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Ceará
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Ceará completa um ano sem novos casos de sarampo e se torna território livre da doença

Embora os indicadores da doença estejam zerados há um ano, a procura pela vacina tríplice viral é a menor desde 2016

23:10 | 15/04/2021
Mesmo sem novos casos de sarampo, vacinação contra a doença teve a menor cobertura dos últimos quatro anos (Foto: Evilázio Bezerra)
Mesmo sem novos casos de sarampo, vacinação contra a doença teve a menor cobertura dos últimos quatro anos (Foto: Evilázio Bezerra)

O Ceará completou um ano sem registrar nenhum caso confirmado de sarampo, segundo a Secretaria Estadual da Saúde (Sesa). O último diagnóstico da doença no Estado, de acordo com a pasta, ocorreu na semana epidemiológica nº 13, em abril de 2020, ano em que sete pessoas no total foram acometidas pela infecção. Em 2021, apenas um caso foi notificado como suspeito e segue sendo investigado.

Com esses indicadores, o Ceará alcançou o status de território livre do sarampo. Ainda assim, as autoridades e técnicos da saúde não descartam a possibilidade de reintrodução da doença no Estado. “Mesmo sem a circulação do vírus aqui [no Ceará], ele pode ser importado através de viajantes, uma vez que ainda temos registros em outras Regiões do País”, alerta a assessora técnica da Coordenadoria de Vigilância Epidemiológica da Sesa, Aline Albuquerque.

Segundo o Ministério da Saúde, atualmente há circulação ativa do vírus causador do sarampo em três estados brasileiros: Amapá, Pará e São Paulo, que registraram, no primeiro trimestre deste ano, 224, 6 e 5 casos da doença, respectivamente. Os dados foram fornecidos pela Secretaria Nacional de Vigilância em Saúde.

O último surto de sarampo no Ceará ocorreu entre os anos de 2013 e 2015, quando 1.052 pessoas foram diagnosticadas com a infecção em 38 municípios. Segundo estudo divulgado pela Sesa, todos os casos evoluíram para cura clínica e 77% dos pacientes desenvolveram apenas sintomas leves. A quebra da cadeia de transmissão do vírus no estado ocorreu em 2016, após mais de 12 meses sem novos registros.

A tendência de eliminação da doença se manteve em 2017 e 2018, período em que não houve nenhum caso confirmado. A infecção voltou a ser registrada em agosto de 2019. Naquele ano, foram 19 confirmações, número que caiu para sete em 2020.

Mesmo após um ano sem a ocorrência de novas infecções por sarampo, as atenções aos sintomas da doença devem ser mantidas. Aline Albuquerque frisa que durante a pandemia de Covid-19, muitas pessoas têm se preocupado apenas com a prevenção ao novo coronavírus, esquecendo outras doenças que também podem representar risco à saúde. “É até natural que a gente tenha esse cuidado maior em relação à Covid, mas em momento algum podemos ignorar a prevenção às outras patologias”, orientou a técnica.



Imunização em queda

A única forma de prevenção contra o sarampo é por meio da vacinação. A proteção é garantida pela vacina tríplice viral, que também é eficaz contra caxumba e rubéola. O imunizante deve ser administrado em duas doses, sendo a primeira aos 12 meses e a segunda entre 15 e 24 meses de idade. A meta de cobertura vacinal do público-alvo determinada pelo Ministério da Saúde é de 95% para estados e municípios.

No Ceará, o índice ficou em 90% no ano passado, interrompendo uma sequência positiva de quatro anos consecutivos: 2016 (119%), 2017 (100,69%), 2018 (111,46%) e 2019 (103,02%).

Para a enfermeira Nayara Jereissati, técnica da Célula de Imunização da Sesa, a queda nas taxas de vacinação está diretamente relacionada com a crise sanitária mundial. “Durante a pandemia, as pessoas estão com medo de procurar o serviço, e isso tem causado um impacto muito grande na cobertura vacinal. É algo que nos preocupa constantemente”, afirmou, acrescentando ainda que “o serviço de vacinação é essencial, e portanto, continua funcionando normalmente durante a pandemia”.

Sintomas

Os principais sinais de surgimento do sarampo são o aparecimento de manchas vermelhas e borbulhas na pele, acompanhadas de febre, tosse, mal-estar e irritação nos olhos e nariz. O diagnóstico laboratorial ocorre por meio de exame sorológico, realizado a partir de amostra de sangue.

De acordo com a Doutora em Biotecnologia em Saúde, Izabel Cavalcante, não existe tratamento específico para a doença. “Cada caso deve ser acompanhado por um médico. Somente esse profissional da saúde pode prescrever a medicação adequada para cada paciente”, ressaltou.

A médica enfatiza, ainda, que mesmo sem circulação do vírus causador do sarampo no Ceará atualmente, o alto potencial transmissível da infecção não pode ser ignorado. “É uma das doenças mais contagiosas que existe e está presente em vários países do mundo. É preciso que fiquemos muito atentos para evitar surtos”, comentou.

 

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