Programa Nacional de Imunizações disponibilizava menos tipos de vacinas nos calendários de rotina das crianças e havia altas taxas de incidência de doenças imunopreviníveis. A cada triênio, porém, era possível observar crescimento das coberturas.

Entre os anos 1995 e 2015, as coberturas vacinais foram mantidas em patamares altos e novas vacinas foram acrescentadas ao calendário, que hoje oferece 23 imunizantes para proteger diferentes faixas etárias contra 19 doenças. O resultado foi uma queda da incidência das doenças contra as quais já há vacinas disponíveis, disse a enfermeira.

Desde 2015, porém, segundo Antônia Teixeira, as coberturas estão em queda, o que já tem gerado novos surtos, como é o caso do sarampo, que chegou a ser erradicado e voltou a circular no país. A continuidade desse processo fez com que entre 2019 e 2021 a cobertura das vacinas disponíveis retornasse a um patamar semelhante ao do triênio 1983/1985.

A vacina contra a poliomielite é um dos exemplos citados pela assessora técnica do PNI ao mostrar a queda acumulada nos últimos cinco anos. Em 2015, quando o Brasil teve 3,017 milhões de bebês nascidos vivos, o esquema de três doses foi completo em 2,845 milhões de crianças. Em 2019, dos 2,849 milhões de nascimentos, houve 2,480 milhões de terceiras doses aplicadas. No ano seguinte, em meio à pandemia, a diferença cresceu, com 2,726 milhões de nascimentos e 2,217 milhões de terceiras doses aplicadas.

No caso da BCG, foram 3,019 milhões de doses aplicadas em 2015, 2,525 milhões, em 2019, e 2,134 milhões, em 2020. Outro exemplo foi a vacina contra o rotavírus, que teve suas duas doses aplicadas em 2,767 milhões de crianças em 2015, e em 2,253 milhões, em 2020.

Consultor técnico do Programa Nacional de Imunizações (PNI), o infectologista Victor Porto chamou a atenção para a hipótese de as medidas de prevenção à Covid-19 terem reduzido a incidência de outras doenças de transmissão respiratória desde 2020, como o sarampo e o influenza, a despeito da queda nas coberturas vacinais. Diante disso, ele destaca a preocupação com o cenário de cada vez mais flexibilização.

"A gente fica preocupado com a queda nas coberturas vacinais, porque quanto mais formos relaxando as medidas não farmacológicas contra a Covid-19 e mais se avança na vacinação da Covid-19, a gente pode voltar a ter uma população suscetível e com capacidade de transmissão dessas doenças", disse.

O professor titular de Saúde Coletiva da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa São Paulo José Cássio Moraes acrescentou às preocupações a retomada das viagens internacionais, que podem alimentar novos surtos de doenças contra as quais há baixas coberturas vacinais. Ele mostrou que a redução nessas taxas ocorre em praticamente todo o continente americano e, no caso do sarampo, vizinhos do Brasil como o Paraguai, a Colômbia e a Argentina também vivem um cenário de menos proteção contra a doença. Já países europeus como a Espanha lidam com a circulação de genótipos diferentes do vírus que circula na América Latina, o que pode facilitar sua introdução em uma população não imunizada.

"Retomando os voos com esses países, podemos ter a reimportação do vírus do sarampo, o que pode propiciar um recrudescimento de sua ocorrência", alertou.

Retrocesso

A queda das coberturas vacinais está entre os principais temas discutidos na Jornada Nacional de Imunizações e fez parte do discurso de abertura do presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, Juarez Cunha, que considerou o problema um retrocesso.

"Como chegamos a esse retrocesso? São muitos os fatores. A mudança no perfil e frequência das campanhas de vacinação, as falhas no abastecimento, falta de investimento na qualificação e retenção dos profissionais que atuam nas unidades de saúde, precarização e limitação nesses espaços e o baixo engajamento de médicos", disse.

"Além desses, a complexidade dos calendários vacinais, a disseminação de noticias falsas, as recentes campanhas para desacreditar a ciência e a falta de percepção de risco da população em relação às doenças controladas pela vacinação", acrescentou Juarez Cunha.

Apesar desses problemas, Cunha disse acreditar que o Brasil será o país com a maior cobertura vacinal contra a Covid-19. "Tenho certeza absoluta de que seremos o país que terá os maiores percentuais vacinais. O brasileiro acredita e confia em vacinas e quer se vacinar".

O vice-presidente da SBIm e integrante do grupo consultivo da OMS Vaccine Safety Net, Isabela Ballalai, defendeu que é preciso investir em campanhas de informação que não apenas desmintam notícias falsas, mas que se antecipem e comuniquem conhecimento à população, produzindo segurança sobre as vacinas.

"Falta comunicação nesse país. A gente tem avisos", disse a médica, acrescentando que a comunicação não pode se limitar a informar o dia de se vacinar. "É preciso fazer mais do que informar. Tem que comunicar de forma proativa, impactante e empática com essa população, inclusive sobre como não cair nas fake news", defendeu.

Dúvidas, Críticas e Sugestões? Fale com a gente

Tags

15 municípios cearenses vão participar de pesquisa do Ministério da Saúde sobre Covid

saúde
14:16 | Set. 14, 2021
Autor Júlia Duarte
Foto do autor
Júlia Duarte Autor
Ver perfil do autor
Tipo Notícia

O Ceará é um dos estados escolhidos para participar da Pesquisa de Prevalência de Infecção por Covid-19 (Precov) no Brasil. O estudo é conduzido pelo Ministério da Saúde (MS) para estimar quantas pessoas foram infectadas pelo vírus. No Ceará, de acordo com a Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), o Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (Cievs) e do projeto Vigiar SUS vão efetivar a pesquisa em 15 municípios cearenses.

A análise pretende chegar a cálculos mais precisos da morbidade e da letalidade pela Covid-19. O estudo vai ser uma das maiores análises sorológicos de Covid-19 registradas no mundo até o momento.

LEIA MAIS | Covid-19: Fortaleza chega a média móvel de menos de um óbito por dia

A pesquisa vai considerar não só o aspecto da infecção por coronavírus, como também as características socioeconômicas e demográficas dos participantes. A estimativa é que 10.985 pessoas serão entrevistadas no Ceará, após seleção pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), produzida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE).

Todos que aceitarem participar da pesquisa terão uma amostra de sangue coletada para identificar a presença de anticorpos contra a doença. O estudo vai poder dizer também se a pessoa já foi contaminada e/ou desenvolveu imunidade após a vacinação, por meio da análise das proteínas IgG, produzidas pelo organismo com o objetivo de defender o organismo contra agentes infecciosos.

De acordo com a Sesa, todas as informações dos participantes serão mantidas em sigilo, e a secretaria ressalta a importancia de traçar estratégias baseadas em evidências. "Com as informações adquiridas, tomar decisões baseadas em evidências, embasando as respostas em saúde pública”, ressaltou a interlocutora do Vigiar SUS, Viviane Duarte, por meio de nota.

O material será analisado nas unidades de Apoio ao Diagnóstico de Covid-19 da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) no Ceará e no Rio de Janeiro.
Municípios cearenses que farão parte da pesquisa

Aquiraz
Cascavel
Caucaia
Chorozinho
Eusébio
Fortaleza
Guaiúba
Horizonte
Itaitinga
Maracanaú
Maranguape
Pacajus
Pacatuba
Pindoretama
São Gonçalo do Amarante

Dúvidas, Críticas e Sugestões? Fale com a gente

Tags

Três profissionais são identificados em processo de vacinação Safadão e Thyane Dantas

saúde
11:52 | Set. 14, 2021
Autor Júlia Duarte
Foto do autor
Júlia Duarte Autor
Ver perfil do autor
Tipo Notícia

A Secretaria Municipal da Saúde de Fortaleza (SMS) divulgou o resultado do processo administrativo de apuração da vacinação irregular do cantor Wesley Safadão e da esposa dele, a influenciadora Thyane Dantas. A pasta afirma ter finalizado a investigação e identificado três profissionais da saúde envolvidos na ação.

De acordo com o Diário Oficial do Município (DOM) Nº 17.137, do dia 6 de setembro de 2021, uma servidora pública e dois terceirizados foram penalizados pela vacinação que aconteceu no dia 8 de julho de 2021, em Fortaleza. A servidora terá um Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD) instaurado, enquanto os funcionários terceirizados foram devolvidos para a empresa contratante, após a rescisão do contrato com a Prefeitura.

LEIA MAIS: MP investigará vacinação de Thyane, casada com Safadão, para saber se furou fila

+ Safadão também será investigado pelo MP se mudou local da vacina para escolher Janssen

Por nota, a SMS informou que foi constatada a ocorrência de irregularidade funcional por parte de três colaboradores. A secretária afirmou ainda que os fatos apurados foram encaminhados aos órgãos ministeriais e policiais para a apuração de possíveis práticas em desacordo com o Código Penal Brasileiro.

O casal e a produtora do cantor, Sabrina Tavares, são investigados também pela Polícia Civil do Ceará após a abertura de um inquérito na Delegacia de Combate à Corrupção (Decor). Thyane e Safadão são alvo de apurações do Ministério Público do Ceará (MPCE). 

Nas redes sociais, internautas também apontam que, além da questão da faixa etária, o nome de Thyane Dantas não constava na lista de agendados para receber a vacina da quinta-feira em que ela recebeu o imunizante. A digital influencer não constava em nenhuma das listas de vacinação contra a Covid-19, publicadas no portal Coronavírus, da Prefeitura de Fortaleza. No caso do artista, as apurações são para saber se ele mudou local de vacina motivado pela escolha o tipo de vacina, que foi a Janssen.

O caso aconteceu em 8 de julho de 2021, enquanto a Capital cearense estava imunizando pessoas nascidas em 1989. Thyane nasceu em 1991 e conseguiu ser imunizada com a Janssen, de dose única, no dia em que o marido foi chamado para vacinação.

Dentre os apontamentos dos internautas na época, estão a de que o cantor foi convocado para receber o imunizante no Centro de Eventos. No entanto, a aplicação ocorreu em um dos shoppings escalados para vacinação na Capital, um dos pontos que estavam estavam aplicando a vacina da Janssen, que tem apenas uma dose.

Na época, a assessoria de Wesley Safadão declarou que a influenciar recebeu o imunizante pela estratégia de imunização conhecida como "xepa". "Thyane foi acompanhar o Wesley na vacinação e existe uma coisa que todos têm acesso, não foi benefício dela, que é a dose de sangria", afirma o texto. O prefeito de Fortaleza, José Sarto (PDT), rebateu a informação e afirmou que não houve a aplicação de doses remanescentes da vacina contra a Covid-19 antes das 17 horas.

Dúvidas, Críticas e Sugestões? Fale com a gente

Tags

Maioria do STF confirma liminar que garante segunda dose a São Paulo

Justiça
10:33 | Set. 14, 2021
Autor Agência Brasil
Foto do autor
Agência Brasil Autor
Ver perfil do autor
Tipo Notícia

O plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria para confirmar uma decisão do ministro Ricardo Lewandowski que, em agosto, concedeu uma liminar (decisão provisória) para garantir o envio de vacinas contra a covid-19 em número suficiente para a aplicação da segunda dose no estado de São Paulo.

Em agosto, Lewandowski determinou que o Ministério da Saúde, ao fazer a divisão dos quantitativos de vacinas enviadas aos estados, reserve ao estado de São Paulo número suficiente para a aplicação da segunda dose dentro do prazo estipulado na bula do imunizante pelo fabricantes.

Desde 3 de setembro o Supremo julga se confirma a decisão de Lewandowski. Até o momento, seis dos dez ministros votaram para confirmar a liminar. Além do próprio relator, também votaram favoravelmente Cármen Lúcia, Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Rosa Weber e Edson Fachin.

O julgamento ocorre no plenário virtual, e os ministros têm até as 23h59 desta terça-feira (14) para votar contra ou a favor da liminar de Lewandowski, salvo se houver algum pedido de vista (mais tempo de análise) ou destaque (remessa do caso ao plenário convencional).

Voto

Em seu voto, Lewandowski afirmou que a determinação do envio de vacinas se fez necessária depois de mudanças nos critérios de distribuição de doses promovidas em agosto, levadas a efeito pela União sem comunicação prévia aos entes federados (estados e municípios).

Os estados não tiveram tempo hábil para se adaptar, o que pode comprometer a aplicação da segunda dose em São Paulo dentro do cronograma previsto, que prevê o cumprimento do prazo previsto na bula das vacinas.

“Cumpre deixar claro que o prazo estabelecido pelos fabricantes das vacinas para a aplicação da segunda dose do imunizante, aliás expressamente considerado na aprovação concedida pela Anvisa, precisa ser rigorosamente respeitado, sob pena de ineficácia da imunização”, afirmou Lewandowski.

Ao acionar o Supremo, procuradores de São Paulo alegaram que, desde a adoção desses novos critérios, 228 mil doses deixaram de ser encaminhadas ao estado de forma “descabida”.

O voto do relator foi acompanhado integralmente pelos outros cinco ministros que votaram até o momento.

Dúvidas, Críticas e Sugestões? Fale com a gente

Tags

Covid-19: Rio aplica dose de reforço em idosos de 94 anos

Saúde
08:27 | Set. 14, 2021
Autor Agência Brasil
Foto do autor
Agência Brasil Autor
Ver perfil do autor
Tipo Notícia

Dentro da campanha de imunização contra a covid-19, a prefeitura do Rio de Janeiro aplica hoje (14) a dose de reforço nos idosos de 94 anos ou mais. Esta etapa começou ontem (13), com a vacinação extra das pessoas com 95 anos ou mais, e segue o calendário com idade decrescente. Dessa forma, no sábado será a vez dos idosos de 90 anos ou mais.

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), a dose de reforço será aplicada em quem tomou as duas primeiras na capital e requer intervalo de pelo menos três meses da segunda dose. Serão utilizadas para o reforço as vacinas da Pfizer e da AstraZeneca/Fiocruz, dependendo da disponibilidade.

A repescagem de primeira dose esta semana continua para pessoas com deficiência com 12 anos ou mais, gestantes, puérperas e lactantes, além do público a partir de 22 anos. Amanhã, será retomada a imunização dos adolescentes, com meninas de 14 anos. Os meninos dessa idade devem comparecer aos postos na sexta-feira.

Datas

A confirmação das datas para aplicação nos adolescentes de 13 e 12 anos será divulgada quando a prefeitura receber novas doses da Pfizer, única vacina liberada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para esse público.

A Secretaria de Estado de Saúde (SES) informou que recebeu na tarde de ontem (13) 464.490 doses da Pfizer, a serem destinadas para primeira e segunda aplicação. A distribuição para os municípios do estado do Rio começou a ser feita ainda ontem e será concluída até amanhã.

A vacinação na cidade do Rio de Janeiro já contemplou 79,7% da população com a primeira dose e 45,4% com o esquema completo. Considerada a população-alvo, a partir de 12 anos, já foram atingidos 93% com a D1 e 52,8% com as duas aplicações ou a dose única da Jansen.

No estado, os dados oficiais indicam 10.988.356 pessoas com a D1, o que corresponde a 62,92% da população. Ao todo, 5.388.516 receberam a D2 e 337.159 a dose única, o que significa que 32,79% da população do estado do Rio completaram o esquema vacinal contra a covid-19.

Dúvidas, Críticas e Sugestões? Fale com a gente

Tags

Putin se isola após casos de Covid-19 em seu entorno

POL
08:20 | Set. 14, 2021
Autor AFP
Tipo

O presidente russo, Vladimir Putin, deve se isolar, após a descoberta de casos de covid-19 em seu entorno - anunciou o Kremlin nesta terça-feira (14).

 

"Devido a casos identificados de coronavírus em seu entorno, Vladimir Putin deve respeitar um regime de autoisolamento durante um certo período de tempo", declarou a presidência, em um comunicado, acrescentando que ele está bem.

 

"O presidente está em perfeito estado de saúde", afirmou seu porta-voz, Dmitri Peskov, destacando que Putin, que está vacinado, foi submetido a um teste de detecção do vírus. O resultado não foi divulgado pelo Kremlin.

 

Com isso, Putin não participará, presencialmente, de uma cúpula regional no Tadjiquistão.

 


Dúvidas, Críticas e Sugestões? Fale com a gente

Tags