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Ceará
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Três açudes no Ceará saíram do volume morto após início da quadra chuvosa

Um dos açudes que estava no volume morto em fevereiro sangrou no começo de março

Mirla Nobre
23:26 | 09/03/2021
Barragem do Batalhão, em Crateús, saiu do volume morto em fevereiro para sangrar em março (Foto: REPRODUÇÃO/VÍDEO)
Barragem do Batalhão, em Crateús, saiu do volume morto em fevereiro para sangrar em março (Foto: REPRODUÇÃO/VÍDEO)

Desde o início da quadra chuvosa no Ceará, em 1º de fevereiro, três açudes que estavam no volume morto ou mesmo secos ganharam água e deixaram essa condição. São considerados no volume morto os açudes que têm água, mas não em nível suficiente para que haja retirada para abastecimento. Nos reservatórios nos quais não há tomada de água, é considerado volume morto o açude com menos de 5% da capacidade.

No começo da quadra chuvosa, o Ceará tinha 20 açudes secos ou no volume morto. Nesta terça-feira, 9, conforme a resenha diária de monitoramento da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), o número estava em 17. Dos 155 reservatórios monitorados pela Cogerh, 12 estão em volume morto e outros cinco estão secos. No início de fevereiro, 14 estavam em volume morto e seis estavam secos.

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Um dos reservatórios que saiu do volume morto foi a Barragem do Batalhão, em Crateús. O açude tinha 16,48% da capacidade no fim de fevereiro e, com as recentes chuvas, sangrou na semana passada.

O Favelas, em Tauá, também estava no volume morto, com 1,16% da capacidade, e chegou ontem a 9,67%, saindo da situação crítica.

E o Jatobá, em Milhã, estava seco no começo de fevereiro — condição abaixo do volume morto. No fim do mês passado, estava com 4,67% Nesta terça, chegou a 39,25%. A condição de volume morto varia conforme o reservatório e de acordo com as dimensões. Em açudes de maior porte, um menor volume pode representar ainda quantidade significativa de água.

Cenário 

Apesar da diminuição do número de açudes em situação crítica, há ainda cinco açudes atualmente secos: Forquilha II (Tauá), Madeiro (Pereiro), Monsenhor Tabosa (Monsenhor Tabosa), Pirabibu (Quixeramobim) e Salão (Canindé). A situação é preocupante no municípios onde estão e nas cidades vizinhas, que também contam com eles para abastecimento.

No volume morto estão os açudes Adauto Bezerra (Pereiro), Barra Velha (Independência), Castro (Itapiúna), Cipoada (Morada Nova), Joaquim Távora (Jaguaribe), Pompeu Sobrinho (Choró), Potiretama (Potiretama), Riacho da Serra (Alto Santo), São Domingos (Caridade), Sousa (Canindé), Trapiá II (Pedra Branca) e Várzea do Boi (Tauá).

O panorama aponta que o Ceará ainda está longe de uma reserva tranquila. Dos 155 açudes acompanhados pela Cogerh, 59 têm volumes inferiores a 30%. A capacidade total dos açudes é de 8,6 bilhões de metros cúbicos de reserva hídrica no território cearense. Entretanto, o volume atual de todos está em 4,593 bilhões de m³, correspondendo a 24,7% da capacidade.

O POVO procurou a Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh) para explicar o registro da queda dos açudes e quais motivos influenciaram a baixa e aguarda resposta.

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Quadra chuvosa

A quadra chuvosa no Ceará começou em 1º de fevereiro. Entretanto, as condições para 2021 não são favoráveis. O prognóstico da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), divulgado em 20 de janeiro, apontou 50% de chance de chuvas abaixo da média histórica no primeiro trimestre da quadra chuvosa no Ceará, de fevereiro a abril.

Para melhorar a situação dos açudes, é necessário uma melhora na quadra chuvosa no Estado e ter expectativas para mais precipitações nos municípios nas próximas semanas, já que são o principal meio para garantir a recarga. Em 2020, a quadra chuvosa no Ceará foi a melhor em uma década.