Da Nigéria para o Pici: a história de Fashanu, centroavante do Fortaleza na Copinha
Selecionado pelo Fortaleza entre mais de 700 jogadores durante um evento na Nigéria, o atacante carrega consigo o sonho de fazer os outros sorrirem por meio do futebol
Nascido em Kwara, na cidade de Ilorin, o nigeriano Fashanu trocou de continente, deixou a família e veio para Fortaleza viver um sonho de infância: ser jogador profissional. O atacante africano, destaque do time sub-20 do Leão do Pici na temporada de 2025, quando marcou oito gols, viu no esporte a chance de sorrir — e de fazer outras pessoas sorrirem também.
A bola sempre esteve presente na vida de Fash, como é chamado no Fortaleza. O atacante, que está disputando a Copinha pelo Tricolor do Pici, contou em entrevista ao Esportes O POVO que cresceu vendo futebol por todos os lados. Das lembranças da infância na Nigéria, as melhores são de quando ele jogava com os amigos na rua.
“Uma coisa que posso dizer com certeza é que o amor pelo futebol nasceu onde eu nasci, e eu cresci vendo futebol por todos os lados, embora no início meus pais não quisessem que eu jogasse futebol — não só eu, mas nenhum dos meus irmãos. Porém, o amor por esse jogo era grande demais para mim; eu não tinha e não via outra coisa além do futebol. Algumas das melhores lembranças que nunca vou esquecer de casa eram jogar futebol com meus amigos na rua, no bairro. Jogávamos em qualquer lugar, a qualquer hora, em qualquer dia. O futebol na Nigéria me deu todos os meus amigos”, contou.
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Filho caçula da família, Fash tem outros três irmãos, dois deles homens, que o levavam para assistir a jogos em estádios na Nigéria. Foi da arquibancada que o atual atacante da base tricolor pode presenciar o impacto do futebol na vida das pessoas: o sorriso. Para ele, a chance de proporcionar “alegria e felicidade” para uma multidão de gente o fez ter certeza da sua convicção de tornar-se atleta.
“Minha paixão pelo futebol começou quando meus irmãos me levavam aos jogos na Nigéria, e eu vi como esse esporte trazia alegria e felicidade para quem assistia. A partir desse momento, eu disse a mim mesmo que queria colocar um sorriso no rosto das pessoas. Eu amava como, sendo jogador, você pode fazer isso para milhões de pessoas assistindo. E, como eu disse, o futebol estava ao meu redor enquanto eu crescia. Eu amava muito o jogo porque, além de colocar um sorriso no rosto das pessoas, ele me fazia muito feliz”, relembrou.
Inicialmente, Fash encontrou certa resistência dos seus pais quanto a levar o futebol mais a sério. Eles acreditavam mais no caminho do estudo do que no do esporte. Foram os irmãos, ao entenderem o potencial do caçula com a bola, que os convenceram a deixar o atual camisa 19 do sub-20 do Leão seguir seu verdadeiro sonho. As inspirações, na época, eram muitas, incluindo os brasileiros Neymar e Ronaldo Fenômeno.
“Eu diria que meus dois irmãos mais velhos foram os que mais me influenciaram a me tornar jogador de futebol hoje. Além da paixão e de tudo isso, meus pais nunca quiseram que nenhum de nós jogasse futebol; eles acreditavam mais nos estudos. E, quando meus irmãos viram que eu tinha talento, convenceram meus pais a me deixar jogar futebol. Então, eu diria que meus dois irmãos mais velhos tiveram a maior influência na minha carreira no futebol. Os jogadores que me influenciaram a amar o jogo foram Neymar, Messi, Hazard, Drogba, Osimhen e Ronaldo Fenômeno. Eu assistia a muitos vídeos dele no celular dos meus irmãos”, disse.
Da Nigéria para o Pici: o escolhido entre mais de 700
Para ganhar uma oportunidade no Fortaleza, Fashanu precisou batalhar. O atacante participou de um evento organizado por seu atual agente, Flávio Trivella, em parceria com o Fortaleza, no qual mais de 700 jovens atletas nigerianos estiveram presentes. Um deles era Fash, que se destacou e foi o escolhido. Um detalhe é a gratidão do atacante por Marcelo Paz, ex-CEO do Leão.
“Minha vinda para o Fortaleza foi uma jornada especial para mim, tudo graças ao ex-CEO Marcelo Paz, que confiou no meu agente e me deu uma oportunidade, pela qual serei eternamente grato. Houve um programa de observação na Nigéria organizado pelo meu agente, Flávio Trivella, e pelo Fortaleza, e eu fui o jogador selecionado entre mais de 700 jogadores”, comentou.
Seria a primeira vez que Fashanu sairia da Nigéria e ficaria longe da família. A decisão não foi fácil, mas o que antes era um sonho pessoal tornou-se o de todos. A saudade é diária, mas também serve de combustível para o atacante no seu dia a dia no Fortaleza.
“Enfrentamos muitos desafios com o processo de visto, documentação, a transição e tudo isso; foi muita coisa para minha família, porque seria a primeira vez que eu sairia do meu país. Não foi uma decisão difícil, porque, junto com minha família, nós oramos por oportunidades como essa. Apenas sinto muita falta da minha família, mas eles estavam muito felizes e animados para que minha jornada começasse no Brasil”, completou.
Adaptação no Brasil e campanha na Copinha
Uma mudança de país nunca é fácil, e para Fash não foi diferente. O nigeriano contou que ainda vive um processo de adaptação, sobretudo em relação à comida e à língua — ele se comunica fluentemente em inglês, mas ainda não em português.
“Minha estadia no Brasil tem sido incrível. Tive que me adaptar a muitas coisas, algumas das quais ainda estou me adaptando, como a comida e a língua; tudo é diferente. Mas eu preciso continuar me adaptando, e acho que já me adaptei mais em comparação aos primeiros meses. E as pessoas deste lindo país, o Brasil, têm sido absolutamente incríveis e acolhedoras, o que torna tudo mais fácil para mim”, revelou.
Na Copinha, principal competição de base do país, Fashanu falou sobre o ótimo início do Fortaleza, que está com 100% de aproveitamento e já tem classificação garantida para o mata-mata. Para ele, o objetivo é chegar à final do torneio, o que seria uma campanha histórica para o Leão do Pici.
“Agora, na Copinha, tem sido um começo incrível, e espero que continuemos e cheguemos até o fim, deixando o clube orgulhoso, nossas famílias, os torcedores e, mais importante, deixando a nós mesmos orgulhosos”, falou.
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