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Ceará
NOTÍCIA

#Exposed: quatro suspeitos são alvo de mandados de busca e apreensão em Fortaleza e RMF

Com as investigações, foi possível identificar alguns membros dos grupos que supostamente estariam envolvidos nos casos

12:29 | 20/07/2020
Print de mensagens enviadas por professores para alunas de escolas da rede pública (Foto: Reprodução)
Print de mensagens enviadas por professores para alunas de escolas da rede pública (Foto: Reprodução)

Mandatos de busca e apreensão pessoais e residenciais foram executados em Fortaleza e em Pacajus na manhã desta segunda-feira, 20 em quatro alvos da investigação que apura casos de assédios denunciados na hashtag #exposedFortal. A ação faz parte da Operação "Indiscretos" do Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE), por meio do Núcleo de Investigação Criminal (Nuinc) e do Núcleo de Atendimento às Vítimas de Violência (Nuavv).

Houve o apoio da Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública (CGD) e Coordenadoria de Inteligência da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Estado (Coin).

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A ordem foi expedida pela 11ª Vara Criminal de Fortaleza, depois de serem feitas análises das publicações com a hashtag. Nas diligências, houve a identificação de alguns membros de grupos de redes sociais.

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Por determinação do procurador-geral de Justiça Manuel Pinheiro, existe uma força-tarefa para investigar os casos de crimes sexuais mostrado por vítimas nas redes sociais em todo o Estado por meio de hashtags como #exposedfortal e #exposedsobral. As tags reúnem relatos de adolescentes e jovens, em sua maioria meninas, que foram vítimas de assédio sexual e pornografia virtual, e tinham professores de escolas e faculdades públicas e privadas como autores dos crimes. A repercussão começou no início do mês de junho, quando denúncias de abuso sexual sofridos pelas alunas começaram a aparecer.

Além da apuração, o órgão ressalta que há um trabalho de acolhimento e apoio psicossocial às vítimas. Os promotores de Justiça relatam dificuldade nas investigações, porque as vítimas ainda se mostram resistentes a registrar as denúncias. Para isso, o MPCE criou o e-mail [email protected] para que elas façam o primeiro contato com a instituição. Pode ser feito, em casos de menores, Boletins de Ocorrência pela Delegacia Eletrônica (Deletron), em qualquer horário do dia ou da noite. Também é possível denunciar pelo Disque-Denúncia da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Estado do Ceará (SSPDS Ceará), pelo número 181, ou para o número (85) 3101 2044 da Delegacia de Combate a Exploração da Criança e Adolescente (Dececa Ceará).

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Além das promotorias de Justiça de várias comarcas, especialmente de Fortaleza, Juazeiro do Norte, Iguatu e Sobral, o Ministério Público atua também pelo meio do Núcleo de Investigação Criminal (Nuinc), do Núcleo de Atendimento às Vítimas de Violência (Nuavv) e do Centro de Apoio Operacional da Infância, Juventude e Educação (Caopije).

Segundo as promotoras de justiça Joseana França (coordenadora do Nuavv) e Ana Alzira Bossard (integrante do Nuinc), as investigações estão sendo realizadas com a coleta de informações em fontes abertas, como em solicitações de notícias publicadas em jornais e emissoras de televisão. Além da observação das redes sociais.

A investigação integrada com núcleos do MPCE segue em sigilo, para manter o respeito e preservar as vítimas.

A Polícia Civil também investiga as denúncias e, em nota, informou que já escutou pessoas envolvidas e segue com as apurações em andamento. A Secretaria também alertou que, nesse momento, independente de registro do BO (Boletim de Ocorrência), a Dceca apura a conduta de um grupo, que teria divulgado material pornográfico sem autorização das vítimas.

As demais denúncias, que incluem ameaça, difamação e calúnia, a PCCE só conseguirá dar continuidade aos trabalhos policiais se houver o registro do fato por meio da Delegacia Eletrônica (Deletron) ou presencialmente em uma delegacia da Polícia Civil.