Caso Padre Robson: Ministério Público aguarda julgamento de recuso para retomada de Operação

A Afipe comanda uma das maiores romarias do País, a Romaria do Divino Pai Eterno. Padre Robson segue afastado das funções da associação. Entenda o desdobramento do caso.

A Operação Vendilhões, deflagrada em agosto deste ano pelo Ministério Público de Goiás (MPGO), segue aguardando julgamento do Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) após recurso para retomada das investigações. A ação visa apurar denúncias de desvios de doações de fieis à Associação Filhos do Pai Eterno (Afipe), presidiada à época pelo padre Robson. O pedido do MPGO aconteceu no último dia 15 de outubro, após arquivamento das acusações e pedido do religioso para destruir documentos e objetos coletados na operação no último dia 23 de outubro.

Em nota, a defesa do religioso apontou que a Justiça "manteve a determinação de impossibilidade de utilização do material apreendido" pelo MP porque "não havia não qualquer irregularidade a ser investigada".

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A ação foi determinada pela juíza Placidina Pires na última quinta-feira, 22, na qual pede que documentos e objetos apreendidos e considerados como provas pelo MPGO sejam devolvidos aos donos apenas quando o processo terminar. Enquanto isso, as provas devem permanecer com o Judiciário até que se esgote todas as possibilidades de recursos.

Não é a primeira vez que uma decisão judicial determina o repasse das provas ao Judiciário. No último dia 10 de outubro, uma determinação para que os documentos fossem devolvidos também foi firmada. As informações são do portal G1.

O caso voltou à tona após reportagem do Fantástico na noite de ontem, 26. A investigação apurou que a cada dez doações consideradas suspeitas, oito têm irregularidades confirmadas. O levantamento é que possivelmente mais de R$ 2 bilhões possam ter sido movimentados nas contas da Afipe nos últimos dez anos: compras de fazendas milionárias, avião e casas de praia estão entre os bens adquiridos e investigados.

A Afipe comanda uma das maiores romarias do País, a Romaria do Divino Pai Eterno. Anualmente, o evento atrai cerca de 3 milhões de fieis à cidade de Trindade, localizada na Região Metropolitana de Goiânia.

Confira a nota expedida pela defesa de pe. Robson

A Justiça manteve a determinação de impossibilidade de utilização do material apreendido pelo MPGO porque não havia qualquer irregularidade a ser investigada.

Determinou a imediata entrega de todo material apreendido pelo MPGO para ser guardado pelo próprio Poder Judiciário enquanto o MPGO maneja os recursos que pretende fazer. Após isso, ocorrerá a destruição definitiva do material apreendido. Espera-se que o MPGO cumpra a determinação judicial, o que até agora não ocorreu.

Espera que a discussão fique restrita aos autos judiciais e não seja indevidamente levada para ambientes inapropriados com vazamentos maliciosos, até porque a Justiça já reconheceu que toda gestão da AFIPE é assunto interno, tornando todo e qualquer suposto “fato novo”, mais do mesmo.

Entenda o caso

Instaurada no último dia 21 de agosto, a Operação Vendilhões tem o intuito de apurar irregularidades nas doações de fiéis à Afipe, à época administrada pelo padre Robson. Ele administra entidades que recolhem aproximadamente R$ 20 milhões mensais em doações.

Na ação foram cumpridos 16 mandados de busca e apreensão nas cidades de Goiânia e Trindade, inclusive em propriedades de luxo que seriam relacionadas ao padre Robson. Há suspeitas de desvio de doações dos fiéis e a compra e venda de imóveis como casas, apartamentos e fazendas em diferentes estados - dinheiro este que deveria estar sendo destinado à construção da nova Basílica de Trindade.

O arcebispo de Goiânia, Dom Washington Cruz, se manifestou sobre o ocorrido e reafirmou que "não houve desvios. Não houve laranjas". "Os valores das doações recebidos jamais tiveram destinação alheia aos objetivos da Afipe. Houve investimentos diversos, dentre os quais propriedades rurais com todos os seus ativos, imóveis urbanos e emissoras de rádio", informou em nota.

Em três anos de investigações, o MPGO rastreou mais de 1,2 mil transações suspeitas nos últimos 10 anos. O padre declarou não ter conhecimento sobre essas transações, defendeu a apuração dos fatos e pediu afastamento das funções da basílica da Afipe.

"Tudo está, desde a primeira doação, e assim continua na AFIPE e é utilizado para que nós levemos a nossa obra de evangelização aos fiéis, ao mundo", informou o religioso via nota à imprensa.

Ainda há o fato de que Vaticano já sabia e acompanhava de perto as denúncias feitas por religiosos próximos à Afipe, antes mesmo das irregularidades chegarem ao MPGO e a Polícia de Goiás. Não se sabe se a sede da Igreja Católica instaurou alguma investigação.

A operação teve início após o padre supostamente movimentar R$ 2,9 milhões com o dinheiro da associação em troca de arquivamento de mídias que supostamente trazem dois casos amorosos do pároco. Hackers extorquiram o padre Robson em 2017.

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