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Gama-plus: nova variante do coronavírus é identificada no Ceará

Nova variante tem características convergentes com a Delta, conforme pesquisadores do projeto Genov. A Fiocruz, no entanto, argumenta que não há confirmação de que a mutação citada seja mais transmissível ou agressiva
16:07 | Ago. 13, 2021
Autor O Povo
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Atualizada às 22h51min

Pesquisadores brasileiros descobriram uma variação da Gama — ou P1, inicialmente identificada em Manaus —  com características convergentes com a Delta — originalmente encontrada na Índia. Cientistas do projeto Genov,  um dos maiores projetos de vigilância genômica da América Latina, do grupo Dasa, encontraram a variação, denominada Gama-plus, em 11 amostras no Brasil. Sendo uma no Ceará. As informações são do portal UOL.

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Conforme a análise, a variante conta com uma alteração genética em uma região nobre (a posição 681), no chamado "sítio de furina", que condiciona a velocidade com que o vírus entra nas células humanas. Descoberta foi obtida após análise de 502 amostras colhidas em maio de brasileiros infectados pelo Sars-CoV-2. 

Essas alterações foram encontradas em amostras de Goiás (5), Tocantins (1), Mato Grosso (1), Ceará (1), Santa Catarina (1), Paraná (1) e Rio de Janeiro (1). 

De acordo com biólogo molecular e virologista José Eduardo Levi, que lidera a área de desenvolvimento e pesquisa da Dasa, já existem diversas variantes de Gama, que são cepas com alterações em relação à sua versão original. Ele destaca que são chamadas Gama-plus apenas aquelas que têm algo que "aumenta o seu perigo".

Na noite desta sexta-feira, no entanto, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) rebateu as informações divulgadas pelo projeto Genov. Conforme a instituição, há centenas de subvariantes já catalogadas, mas não há confirmação de que a mutação citada seja mais transmissível ou agressiva. 

Ao O POVO, Fabio Miyajima, pesquisador da Rede Genômica da (Fiocruz-Ceará), disse que a sublinhagem é identificada como P.1.7 e centenas de mutações dessa sequência já foram identificadas e notificadas. "Mas não implica necessariamente em dizer que é mais agressiva ou que pode causar mais casos", pondera o especialista.

Convergência

"O que mais impressiona os virologistas em relação ao Sars-CoV-2 é sua altíssima taxa de convergência", diz Levi. Segundo o pesquisador, esse conceito explica por que uma mutação da Delta aparece na variante gama, transformando-a na versão "plus".

Levi explica que a convergência ocorre quando mutações semelhantes "pipocam" simultaneamente em cantos do globo distantes entre si.

"A pressão de evolução é um funil idêntico para todo e qualquer Sars-CoV-2: ele precisa ser transmitido e precisa escapar da resposta imunológica humana, seja ela natural, seja pela vacina", explica Levi. "Os vírus que seguem adiante são aqueles que encontram um caminho convergente", ou seja, aprimoram mutações que o tornam mais resistentes.

Vigilância

No fim do mês, devem sair os resultados da análise aprofundada de mais 1.500 amostras coletadas em junho. Então, pesquisadores devem saber o quanto a Gama-plus ganhou espaço e o quanto ela pode ser perigosa. 

O pesquisador alerta que com o vírus entrando mais depressa nas células, pode aumentar a carga viral da P1 e multiplicar as oportunidades de criação de mutações.

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