Emocionados, pais ouvem coração do filho batendo no peito de outra criança
Fabiano e Deize Escravon decidiram doar os órgãos do filho Jessé, de 9 anos, após sua morte cerebral. Agora bate no peito de Davi, de 3 anos; veja vídeo
Um vídeo compartilhado nas redes sociais tem emocionado milhares de pessoas. Nele, Fabiano e Deize Escravon, de Joinville (SC), escutam o coração do filho Jessé bater novamente—agora no peito de Davi, um menino de 3 anos. A gravação, publicada no perfil de Deize, já ultrapassou 2,4 milhões de visualizações.
Na publicação, a mãe escreveu sobre a importância do momento:
É + que streaming. É arte, cultura e história.
“Poder ouvir o coração forte que hoje bate no peito do Davi—coração que bateu dentro de mim e, por 9 meses, foi só meu; e por 9 anos, espalhou alegrias e amor por onde passou. Um coração tão abençoado por Deus que, mesmo tendo parado no peito do Jessé, voltou a bater para cumprir uma nova missão.”
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Pais ouvem coração do filho batendo no peito de outra criança; veja vídeo
A perda de Jessé após complicações de uma apendicite
Jessé, de 9 anos, era um menino saudável até o dia 29 de janeiro, quando começou a sentir fortes dores na barriga. O pai, Fabiano, contou que a primeira ida ao hospital resultou em um diagnóstico de virose. Sem exames mais detalhados, os médicos recomendaram que ele voltasse para casa e retornasse apenas se os sintomas persistissem.
Dois dias depois, a dor continuava intensa e os pais voltaram ao hospital. Desta vez, foi receitado um antibiótico, mas o estado de Jessé piorou. Ele começou a apresentar fraqueza extrema e precisou ser levado novamente à emergência.
Foi levado para a UTI e, algumas horas depois, teve uma parada cardíaca de 12 minutos. Ele voltou, mas a situação era grave. Depois, teve outra parada de 4 minutos antes de os médicos descobrirem que ele sofria de apendicite aguda.
O menino passou por uma cirurgia e ficou internado por 17 dias. Apesar de apresentar algumas melhoras, exames confirmaram a morte cerebral.
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A decisão pela doação de órgãos
Diante da dor da perda, os pais optaram pela doação de órgãos. Segundo Fabiano, a escolha já era um desejo da família.
“Foi uma mistura de dor com compaixão saber que meu filho poderia ser um herói. O sonho dele era ser um super-herói, e isso me trouxe um pouco de conforto”, disse o pai.
Deize reforçou o impacto positivo da decisão:
“Dói demais saber que ele não está mais aqui, mas conhecer a fé dele em Deus me deu certeza de que essa era a decisão correta. Trouxe cura ao meu luto saber que meu filho ajudou outras crianças.”
O encontro entre as famílias
A conexão entre as famílias foi feita pelas redes sociais. O encontro só aconteceu agora, um ano após o transplante, para que todos estivessem emocionalmente preparados.
“Não queríamos assustar o Davi, pois ele ainda é muito pequeno. Mas hoje estamos mais calmos e prontos para esse momento”, explicou Deize.
A repercussão do vídeo surpreendeu a família. Segundo ela, o objetivo da publicação era incentivar a doação de órgãos e demonstrar a forma como Deus cuidou de todos.
“Espero que as pessoas abram o coração e reflitam sobre a importância da doação. É um sofrimento absurdo perder um filho, mas saber que ele proporcionou novas oportunidades a outras crianças aquece o coração.”
A luta de Davi pela vida
Davi, conhecido como @davicoracaoguerreiro, passou mais da metade da sua vida internado. Diagnosticado ainda na gestação com cardiopatia congênita, ele precisou de um novo coração para sobreviver.
A mãe, Tatiana Cristina dos Santos Costa D’Artibale, de Atibaia (SP), lembra da emoção quando ele recebeu o órgão:
“Foi uma alegria indescritível. Ele internou muito novinho e só saiu do hospital com três anos. Quando chegou em casa, nem sabia o que fazer. Ele pulava com os irmãos e dava risada.”
Tatiana também expressou gratidão pela família de Jessé:
“Mesmo sofrendo, eles tiveram um ato indescritível de compaixão, altruísmo e amor. Seremos eternamente gratos.”
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