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Política
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Doria diz não descartar aliança com Ciro em 2022: "Estou aberto ao diálogo"

O aceno para um possível diálogo acontece após uma série de embates entre os presidenciáveis

Filipe Pereira
11:20 | 23/07/2021
João Doria cogita diálogo com Ciro para aliança em 2022 (Foto: Reprodução)
João Doria cogita diálogo com Ciro para aliança em 2022 (Foto: Reprodução)

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), disse estar aberto ao diálogo com o ex-ministro e presidenciável Ciro Gomes (PDT) para uma possível aliança nas eleições de 2022. Também cotado para disputar a vaga no Palácio do Planalto, o tucano destacou, em entrevista à Rádio O POVO CBN, nesta sexta-feira, 23, que "todas as forças distantes dos extremos" devem ser consideradas para somar força. 

Tem (Ciro) uma trajetória e biografia política significativa, como ex-governador, ex-ministro, ex-deputado federal, inclusive no meu partido, convidado pelo então senador Tasso. Todas as forças democráticas que possam construir um projeto para o Brasil distante dos extremos, da extrema direita e extrema esquerda, devem ter esse discernimento, humildade e capacidade de somarem força. Estou aberto ao diálogo com o ex-ministro Ciro Gomes", disse o governador ao ser perguntado sobre uma possível aliança com o líder pedetista. 

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Entretanto, ambos os presidenciáveis já vivenciaram embates entre si. Durante entrevista à imprensa em 2017, quando era pré-candidato à Presidência da República, Ciro defendeu que preferia mil vezes o deputado federal Jair Bolsonaro como presidente do Brasil do que Doria, então prefeito de São Paulo. Na avaliação de Ciro, o gestor tucano realizava um governo de "factoide", de "papo furado".

O integrante do PDT disse ainda que a fortuna de Doria teria sido obtida com lobby e tráfico de influência junto a governos e agentes públicos, que ele "foi corrido" da presidência da Embratur por corrupção e que ele patrocinou o grupo Movimento Brasil Livre (MBL) para turbinar sua imagem junto à sociedade.

Após a manifestação, o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios determinou que Ciro  respondesse a processo por difamação contra o atual governador de São Paulo. A decisão foi tomada pela 3ª Turma. 

Em reação, o gestor paulista respondeu que o pedetista foi desrespeitoso com a população e "confirmou" sua "instabilidade emocional e desequilíbrio político" ao criticá-lo. "Ciro Gomes, além de desrespeitoso com a população de São Paulo, confirma sua instabilidade emocional e desequilíbrio político", disse Doria via assessoria.

Em 2020, Ciro criticou uma possível aliança do governador tucano com o ex-ministro da Justiça e ex-juiz da Lava Jato, Sérgio Moro, e com o apresentador Luciano Huck para se apresentarem ao eleitor em 2022 como uma alternativa de centro. "No dia que Doria, Huck e Moro forem de centro, eu sou de ultra-esquerda, o que eu nunca fui", afirmou. 

Em recuperação após contrair Covid-19 na última quinta-feira, 15, o governador de São Paulo disse que está bem, assintomático e que acabou de fazer novos exames que atestaram sua boa saúde. Ele aproveitou para atacar seus principais adversários e mais bem colocados nas pesquisas de voto: o ex-presidente Lula e Jair Bolsonaro.

"Profundamente arrependido" do apoio que Bolsonaro (sem partido) no segundo turno das eleições de 2018, o tucano admitiu que errou "como milhões de brasileiros erraram". "Acreditei nas propostas de um governo liberal e anticorrupção. Ele (Bolsonaro) conseguiu a proeza de ter quatro ministros da educação e quatro ministros da saúde, e todos produzindo péssimos efeitos", disse. 

O gestor reforçou ser contra uma nova candidatura do petista em 2022. O gestou disse que o petista ainda deve respostas à Justiça e que decisão não representa renovação na política no Brasil. "O Lula não é renovação. Ele já cumpriu 8 anos de mandato. Nem sequer devia disputar novamente um mandato de Presidência da República. Lula foi autorizado a disputar mas não inocentado das acusações que pesam sobre ele", destacou Doria. 

O governador adiantou que vem a Fortaleza em setembro deste ano na esteira da campanha para viabilizar seu nome como candidato tucano à Presidência. Para disputar prévias partidárias em novembro, ele destacou ser preciso nacionalizar o nome da legenda e, por isso, ele seguirá viajando pelo País.

Segundo o governador, o Ceará deve receber reforço na imunização nos próximos meses. O motivo é o pedido feito pelo governador Camilo Santana (PT) para a aquisição de doses adicionais de vacinas contra a Covid-19 ao Instituto Butantan.