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Coronavírus
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Vacinas da Pfizer e da AstraZeneca neutralizam variante Delta após 2ª dose

Estudo conclui a importância das doses complementares com espaçamento de três meses para a proteção contra mutações do coronavírus

Mirla Nobre
20:12 | 08/07/2021
Segundo o Ministério da Saúde, 15 casos da variante Delta do novo coronavírus foram identificados e notificados no Brasil até o momento (Foto: NIAID)
Segundo o Ministério da Saúde, 15 casos da variante Delta do novo coronavírus foram identificados e notificados no Brasil até o momento (Foto: NIAID)

Uma das preocupações da Organização Mundial da Saúde (OMS), a variante Delta da Covid-19, classificada como “de preocupação global”, pode ter sua força neutralizada após a segunda dose das vacinas da AstraZeneca/Oxford e da Pfizer/BioNTech com intervalo de três meses, aponta um estudo do Instituto Pasteur, da França, publicado na revista científica Nature, nesta quinta-feira, 8. No Brasil, 15 casos já foram registrados da variante B.1.617.

Para chegar aos resultados, os cientistas do Pasteur avaliaram o desempenho do vírus contra anticorpos (moléculas do sistema imune) coletados de 162 pessoas que haviam tomado a vacina no intervalo regular, de três meses entre cada dose. Na pesquisa, o experimento desafiou quatro linhagens diferentes do vírus contra soro sanguíneo de indivíduos com histórico de infecção ou já vacinados, com uma ou duas doses. Os cientistas também testaram cada linhagem contra tratamento de anticorpos monoclonais, produzidos artificialmente. 

A pesquisa informa que testes também foram realizados nas linhagens Alfa e Beta do vírus, detectadas inicialmente e respectivamente no Reino Unido e na África do Sul. As informações são do O Globo. Também foram avaliados o desempenho dos anticorpos de diferentes origens contra uma versão do vírus mais próxima à original chinesa, do início da pandemia.

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De acordo com os cientistas do Instituto Pasteur, a variante Delta é de longe a que mais deu trabalho para as células nos laboratórios. Os imunizantes da AstraZeneca e da Pfizer foram os únicos que tiveram desempenho mais consistente, mas só aqueles que estavam no soro sanguíneo das pessoas que já tinham tomado a segunda dose. 10% das amostras de voluntários recipientes de primeira dose foram capazes de neutralizar o vírus delta; 95% das amostras de pessoas com segunda dose obtiveram sucesso.

Na comparação da variante Delta com a Alfa, ela foi quatro vezes mais eficiente em escapar dos anticorpos das pessoas não vacinadas. Ela é capaz de escapar tanto de anticorpos que atacam a proteína S do vírus, responsável por sua entrada na célula, quanto à proteína N, que constitui outras partes da superfície do SARS-CoV-2, informaram os cientistas. O estudo ressalta a importância da segunda dose das vacinas para prevenção contra variantes existentes do vírus.

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Eles ainda observaram que, “em indivíduos que não tinham sido previamente infectados com o SARS-CoV-2, uma dose única de vacinas da Pfizer ou da AstraZeneca praticamente não induziu anticorpos neutralizantes contra a variante Delta”. Mas, na aplicação das duas doses, há altos níveis de neutralização sorológica contra as variantes Alfa, Beta e Delta em pessoas com amostras coletadas de oito a 16 semanas após a vacinação.