Adultização infantil: delegado da PF fala sobre perfil de criminosos

Delegado da PF detalha perfil de criminosos que disseminam e consomem conteúdo com crianças

Delegado da Polícia Federal explica sobre o termo e dá orientações do que pode ser feito para evitar a situação

Após o vídeo “adultização”, postado pelo youtuber Felca, o termo e a temática se tonrram o assunto um dos assuntos mais comentados. À rádio O POVO CBN, o chefe da Delegacia de Repressão aos Crimes Cibernéticos da Polícia Federal, Victor Mesquita, explica o perfil de criminosos que disseminam e consomem conteúdo envolvendo crianças.

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Segundo ele, é preciso separar os pais e responsáveis que compartilham fotos e vídeos de forma inocente, dos pais que produzem o conteúdo com a finalidade de atrair interessados por determinado tópico.

“Um é um pai que tira uma foto do seu filho brincando com um patinho de borracha na banheira e compartilha no grupo da família e infelizmente essa foto cai nas redes abertas e vai ser encontrada diversas vezes pela gente, em grupos de abusadores sexuais”.

O delegado explica que o vídeo de Felca denuncia responsáveis que produzem conteúdo com os menores de idade adultizados.

“Essa adultização está sendo provocada pelos próprios responsáveis. Temos o limite do bom senso, e se esse limite passa, vamos ao limite criminal”, acrescenta.

Victor Mesquita ressalta que crianças não devem utilizar celular sem supervisão. “Criança não é para estar usando o tablet sozinha no quarto. Se você permite isso, ela pode estar correndo risco”. 

O artigo 240, do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), considera que "produzir, reproduzir, dirigir, fotografar, filmar ou registrar, por qualquer meio, cena de sexo explícito ou pornográfica, envolvendo criança ou adolescente".

A pena é de reclusão, de quatro a oito anos, e multa. De acordo com o delegado, os pais podem tomar três medidas: fiscalizar, orientar e participar.

“Primeiro eu oriento sobre meu limite e meus respeitos ao limite do outro. Depois eu fiscalizo e posteriormente participo. É olhar o que a criança está fazendo. Participar é jogar com a criança, se engajar com o linguajar. Quando ele precisar, ela [criança] vai te chamar”, explica.

O que é adultização?

De acordo com o Instituto Alana, o termo “adultização” refere-se a crianças e adolescentes que são expostos a conteúdos, comportamentos, responsabilidades ou padrões estéticos típicos da vida adulta antes do tempo.

Esse processo pode acontecer de forma direta, quando há incentivo explícito a essas práticas, ou indireta, por meio da exposição constante a referências e valores que antecipam etapas da vida.

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A ação também é considerada uma forma de exploração infantil, pois envolve o uso da imagem, do corpo e da vivência de crianças para gerar lucro, audiência ou atender interesses comerciais e de entretenimento.

Ainda conforme o instituto, os casos incluem influenciadores mirins, crianças promovendo jogos de azar, famílias influenciadoras e vídeos com sexualização precoce.

Como realizar denúncias

A denúncia para esses tipos de conteúdo pode ser feita a qualquer Ministério Público (MP) ou Polícia Militar (MP).

Na internet, é possível realizar denúncias através dos canais: Comunica PF, a SaferNet, o Disque 100, entre outros.

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