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Coronavírus
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Variante Delta: Sesa não confirma casos no Ceará, mas cuidados não mudam

Recentemente identificada no Brasil, variante Delta não altera cuidados contra o contágio. Vacinação reforça segurança contra a Covid-19, explicam especialistas

Marília Freitas
20:44 | 07/07/2021
O Laboratório Central (Lacen) realiza exames para identificação da Covid-19 (Foto: Robson Valverde / SES-SC)
O Laboratório Central (Lacen) realiza exames para identificação da Covid-19 (Foto: Robson Valverde / SES-SC)

Com um total de 15 casos confirmados no Brasil, a variante Delta poderá circular em breve por todo o País, inclusive no Ceará. As expectativas da chegada da variante em todos os estados são esperadas por especialistas na área da saúde. Segundo eles, o contágio do vírus é favorecido sem a imunização coletiva, ainda não alcançada no Brasil, junto à falta de um sequenciamento genético mais rápido.

A variante B.1.617, conhecida popularmente como a variante indiana, é classificada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como "de preocupação global" por ter contribuído para a mais recente - e intensa, terceira onda da pandemia no país asiático. No Brasil, os casos mais recentes confirmados foram na região Sudeste na última terça-feira, 6.

No Ceará, ainda não há casos da variante Delta confirmados. A Secretaria da Saúde (Sesa) informou, em nota ao O POVO, que a única variante detectada no Estado é a P1 - ou gama, inicialmente identificada em Manaus -, e a vigilância epidemiológica segue ativa para identificar casos cearenses de outras cepas que já circulam no Brasil. Os primeiros casos da variante manauense foram identificados no Ceará em fevereiro deste ano. 

Ciente da circulação ativa das variantes, o imunologista e professor da Universidade Federal do Ceará (UFC), Edson Teixeira, alerta para a necessidade de rapidez nas análises genômicas dos casos de Covid. "Foram identificados os casos no Rio de Janeiro e em São Paulo, mas é possível que ela esteja em todos os estados. Nós não temos a confirmação ainda pois não fizemos sequenciamentos genômicos suficientes", aponta.

Renato Kfouri, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), acredita que a variante já chegou a todos os estados. "Como fazemos uma vigilância de sequenciamento muito pequena, acabamos reconhecendo poucos casos. É uma variante já presente, inclusive em pessoas que não viajaram para fora do País", cita o especialista, referindo-se ao caso confirmado na capital paulista.

O procedimento citado pelos professores consiste em observar análises do material genético do vírus nos casos de Covid-19. Caso sejam encontradas diferenças entre as amostras com as linhagens conhecidas do Sars-CoV-2, elas podem ser elencadas por especialistas como novas possíveis variantes. Quanto mais um vírus circula, mais ele faz replicações e tende a alterar sua estrutura para facilitar sua propagação, gerando novas variantes. Por isso a importância de evitar aglomerações e outras medidas de segurança contra o vírus. 

No Ceará, as identificações das variantes são feitas por instituições como a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e pelo Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen). Recentemente, mais de 500 mil exames de diagnóstico da doença foram feitos pelo Laboratório.

Foi a Fiocruz, inclusive, que descartou o caso suspeito no Ceará da variante indiana no fim de maio. O passageiro que veio da Índia desembarcou em Fortaleza no dia 9 de maio, fez exames antes e após a viagem - este último verificou a positividade da Covid. Uma semana depois, no dia 18, um novo teste já não detectou a presença do vírus no organismo do viajante. 

O caso suspeito foi notificado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no dia 17 de maio e informado à população no dia 21. O homem seguiu em isolamento preventivo no hotel até ter o teste negativo divulgado. 

Esta é a quarta variante do coronavírus citada como preocupante pela Organização Mundial da Saúde (OMS). As outras três são a alfa (B.1.1.7), inicialmente identificada no Reino Unido; beta (B.1.351), inicialmente identificada na África do Sul; e gama (P1), inicialmente identificada em Manaus.

Edson compara a circulação com a variante P1, já presente no Ceará, mas reforça que não há motivo para pânico quando a nova variante chegar. "Essa variante [Delta] parece ser mais contagiosa, a transmissibilidade dela é maior, mas todas as medidas que conhecemos de proteção servem: ou seja, distanciamento social, uso do álcool em gel e uso de máscaras", conversa.

Renato ainda não vê evidências de que a variante Delta possa estar assumindo o lugar da P1, apontada pelo diretor como responsável por cerca de 94% dos casos de Covid-19 identificados no Brasil atualmente. "Ela é a nossa protagonista", ressalta. "Os dados mostram que as vacinas funcionam contra as variantes. A ideia de vacinar o mais rápido possível deve continuar, com ou sem variante Delta".

Todas as vacinas que seguem sendo aplicadas no Ceará - da Pfizer, da AstraZeneca, da Janssen e a CoronaVac - funcionam contra a variante. A imunização coletiva - ou seja, vacina para todos - é a principal forma de alcançarmos a diminuição do contágio do vírus.

Para Edson, o Ceará deve acelerar o ritmo de vacinação atual para conter a pandemia como um todo. "Eu acredito que vamos acelerar a cobertura da vacinação com duas doses, o mais importante no momento", explica ao citar a dependência do Governo Estadual por parte do Governo Federal para a compra das vacinas.

Vacinação da gripe segue em paralelo com a da Covid-19

Neste ano, as campanhas de vacinação contra o coronavírus e a Influenza ocorrem simultaneamente. A Sesa estabelece um intervalo de 14 dias, antes e depois, entre as doses das duas vacinas. Renato Kfouri, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), aponta um esquecimento da vacinação de rotina.

"Todos os serviços de saúde foram negligenciados na pandemia, e o cuidado com outras doenças foi deixado de lado. O sarampo não deixou de existir", alerta. "Comunicamos que é importante não sair de casa para nada. Mas não comunicamos que a vacinação é um serviço essencial." O Ceará, inclusive, ocupa 6º posição entre estados nordestinos que mais vacinaram grupos prioritários contra a gripe - número reflete a baixa procura pela vacina da Influenza.

Fortaleza dispõe de 116 postos de saúde com salas de vacinação disponíveis para vacina contra a Influenza. Confira aqui a lista de postos de saúde na Capital. As unidades funcionam de segunda a sexta-feira, das 8 às 17 horas. A população pode procurar os locais com documento oficial com foto e cartão do SUS. Não é necessário portar o cartão de vacinação para ter acesso à vacina.